Conheça Jaqueline, bicampeã olímpica da seleção brasileira de voleibol

Descoberta por olheiros aos 13 anos, a jogadora tem uma história de superação e  conquistas no esporte, para o Rio 2016 vem com um único objetivo: o tri olímpico

Conheça Jaqueline, bicampeã olímpica da seleção brasileira de voleibol
A ponteira-passadora é destaque nos clubes onde passa

Musa da seleção brasileira de vôlei, Jaqueline Carvalho é bi campeã olímpica, casada com o também jogador de vôlei Murilo Andres, desde 2009 e mãe do Arthur de 2 anos.

Carismática, Jaqueline aos 11 anos alternava entre jogar basquete e vôlei, mas quando foi descoberta com apenas 13 anos, fez sua história nas quadras do voleibol. Destaque nos clubes em que passou, tem uma história de superação e muitas conquistas no esporte. Fora de quadra, a jogadora é bastante requisitada pela mídia e imprensa.

Ponteira-passadora da equipe, tem como principal função cuidar da parte de defesa e recepção, além de também atacar os adversários.

Natural de Recife (PE), a pernambucana tem 1,86m e é destaque da seleção brasileira de vôlei feminina. Começou sua carreira aos 13 anos, quando foi descoberta por olheiros para participar de um teste em um clube da cidade, na época o BCN/Osasco, em pouco tempo já estava na categoria adulta. Aos 17 anos, em 2001, foi convocada para a seleção juvenil mundial de vôlei, tornando-se destaque e melhor jogadora do campeonato, apontada como grande promessa logo foi convocada para a seleção principal.

No auge da carreira em 2004, acabou ficando seis meses fora por conta de uma contratura no joelho. Dois dias após sua volta, torceu novamente o joelho e foi submetida a uma cirurgia. A jogadora ainda teve complicações com a circulação sanguínea de sua mão, uma trombose com possibilidade de amputação do braço, o que acabou deixando-a fora  do Campeonato Mundial de Vôlei Adulto em 2002, dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingos e dos Jogos Olímpicos de Atenas, 2003 e 2004 respectivamente.

Recuperada, mudou-se para o Rio de Janeiro para jogar no Rexona\Ades. Por falta de ritmo começou na reserva, depois de uma temporada pelo clube conquistou a titularidade e foi convocada para a Seleção brasileira em 2005. Já em 2006, conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial de Vôlei, sendo eleita a melhor brasileira do campeonato.

Em julho de 2007, na época jogava pelo Monte Schiavo/Jesi da Itália, foi pega no exame anti-dooping onde ficou 9 meses sem jogar. Depois mudou-se para o Murcia na Espanha para jogar a temporada 2007/2008, conquistando o campeonato espanhol.

De volta a seleção em 2008, conquistou o Grand Prix e participou da inédita conquista da seleção olímpica, a medalha de ouro. Neste mesmo ano, Jaqueline retornou à Itália, desta vez para jogar pelo Scavolini/Pesaro, consagrando-se campeã italiana e melhor jogadora da final do campeonato. No ano seguinte (2009), retornou ao Brasil para defender o Sollys/Osasco, onde tornou-se penta campeã brasileira.

Em agosto de 2012, conquistou a 2ª Medalha de Ouro nos Jogos Olimpícos de Londres, onde tornou-se Bicampeã Olímpica de Vôlei.  

Em 2013, Jaqueline anunciou que estava grávida, na época tinha acabado de conquistar o vice-campeonato brasileiro. Após o nascimento de Arthur, retornou ao clube a fim de jogar a fase final da Superliga. Contudo,  o clube alegou entrosamento das atletas que estavam equipe, deixando a atleta sem clube. Já que a CBV estabelece um ranking das jogadoras mais valiosas da equipe e Jaqueline ocupava a posição mais alta.

Para ajudar a jogadora a recuperar seu ritmo de jogo,  José Roberto Guimarães, a acolheu na seleção onde conquistou o décimo título do Grand Prix e a medalha de bronze no Mundial da Itália. Para ficar no Brasil, Jaqueline aceitou a proposta para jogar no Minas Tênis Clube.

A expectativa para os jogos olímpicos é grande, já que ficou um ano fora para cuidar do filho Arthur. Agora Jaqueline volta as quadras para tentar mais uma conquista: o tri olímpico. 

“Dá até um frio na barriga de pensar. A gente luta tanto, são quatro anos de preparação. Eu quero ter o tri. Lógico que eu penso nisso todo dia. Às vezes fico imaginando a cena, como vai ser quando acabar o jogo. Vejo como se fosse uma coisa tão almejada e trabalhada por nós que a proporção fica até difícil falar”, afirmou a jogadora ao site UOL Esporte.

Pelos jogos olímpicos de Pequim em 2008, Jaqueline conquistou a inédita medalha de ouro pela seleção olímpica, fazendo parte da equipe consagrada por vencer todos os jogos na fase de classificação por 3 sets a 0.  Na semifinal, o Brasil enfrentou  as campeãs Olímpicas de 2004 (as chinesas) e com dois aces seguidos de Jaqueline, o Brasil venceu por 3 a 0 e chegou à sua primeira final Olímpica. No confronto pela medalha de ouro, a equipe brasileira levou a melhor e venceu a equipe norte-americana, terminando a competição sem disputar nenhum tie-break, perdendo apenas um set, no jogo da final.

Em 2012 pelos jogos olímpicos de Londres, se tornou bi campeã olímpica e foi destaque na equipe brasileira. Na primeira fase, a seleção brasileira estreou com vitória sobre a Turquia no tie-break. Depois, perderam para os Estados Unidos e Coréia do Sul. Na quarta partida, vitória sobre a China no uinto set. A classificação para as quartas de final veio somente no último jogo da fase cassificação. Com a vitória dos Estados Unidos sobre a Turquia, as brasileiras venceram a Sérvia por 3 sets a 0 e garantiram um lugar entre as oito melhores seleções do mundo.

A partida das quartas de final foi épica. O Brasil enfrentava a Rússia, atual bicampeã mundial, de Gamova, Sokolova e Goncharova. Em uma partida inesquecível, a seleção brasileira salvou seis match-points e saiu vitorioso por 3 sets a 2. Jaqueline foi considerada a melhor em quadra, além de ter sido a maior pontuadora do confronto, com 18 pontos.

“Eu nunca fui protagonista, de atacar muitas bolas, mas hoje consegui, me senti abençoada. Confiei em cada ataque e deu certo. O grupo foi muito forte em todos os momentos e, apesar das dificuldades, somos bicampeãs”, disse a jogadora após a vitória.