Robert Scheidt: o maior medalhista brasileiro nos Jogos Olímpicos

Scheidt possui cinco medalhas olímpicas, iguais as de Torben Grael, porém, terá que se esforçar muito para se isolar na colocação no Rio 2016

Robert Scheidt: o maior medalhista brasileiro nos Jogos Olímpicos
(Foto: Alexandre Loureiro/ Getty Images)

Faltam poucos dias para os aguardados Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016. Chegou a hora de conhecermos um pouco mais os nossos principais atletas dos esportes que estarão na competição mais importante de todas. 

Principal nome da Vela na história do Brasil, e um dos principais do Mundo, Robert Scheidt chega para o Rio 2016 com 43 anos de idade, e trás na bagagem uma experiência de cinco medalhas olímpicas, cinco Pan-Americanos e 15 títulos mundiais. Será a despedida do atleta brasileiro com mais medalhas nos Jogos Olímpicos.

Carreira

Robert Scheidt nasceu em São Paulo no dia 15 de Abril de 1973. Nasceu em uma família de velejadores, e por influência principalmente de seu pai, Fritz Scheidt, começou no esporte ainda criança, passando pelo Esporte Clube Banespa e pelo Esporte Clube Pinheiros.

Juntamente com a Vela, Robert mantinha uma paixão também pelo Tênis, entretanto, os mares acabaram atraindo mais a atenção do jovem atleta, para o bem do Brasil. Com apenas 11 anos de idade, Scheidt venceu sua primeira competição oficial: o torneio sul-americano de Optmist no Chile. Sagrou-se bicampeão no ano seguinte, e desta maneira ingressou de vez no esporte como uma grande promessa.

Após alguns títulos na categoria, Scheidt iniciou na categoria Snipe, já se preparando para a Laiser, onde se consagraria mundialmente anos depois. Em 1990 foi vice-campeão brasileiro júnior em Snipe, e campeão na categoria Laiser. No ano seguinte, venceu o Mundial Júnior na Escócia, também de Laiser.

Três anos depois vieram as principais conquistas da carreira. Em 1995 venceu o primeiro sul-americano na Argentina, e no ano seguinte o primeiro dos cinco ouros Olímpicos em Atlanta. Ainda em 1996, Robert Scheidt se formou em Administração na Universidade Mackenzie, mas pouco exerceu na profissão diante dos compromissos no esporte cada vez mais importantes.

Scheidt ainda criança quando se dividia entre a Vela e o Tênis (Foto: Divulgação/ Robert Scheidt)

Expectativa para o Rio 2016

Algo raro em sua carreira, Scheidt não será um dos favoritos no Jogos Olímpicos do Rio. Justamente (ou injustamente) logo quando o maior medalhista brasileiro terá a oportunidade de atuar em casa. No último mundial, Robert terminou na terceira colocação, e no evento teste realizado em no meio do ano passado finalizou a competição em quarto.

"Ter passado por Olimpíadas conta. Talvez eu tenha uma vantagem. Certamente vai ter muito mais gente assistindo, vai ter a bandeira do Brasil na sua vela, uma pressão muito maior. Eu acredito muito na minha chance. Sei que não vai ser fácil. Deve ser a primeira Olimpíada que eu chego sem ser favorito para a medalha de ouro. Mas isso talvez seja bom, passar o favoritismo para outro lado e chegar tranquilo na Olimpíada. Quero chegar sabendo que estou em boa forma e vou ter a chance de jogar. Depois, ganhar ou não medalha depende da semana, da tua inspiração e de muitos fatores. Hoje eu já tenho chances, mas eu quero dar um passinho adiante porque acho que tenho coisa para melhorar ainda", afirmou Scheidt na última Copa do Brasil de Vela.

Além dos resultados recentes serem complicados, Robert também viveu sua segunda lesão na carreira, também no ano passado. Realizou uma artoscropia no joelho esquerdo.

"Foi um ano complicado. Sofri bastante com meu joelho. A época do Pan-Americano e em seguida do evento-teste. Mas eu estou bem recuperado e me senti muito bem fisicamente esta semana", concluiu.

Medalhas Olímpicas 

Há exatos 20 anos atrás Robert Scheidt conquistava sua primeira medalha olímpica na sua estreia na competição. O título veio no torneio realizado em Atlanta, nos Estados Unidos, no Centenário do Jogos Olímpicos. Na ocasião, o brasileiro ficou a frente de outras lendas do esporte como o inglês Ben Ainslie e do norueguês Peer Moberg. Na classe Star daquele ano foram Torben Grael e Marcelo Ferreira que conquistaram o bronze.

O bicampeonato era esperado em 2000, quando os Jogos Olímpicos foram realizados em Sidney na Austrália. Porém, o mesmo inglês Ben Ainslie deixou Scheidt para trás e assumiu o ouro, deixando o brasileiro com a prata. Mas em Atenas em 2004, não foi possível tirar o bicampeonato e a segunda conquista do ouro das mãos de Robert.

Disputando as três olímpiadas anteriores na categoria Laiser, Scheidt chegou nas últimas duas atuando na Star, entretanto, o sucesso conquistado anteriormente não foi o mesmo. Em Pequim em 2008 novamente veio a prata, já em 2012 em Londres com 39 anos juntamente com Prada veio o bronze, em sua pior participação em Jogos Olímpicos. Mesmo assim, a conquista deixou Robert Scheidt igualado com Torben Grael como os maiores medalhistas olímpicos do Brasil.

Scheidt recebendo a segunda medalha olímpica em Atenas (Foto: Ben Radford/ Getty Images)