Ucraniano passa por dificuldades e preconceito para conquistar prata na luta greco-romana

Zhan Beleniuk é um dos dois negros da delegação da Ucrânia e conquistou a prata na Luta Olímpica nesta segunda-feira

Ucraniano passa por dificuldades e preconceito para conquistar prata na luta greco-romana
(Foto: AP)

O segundo dia de disputas na Luta Olímpica contou com boas histórias dentro e fora das disputas. Zhan Beleniuk, ucraniano que ficou com a prata na luta greco-romana até 85kg, fez história para seu país e, como um dos dois negros da delegação, se impôs diante do preconceito.

24 de janeiro de 1991, dia que Zhan Beleniuk nasceu em Kiev. 24 de agosto de 1991, essa foi a data exata da declaração de independência da Ucrânia após o fim da União Soviética. O lutador de 25 anos viveu cada etapa pós-independência de seu país e não foram anos fáceis. Ele passou pela Guerra Civil no leste ucraniano, perdeu o pai, piloto da força aérea, na guerra civil de Ruanda, enfrentou a crise com a Rússia e precisou, junto com sua mãe, passar pelas batalhas da vida até chegar ao Rio de Janeiro.

Em um país predominantemente de brancos, ser negro o fez ser diferente dos outros ucranianos na cabeça de pessoas preconceituosas. O racismo, que o cercou desde muito cedo, foi combatido de diversas formas, inclusive brigando quando pequeno.

Principal responsável pela escolha da luta olímpica, a mãe de Zhan o apoia como ninguém e está sempre ao seu lado. Entretanto, o nervosismo pelos combates do filho fazem Svetlana não conseguir nem ver quando começa: "Ela não assiste às minhas lutas porque fica muito nervosa. Os vizinhos avisam quando as lutas terminam".

Rafaela Silva, judoca que venceu o primeiro ouro olímpico do Brasil, sofreu e muito com o rascimo após ser eliminada em Londres 2012. Chamada de macaco e de muitos outros absurdos, a atleta deu a volta por cima e calou os críticos. Zhan ouviu o desabafo de Rafaela e concorcou com a brasileira: "Já sofri com insultos também. Há racismo em todos os lugares. Talvez só não haja nos países predominantemente negros".

O ouro poderia ter ido para Zhan, que começou bem a luta e deu sufoco para o adversário russo Davit Chakvetadze. Entretanto, o atual vice-campeão do Mundial se impôs e derrotou com folga o ucraniano na categoria até 85 kg .

A medalha de Zhan foi a sexta da Ucrânia, sendo a quarta de prata. Foi um ouro e uma prata na ginástica artística, prata no tiro esportivo e na luta olímpica, além de uma prata e um bronze na esgrima. "Apesar de eu ter perdido, essa medalha é importante para a Ucrânia", disse o atleta.