Adeus de uma lenda: Muhammad Ali morre aos 74 anos

Após longa batalha, 'The Greatest' estava internado desde a última quinta-feira (02); cientes do momento, familiares divulgaram nota oficial e confirmaram a morte do ícone do boxe

Adeus de uma lenda: Muhammad Ali morre aos 74 anos
Muhammad Ali há 10 anos: o maior de todos os tempos (Foto: Jeff Topping/Getty Images)

Um duro nocaute para os fãs e admiradores do desportista e do ser humano. A passagem do maior lutador de boxe de todos os tempos pela Terra encerrou-se no começo da madrugada deste sábado (4). Muhammad Ali não foi bem-sucedido na batalha para continuar a viver e sua morte foi oficialmente confirmada por seus familiares. Internado desde a última quinta-feira (02), em um hospital em Phoenix, Arizona/EUA, o estado clínico só apresentava sucessivas pioras e não houve mais reversão para a sobrevivência. Ali tinha 74 anos de idade.

Cassius Marcellus Clay Jr. nasceu em 17 de janeiro de 1942 na cidade de Louisville, a mais populosa do estado norte-americano de Kentucky. Com apenas 18 anos, representou muito bem os Estados Unidos ao conquistar a medalha de ouro na Olimpíada Roma 1960, na categoria peso-pesado. A partir daí, a carreira vitoriosa que o conduziu a ser chamado de Greatest (o melhor, em português). Em 1964, conquistou o título de campeão dos pesos pesados ao derrotar Sonny Liston - com quem teve uma das maiores rivalidades da história do esporte. Em seguida, por se recusar a lutar no Vietnã, foi suspenso por três anos. Mas esse fato de forma alguma brecou sua carreira.

Após ser derrotado por Joe Frazier, venceu George Foreman em 1974 em luta realizada no Zaire, atual República Democrática do Congo. O evento foi considerado a luta do século. Cassius Clay pendurou as luvas de boxe ainda como campeão da categoria, em 1981. Um dos feitos incríveis da lenda foi lutar contra Ken Norton, em 1973, com o maxilar quebrado por 12 rounds.

Em 1980, já com o nome de Muhammad Ali-Haj, modificado ao se converter ao islamismo, se destacou na luta contra o racismo. Na luta contra George Foreman, se colocou como o lutador da África, enquanto Foreman ficou conhecido como o símbolo da alienação negra americana.

Diagnosticado com o mal de Parkinson durante a reta final de suas atividades no boxe, Muhammad Ali ficou bastante debilitado com o desenrolar da doença e o avanço de seus dias. Três décadas após o diagnóstico, Ali foi a Israel para tratar a doença com células-tronco adultas. Porém, os problemas de saúde ficaram cada vez mais agravados. A aparição pública mais notória aconteceu em 1996, quando foi convidado a acender a pira olímpica dos Jogos de Atlanta.

Após o anúncio oficial da morte de Muhammad Ali, vários personagens manifestaram seu pesar, sua tristeza e sua admiração pelo lutador. Em entrevista à ESPN dos Estados Unidos, o também lutador multicampeão Floyd Mayweather Jr. foi sucinto em falar da importância de Ali. "Foi o maior lutador, um grande homem, uma lenda", disse.

O agenciador de muitas lutas de Ali, Bob Arum, lembrou que o legado de luta dentro e fora dos ringues será destacado por inúmeras vindouras gerações. "Sua contribuição para os Estados Unidos e para o mundo vai ser lembrada para as gerações vindouras. Ele significou muito para muitos em todo o mundo. Ele tinha um efeito tão transformador na sociedade norte-americana e tal impacto no mundo por causa do seu espírito. Ele será lembrado como uma das pessoas icônicas de sua época", afirmou.

Por causa de sua defesa em favor dos negros, seu reconhecimento ultrapassou as barreiras do boxe. O super astro da NBA e jogador do Cleveland Cavalliers, LeBron James, também comentou o esforço de Ali em lutar contra a segregação racial nos Estados Unidos e, consequentemente, em todo o mundo.

"A razão pela qual ele é o maior de todos os tempos não é por causa do que ele fez nos ringues, que era inacreditável. É o que ele fez fora do ringue, aquilo em que acreditava, que ele representava - juntamente com Jim Brown e Oscar Robertson, Lew Alcindor, obviamente que se tornou Kareem Abdul-Jabbar, Bill Russell, Jackie Robinson. Ele é parte da razão pela qual os afro-americanos hoje podem fazer o que fazemos no mundo dos esportes. Estamos livres. Eles nos permitem ter acesso a qualquer coisa que nós queremos. É por causa do que eles representavam, e Muhammad Ali foi definitivamente o pioneiro para isso", afirmou a estrela do basquete.