Guia Draft NFL 2016: NFC Norte
(Foto: Editoria de Arte/VAVEL Brasil)

A temporada 2015/16 da NFL reservou surpresas para uma das divisões mais hegemônicas da liga. Após quatro anos conquistando o título da Divisão Norte da Conferência Nacional (NFC), o Green Bay Packers conviveu com lesões durante o ano e, ainda na pré-temporada, perdeu um de seus principais nomes do poderoso sistema ofensivo da franquia: o wide receiver Jordy Nelson.

A lesão do recebedor reanimou as outras equipes da divisão. Detroit Lions, Minnesota Vikings e Chicago Bears viram uma oportunidade de quebrar a sequência de títulos da franquia do Wisconsin, e foi o que aconteceu.

Liderados por um renovado Adrian Peterson, os Vikings conquistaram onze vitórias e ficaram com apenas cinco derrotas, reclamando o título da NFC Norte que não vinha desde 2009. Com a conquista, Minnesota permaneceu o maior vencedor da divisão, com 17 títulos contra 13 dos Packers, 10 dos Bears e três dos Lions.

Antes NFC Central, formada pelas quatro equipes atuais e o Tampa Bay Buccaneers, a divisão se realinhou em 2002 passando a se chamar NFC Norte. Bears, Lions, Packers e Vikings permaneceram e os Bucs rumaram em direção à NFC Sul.

Durante a última temporada, as fraquezas e necessidades das equipes foram expostas, e o Draft 2016 – que começa nesta quinta-feira (28) pode dar início às reformulações necessárias de cada franquia. Confira neste guia as possíveis primeiras escolhas das equipes da NFC Norte.

Minnesota Vikings (11-5)

Mesmo carregando o título da divisão nas costas, os Vikings acabaram derrotados pelo Seattle Seahawks no Wild Card Round por 10 a 9. Relembrando o congelante e fatídico confronto, faltando 26 segundos para o fim, o kicker Blair Walsh teve a oportunidade de dar a vitória aos Vikes com um field goal de apenas 27 jardas. Porém, o chute saiu à direita do Y, confirmando a eliminação da franquia de Minnesota já na primeira rodada dos playoffs.

Com o resultado, os Vikings ficaram com a 23ª escolha no first round, e deverão aprimorar o jogo aéreo neste draft. Previsível, Teddy Bridgewater sofreu algumas vezes durante a temporada, mesmo com bons recebedores como Stefon Diggs, Jarius Wright e por fora, Cordarrelle Patterson.

Em contra-partida, o setor defensivo foi excepcional, sendo um dos principais responsáveis pela conquista divisão e consequente vaga nos playoffs. Mesmo jovem, o front seven dos Vikes deu conta do recado, comandados por Anthony Barr e Eric Kendricks. Menções honrosas, claro, para Everson Griffen, Shariff Floyd e Linval Joseph.

A necessidade de aprimorar o corpo de recebedores deve fazer com que a primeira escolha de Minessota seja Laquon Treadwell, WR de Mississipi. Com 1,88m, Laquon não é um recebedor ágil, mas pode fazer estragos com sua consistência, talento e habilidades em corridas.

Comparado com DeAndre Hopkins, do Houston Texans, Treadwell deverá ser julgado mais por sua produção do que por simples números e velocidade. De pontos positivos, o atleta ex-Ole Miss possui ótima envergadura e tem inteligência para competir com o marcador enquanto a bola está no ar, encontrando espaços não vistos pelos menos inteligentes.

Devido a esses prós e contras, Laquon pode perdurar até a 23ª escolha, e caso receba a pick dos Vikings, reforçará o corpo de recebedores de Teddy Bridgewater.

Treadwell celebra a conquista Allstate Sugar Bowl diante de Oklahoma State (Foto: Getty Images)
Treadwell celebra a conquista Allstate Sugar Bowl diante de Oklahoma State (Foto: Getty Images)

Green Bay Packers (10-6)

A temporada de Green Bay sofreu com tons de bipolaridade durante todo o ano. A chegada de James Jones após lesão de Jordy Nelson trouxe dúvidas nos cheeseheads, porém o início de seis vitórias em seis jogos com o veterano recebedor animou os torcedores de Wisconsin.

Porém, uma apatia total tomou conta dos setores de jogo, e a franquia encerrou o ano com seis derrotas e quatro triunfos em dez partidas. Aaron Rodgers sofreu com o corpo de recebedores liderado por Randall Cobb, e não conseguiu repetir sua temporada 2014/15, quando foi eleito MVP.

Relances da genialidade de A-Rod apareciam algumas vezes, como no triunfo diante dos Lions no último segundo, com uma hail mary capitalizada com ótima recepção de Richard Rodgers, mas ainda faltava um algo a mais.

A chegada aos playoffs após perder o título da divisão para os Vikings dividiu opiniões. Torcedores mais céticos não acreditavam que a franquia passaria dos Redskins no Wild Card Round, porém, em uma atuação exima de forma coletiva, a franquia venceu por 35 a 18 no FedEx Field, garantindo vaga no Divisional Round.

O fatídico jogo diante dos Cardinals reservava uma das partidas mais icônicas da história da NFL. Mais uma vez, os Packers correram atrás do resultado e com mais uma hail mary de Aaron Rodgers, conseguiram levar o confronto para o overtime.

