Entrevista. Duda Amorim almeja medalha do Handebol no Rio 2016: "Uma força a mais com torcida"

Melhor jogadora do mundo em 2014, Duda Amorim fala sobre carreira, adaptação à Europa, sonhos realizados e objetivo de medalha olímpica nos Jogos do Rio 2016

Entrevista. Duda Amorim almeja medalha do Handebol no Rio 2016: "Uma força a mais com torcida"
Entrevista. Duda Amorim almeja medalha do Handebol no Rio 2016: "Uma força a mais com torcida"

O handebol brasileiro é esperança de medalha nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Uma das responsáveis pela criação desta expectativa é Duda Amorim, a catarinense que atua como armadora esquerda da seleção.

Duda possui diversas conquistas individuais e por clubes durante a carreira. Aos 29 anos, a trajetória brilhante da atleta inclui as premiações de melhor jogadora do Mundial 2013, melhor jogadora do mundo em 2014 e melhor defensora da liga europeia na temporada 2015/16.

No coletivo, a seleção feminina possui conquistas recentes e lutará por um inédito lugar ao pódio e, quem sabe, até o ouro na Olimpíada. Nos últimos anos, a seleção comandada pelo dinamarquês Morten Soubak venceu o Mundial de 2013 e os Jogos Pan-Americanos em 2015. Em preparação, já tomando conhecimento da Arena do Futuro, onde serão realizadas as disputas no Rio de Janeiro, a adaptação é fundamental para buscar a medalha olímpica.

Nascida em Blumenau, Eduarda iniciou no handebol longe de casa. Logo aos 15 anos, na região do ABC paulista, atuou pelo São Bernardo e pelo São Caetano, quando foi campeã paulista junior e jogava simultaneamente na equipe de base e entre as profissionais. A transferência para o exterior também ocorreu muito cedo, aos 19.

A VAVEL Brasil entrevista a melhor jogadora do mundo do ano de 2014, contextualizando a importância de sua ida para o alto nível de profissionalização do handebol europeu, o crescimento da seleção sob comando do técnico dinamarquês Soubak e suas expectativas para os Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Duda, como foi seu surgimento no handebol? Como foram os primeiros passos em uma modalidade que não habita o cotidiano da mídia no Brasil? Você sempre acreditou em se profissionalizar?

Comecei na escola mesmo, como uma atividade extracurricular. Meu técnico e minha irmã faziam parte da seleção na época e me interessei pelo esporte. Por mais que não estivesse na mídia, handebol sempre foi muito popular nas escolas, e esse fato de não ser um esporte muito famoso não me incomodava no início. Sobre me profissionalizar, esse era um objetivo que eu tinha quando comecei a jogar e vi que levava jeito para o esporte. Sempre tive o sonho de ir pra Europa, desde que comecei.

Quais foram as maiores dificuldades de adaptação e, ao mesmo tempo, qual a importância de você ter se transferido para o handebol europeu ainda muito nova?

A maior dificuldade no início é cultural. Se adaptar a um novo jeito de viver e de pensar das pessoas europeias. Sentia muita falta, e ainda sinto do jeito brasileiro de viver. Mas, ao mesmo tempo, valeu a pena pela parte profissional. O handebol europeu é muito mais dinâmico e eu não conseguiria chegar ao meu nível jogando apenas no Brasil.

Quais são as diferenças (estruturais, calendário) do handebol europeu para o handebol brasileiro em relação aos clubes?

Os clubes, por terem mais tradição, tem uma estrutura melhor. Temos apartamento, uniformes, quadras e vestiários bons, equipe médica, enfim, tudo que precisamos para jogar está à nossa disposição. No Brasil, muitas equipes lutam todo ano pra conseguir patrocínio, é muito mais difícil ter uma continuidade no trabalho. Na minha época, fazíamos até rifa para participar de alguns torneios. Na Europa, o calendário é mais longo, temos um grande número de jogos o que nos permite evoluir mais. São realidades totalmente diferentes.

