Rafaela Silva supera racismo e depressão para conquistar o ouro olímpico na Rio 2016

A lutadora sofreu ataques e depressão após a eliminação em Londres e derrubou todas as barreiras para ao ouro na Rio 16

Rafaela Silva supera racismo e depressão para conquistar o ouro olímpico na Rio 2016
Rafaela é o primeiro ouro do Brasil

A estreia olímpica em Londres 2012 de Rafaela Silva passou longe de ser como a judoca sonhou. Lutando contra a húngara Hedvig Karakas, Rafaela acabou eliminada por um golpe ilegal e sofreu muito depois disso. Racismo, depressão e o peso de precisar reescrever sua história no judô. Nesta segunda-feira (8), ela conseguiu.

Criada na Cidade de Deus, a atleta começou no esporte aos 7 anos justamente no instituto do ex-lutador Flávio Canto. Foi ai que Geraldo Bernardes, atual treinador de Rafaela e ex-técnico de Flávio, encontrou um grande talento.

Os Jogos Olímpicos de Londres em 2012 eram a chance de ouro para uma das atletas mais promissoras do Brasil. Entretanto, um golpe ilegal na segunda rodada rendeu a dolorida desclassificação e a repercussão foi muito negativa.

Chamada de "macaca" e de todo tipo de absurdo pela internet, Rafaela quis desistir e chegou a avisar seu treinador que não queria mais lutar. Entretanto, seu técnico, Geraldo Bernardes, a impediu de largar o judô e, após uma operação, a colocou no caminho das vitórias novamente.

Quatro anos depois, a carioca voltou a enfrentar Karakas, a fantasma de sua eliminação, nas as quartas de final e não se abalou. A difícil luta diante da húngara fez Rafaela precisar de muita força e concentração, porém, atleta virou a página triste de sua carreira, avançou às semifinais da categoria leve (até 57kg) e seguiu em busca do sonho do primeiro ouro Olímpico.

O penúltimo desafio de Rafaela antes da medalha de ouro foi Corina Caprioriu, que conquistou a prata em Londres 2012. No golden score, a disputa cheia de nervosismo deu lugar a alegria quando a brasileira conseguiu um wazari, garantindo a classificação para o Brasil.

Na decisão, Rafaela enfrentou Sumiya Dorjsuren, atual líder do ranking e que havia passado para a decisão vencendo em apenas 23 segundos. Com apoio incondicional da torcida, a carioca entrou muito focada e juntou toda força que tinha. Com um wazari e concentração, ela segurou a mongol até o fim, levou o ouro e golpeou de vez os traumas olímpicos.