Porém, a defesa mais uma vez custou uma possível ida dos Packers à final da NFC pela segunda temporada consecutiva, quando Larry Fitzgerald anotou um TD na primeira campanha da prorrogação, não dando chances ao ataque de GB retornar ao gramado.

A secundária teve um ótimo ano com HaHa Clinton-Dix Micah Hyde sendo mestres em turnovers. A filosofia de Ted Thompson draft and delevop (recrute e desenvolva, na tradução crua), serve de inspiração para mais uma temporada dos Packers. 

Como de costume, Green Bay não se movimentou tanto na free agency até aqui, mas contratou o tight end Jared Cook, que pode ser mais uma arma no ataque de Aaron Rodgers.

Portanto, o foco no draft deve ser aprimorar a defesa. Clay Matthews teve mais um ano excelente, Julius Peppers decaiu em relação á sua primeira temporada em Wisconsin, mas nada de absurdo. Com isso, oriundo de Alabama, o defensive tackle Jarran Reed é um nome forte para reforçar o sistema defensivo dos Packers.

Reed é um excelente defensive tackle, principalmente em jogadas terrestres do adversário. Tem força em suas pernas para chegar ao running back de forma fácil, mas sua limitação como um pass rusher tende à deixá-lo nas posições mais baixas da primeira rodada. 

Porém, nada de novo para Green Bay, que com extrema paciência e inteligência tática e técnica, é capaz de transformar atletas normais em excelentes jogadores. Os cheeseheads esperam - mais uma vez, que essa história se repita agora com Reed, nas terras geladas de Wisconsin.

Reed levanta o troféu de campeão do Goodyear Cotton Bowl de 2015; Crimson Tide goleou os Spartans por 38 a 0 em um dos bowls universitários (Foto: Getty Images)
Reed levanta o troféu de campeão do Goodyear Cotton Bowl de 2015; Crimson Tide goleou os Spartans por 38 a 0 em um dos bowls universitários (Foto: Getty Images)

Detroit Lions (7-9)

Assim como os Packers, a temporada dos Lions conviveu com irregularidades. Após um início de sete derrotas e um empate, Detroit se recuperou bem na bye week na Semana 9, e nas oito partidas seguintes, venceu seis e perdeu apenas duas.

A mudança na comissão técnica após o início tenebroso também surtiu efeitos. Três membros do coaching staff arrumaram suas malas para fora da Motor City, e Jim Caldwell deu conta do recado nas semanas finais da temporada.

Porém, a estrela da franquia, Calvin "Megatron" Johnson, anunciou sua aposentadoria da NFL na offseason, causando dúvidas do que os Lions poderão fazer em 2016/17. Com a 16ª escolha geral no draft, Detroit deve valorizar um setor que fracassou na última temporada: a linha defensiva.

O principal nome cotado para reforçar o front seven dos Lions é Kevin Dodd. Oriundo de Clemson, o defensive end é comparado com Michael Bennett, e pode ser um reforço enorme para Detroit. Incansável em jogadas, Dodd é exímio em se desvencilhar dos adversários de linha ofensiva, e promete levar problemas ao quarterback enfrentado. 

Porém, Dodd ainda não é tão experiente e isso pode pesar na hora da escolha. Teve apenas 24 jogos em três anos (2012-2014), como um backup em Clemson, tendo apenas vinte tackles durante o período. Sua falta de snaps participados no college pode pesar contra em sua escolha, e com isso, deve perdurar até a 16ª escolha também devido aos seus instintos e inteligência limitada - que deverão ser aprimoradas durante sua carreira na liga.  

Dodd durante o Capital One Orange Bowl do ano passado, na vitória sobre Oklahoma (Foto: Getty Images)
Dodd durante o Capital One Orange Bowl do ano passado, na vitória sobre Oklahoma (Foto: Getty Images)

Chicago Bears (6-10)

Após mais uma temporada de fracassos em 2014/15, os Bears tentaram vida nova no ano passado após a demissões do general manager Phil Emery e do head coach Marc Trestman. Para os respectivos lugares, Ryan Pace John Fox - o último ex-Denver Broncos, foram contratados, mas as mudanças não surtiram o efeito desejado e a Windy City sofreu mais uma vez com uma temporada a ser esquecida: seis vitórias e dez derrotas, terminando na lanterna da NFC Norte. 

Sem julgar apenas os resultados, os Bears tiveram sim uma melhora em relação a 2014, quando terminaram 5-11: das dez derrotas na temporada passada, seis foram por menos de um touchdown. Com isso, a franquia arrecadou a 11ª escolha geral no draft, e deverá priorizar o jogo corrido, visto que seu principal running backMatt Forte, se transferiu para o New York Jets.

Com isso, o principal nome para ser recrutado pelos Bears é de Ezekiel Elliott, de Ohio State. Elliott visitou Chicago para um treinamento privado algumas semanas atrás, e scouts da franquia conversaram com o atleta durante o Combine.

Ezekiel é um legítico three down back, que possui uma rara combinação de tamanho, atleticismo, habilidade em recepções além de seus recursos de bloqueio, qualidades que o qualificam como um dos melhores - se não o melhor - corredor da classe de 2016 do Draft.

Elliott celebra conquista do Allstate Sugar Bowl de 2015, quando os Buckeyes derrotaram Alabama por 42 a 35 (Foto: Getty Images)
Elliott celebra conquista do Allstate Sugar Bowl de 2015, quando os Buckeyes derrotaram Alabama por 42 a 35 (Foto: Getty Images)
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