Handebol: tudo o que você precisa saber para o Rio 2016

Brasil lutará contra supremacia europeia na modalidade; Brasileiras possuem Mundial de 2013 como conquista no currículo e buscarão inédita medalha olímpica

Handebol: tudo o que você precisa saber para o Rio 2016
Handebol: Tudo que você precisa saber para o Rio 2016

O Handebol é uma das modalidades esportivas coletivas mais intensas e emocionantes nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. O Brasil entra forte na disputa, com bons resultados nas últimas edições dos Jogos Pan-Americanos e, após a conquista do Mundial feminino de 2013, a grande missão é fazer bonito no pódio nas primeiras Olimpíadas disputadas na América do Sul.

A modalidade consiste em sete atletas em cada equipe, sendo um goleiro. Os times atravessam a quadra de um lado ao outro, conduzindo a bola e trocando passes com as mãos. Sem pisar na área, que é espaço exclusivo aos goleiros, o objetivo é arremessar a bola para dentro da meta, entre as traves. A equipe que marca mais gols, vence a partida.

Os jogos têm duração de uma hora, em dois tempos de 30 minutos. É menos tempo do que o futebol, mas mais tempo do que o basquete, por exemplo. Apesar da da duração, o tempo passa voando. Quando as partidas são equilibradas, cada ataque é fundamental para determinar o resultado final. Dessa maneira, os jogos costumam terminar com mais de 20 gols para cada time e cada bola na rede, cada roubada, cada defesa dos goleiros é comemorarada com muita vibração.

Local dos Jogos: Arena do Futuro

André Motta / Portal Oficial do Governo Federal

A casa do Handebol é a Arena do Futuro, uma instalação temporária. Ela receberá tanto os jogos masculinos quanto os femininos do Handebol, além do Goaball na Paralimpíada. Está localizada na zona Oeste do Rio de Janeiro, no Núcleo do Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca.

A Arena tem capacidade para 12 mil pessoas. Recebeu dois eventos-teste como preparação aos jogos oficiais. Houve o Torneio Internacional Masculino de Handebol - de 29 abril a 1º de maio - e o Aquece Rio Torneio Internacional Masculino de Goalball - nos dias 4 e 5 de maio.

É financiada pelo Governo Federal e foi executada em parceria pela Prefeitura do Rio. Após a disputa dos Jogos, a Arena do Futuro cederá material para construção de quatro escolas públicas na cidade carioca, conforme promessa anterior do governo brasileiro.

Atuais bicampeões olímpicos

Os atuais vencedores são bicampeões. No masculino, a França obteve a medalha de ouro em Pequim 2008 e em Londres 2012. No feminino, a Noruega somou seus primeiros ouros também na China e na Inglaterra.

Em final emocionante de 2012, a França bateu a Suécia por 22 a 21 para garantir o bicampeonato. Na capital inglesa, a Noruega faturou o lugar mais alto do pódio ao derrotar a surpresa Montenegro por 26 a 23.

O Brasil masculino foi eliminado na primeira fase das Olimpíadas de 2004 e 2008 e não chegou à disputa da Olimpíada de 2012. Enquanto no feminino, as mulheres atingiram em Londres a melhor participação na história da modalidade: 6º lugar, em queda somente na fase quartas de final. No ano seguinte, 2013, o Brasil sagrou-se campeão mundial feminino, conquista de muita superação e orgulho ao país.

Favoritas no Rio 2016

França quer ser a primeira seleção tri do Handebol Masculino
(S. Pillaud / Fédération Française de Handball)

Se a França conquistou a Olimpíada masculina de Handebol em 2008 e 2012, não será fácil parar a esquadra na atual temporada. La Marseillaise é favorita entre os hinos para tocar no Rio de Janeiro. Após os grandes resultados nos últimos Jogos Olímpicos, o Mundial deste início de 2016 apontou a França novamente no topo.

A seleção bateu o Catar, em Doha, por 25 a 22, e atingiu o quinto Mundial na história. Dessa forma, supera Romênia e Suécia, que possuem quatro conquistas. Na equipe escalada pelo técnico Claude Onesta, os principais jogadores são o bom goleiro Omeyer, o armador Nikola Karabatic, melhor do mundo em 2007 e 2014, e o ponta Nyokas. Apesar destes destaques, os gols da equipe são bastante divididos.