Entre altos e baixos, você passou por uma lesão grave no joelho, mas também foi campeã mundial e eleita a melhor jogadora do mundo. Qual o pior e o melhor momento da carreira até aqui?

No geral, tive uma carreira muito boa. Pior momento talvez foi adaptar com a equipe do Gyor quando cheguei na Hungria, e, lógico, recuperar da lesão. E o melhor momento foi ganhar minha primeira liga dos campeões e o título mundial com a seleção, feitos inesquecíveis para mim. Eram sonhos que persegui por muito tempo, e que guardo com muito carinho.

O que a Eduarda Amorim de 10 anos atrás diria a Eduarda Amorim de hoje?

Simplesmente que todo o esforço e sacrifício valeram a pena em busca dos sonhos! Isso significa muito para mim, diz muito da minha história e da minha trajetória para conseguir chegar aonde cheguei.

Qual a importância do técnico dinamarquês Morten Soubak no crescimento da Seleção Brasileira?

Ele foi a pessoa que nos fez acreditar que poderíamos sim ganhar das europeias. Que poderíamos trazer um resultado expressivo pra nossa seleção. E foi importante também ele saber um pouco da nossa cultura e o que nos motivava. 

A VAVEL Brasil acompanhou o Mundial de 2015. O Brasil teve uma grande participação na primeira fase, mas acabou perdendo para Romênia nas oitavas. O que a Seleção tira de lição do campeonato disputado na Dinamarca?

Pra mim, ficaram muito marcadas a questão do foco e da disciplina. De nada adianta focarmos pra classificarmos se os jogos mais importantes são quartas, semi e finais. Acho que o foco exagerado em ganhar todos os jogos da classificação não é necessário e pode ser melhor distribuído durante o campeonato. Talvez o fato também de subestimar uma equipe, nós não estamos e nunca estaremos na posição de fazer isso. Mas tudo valeu pra experiência, espero que possamos chegar mais longe nas Olimpíadas.

Quanto às Olimpíadas, qual a expectativa da participação diante da torcida e a possibilidade de primeira medalha brasileira na modalidade?

São boas. Teremos uma força a mais com a torcida. E será uma honra defender o Brasil em casa. Todo o foco está em jogar bem e dar o nosso máximo individual e coletivamente conseguir nosso objetivo, que é medalhar no Rio.

O grupo do Brasil na primeira fase é considerado mais complicado do que o outro. O que você pensa sobre as seleções adversárias e, apesar do alto nível do torneio, qual você considera a favorita?

A favorita é a Noruega. Nos últimos anos, elas venceram os maiores torneios: europeu, mundial e olimpíada. Os outros são praticamente no mesmo nível, onde as partidas serão decididas em um ou dois gols. Eu estou mais preocupada com a nossa performance do que com as adversárias. Sobre a estratégia do campeonato, a comissão é responsável. Nós atletas temos que analisar a equipe do dia e jogar o nosso melhor, principalmente nos cruzamentos. De nada adianta, como no Mundial, ganharmos os cinco jogos de classificação e perdemos nas oitavas. Temos que classificar e depois vencer os cruzamentos pra brigar por uma medalha. 

Quais as virtudes da Seleção Brasileira, do grupo e das companheiras, para buscar essa medalha?

Somos um grupo muito especial. Trabalhamos bastante, somos dedicadas, somos alegres e resilientes. Talvez não tenhamos a melhor seleção no papel comparada às europeias, mas jogamos com o coração como nenhuma outra equipe.

Qual o último recado para os torcedores que acompanham o handebol e os Jogos Olímpicos?

Preparem o coração! Muitas emoções estão por vir. Mandem sua energia positiva e torçam nos bons e maus momentos! Raça, Brasil!

Duda faz o V da vitória e de VAVEL Brasil
Duda faz o V da vitória e de VAVEL Brasil