Outra cotada é a Dinamarca do armador Mikkel Hansen, melhor do mundo em 2011. Nas campanhas recentes, são dois títulos europeus (2008 e 2011) e dois vice mundiais (2011 e 2013). Será que chegou a hora da seleção do técnico Ulrik Wilbek?

Também em destaque a Espanha do treinador José Villaldea. Os ibéricos foram campeões do Mundial de 2013. Na última Eurocopa, a medalha de prata foi colocada no peito. No Brasil, grandes chances de pódio aos espanhóis, que jamais passaram do bronze.

A prata da Espanha na Europa veio em derrota para campeã Alemanha, atual número 1 do ranking da International Handball Federation. A vitória alemã foi por 24 a 17 no reencontro com um título europeu. O goleiro Andreas Wolff e o ponta-esquerda Kai Haefner são duas das armas da Alemanha no Rio de Janeiro.

Seleção Brasileira campeã mundial em 2013 (Foto: Getty Images)

É com imenso orgulho que a Seleção Feminina de Handebol pode ser apontada como uma das favoritas. As meninas do Brasil são treinadas pelo dinamarquês Morten Soubak e conquistaram o Mundial no ano de 2013. Na última edição do torneio, eliminação em partida ruim diante da Romênia, após vitórias satisfatórias sobre grandes rivais, tais como Argentina, a forte Alemanha e a dinâmica França.

O Brasil conta com duas boas goleiras, Babi e Mayssa. Com agilidade e habilidade, Ana Paula é a responsável pela armação central e Duda Amorim já foi eleita a melhor jogadora do mundo. A catarinense também atua na armação e possui bastante força física para encarar as adversárias e arremessar de longa distância. A pivô da equipe é a experiente Dani Piedade.

A Romênia, algoz do último Mundial, é outra favorita. Contando com as atletas Bradeanu, Buceschi e Arden Elisei, as romenas são páreo duríssimo pela frente. Na mesma chave dessas duas seleções, a Noruega, atual bicampeã olímpica e campeã mundial, vem forte por mais uma conquista. Elas venceram o Mundial em 2011, perderam para o Brasil em 2013 e retomaram a hegemonia em 2015.

As norueguesas, portanto, carregam o favoritismo. São comandadas pelo técnico Thorir Hergeirsson, melhor do mundo em 2014, e possuem referência na experiente ponta-esquerda Camilla Herrem.

Maiores campeões olímpicos: domínio europeu

Quadro de medalhas do Handebol Masculino:

Posição País Ouro Prata Bronze
Rússia* 3 1 0
Alemanha** 2 2 0
Sérvia*** 2 0 1
Croácia 2 0 1
França 2 0 0
Suécia 0 4 0
Romênia 0 1 3
- Brasil - - -

* Venceu em 1976 e 1988 como União Soviética. Somente em 2000 como Rússia.
** Venceu como Alemanha Oriental em 1980.
*** Venceu como Iugoslávia em 1972 e 1984.

Quadro de medalhas do Handebol Feminino

Posição País Ouro Prata Bronze
Dinamarca 3 0 0
Coreia do Sul 2 3 1
Noruega 2 2 0
Rússia* 2 1 0
Sérvia** 1 1 0
Alemanha 0 1 1
Hungria 0 1 1
- Brasil - - -

* Venceu como União Soviética em 1976 e 1980, as duas primeiras edições femininas em Olimpíadas.
** Medalhas obtidas como Iugoslávia, em 1980 (prata) e 1984 (ouro).

O Brasil é a potência das Américas no handebol, para tentar desbancar a ampla superioridade e hegemonia europeia. Pelo quadro histórico da modalidade, nota-se que apenas a Coreia do Sul, no feminino, quebrou a escrita de conquistas do Velho Continente. Nos Jogos Pan-Americanos, a camisa amarela se destaca. São cinco medalhas de ouro das mulheres e três ouros e quatro pratas dos homens, tornando o Brasil o maior vencedor do handebol no Pan.

Para o Rio 2016, a expectativa de primeira medalha brasileira nos jogos do Handebol passa principalmente pela Seleção Feminina. O técnico dinamarquês Morten Soubak está no comando das meninas do Brasil desde 2009.

Ele levou a seleção aos títulos do Pan-Americano de 2011 e 2015, além da maior conquista do handebol brasileiro: o Mundial de 2013. Nas Olimpíadas, o país voltou a participar em 2012 e correrá atrás da medalha com o apoio da torcida carioca.