Após escândalo de doping, atletismo da Rússia é banido dos Jogos Olímpicos

Modalidade pode não ter representantes após descoberta de doping generalizado; decisão pode ser revertida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI)

Após escândalo de doping, atletismo da Rússia é banido dos Jogos Olímpicos
Um dos principais nomes do atletismo russo, Yelena Isinbayeva pode não disputar Rio 2016 (Foto: Kirby Lee/Getty Images)

Na manhã desta sexta-feira (17), em Viena/Áustria, a Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) indicou a suspensão da Rússia na Olimpíada Rio 2016, que serão realizados no próximo mês de agosto. É a primeira vez que um país é banido de uma competição internacional, e apenas o Comitê Olímpico Internacional (COI) poderá reverter a decisão.

Em novembro de 2015, um relatório da Agência Mundial Antidoping, divulgou que atletas russos estariam utilizando substâncias proibidas visando melhores resultados, estas eram patrocinadas pelo governo da Rússia. As investigações começaram após uma competidora de atletismo, Yulia Rusanova e seu marido tornarem público o sistema de dopagem russo e ajudaram na produção do documentário Top-Secret Doping, que fala justamente destes casos.

Os atletas não poderiam opinar sobre a utilização de tais dopantes, a decisão era de dirigentes e técnicos e a Federação Russa de Atletismo acobertavam os competidores, garantindo a continuidade do sistema de dopagem institucionalizada e por muito tempo houve pagamento de propina para a IAAF. O presidente do país, Vladimir Putin, tentou apelar para a Federação, mas não foi atendido, pois segundo eles os russos não cumpriram as exigências de reformas.

A IAAF informou que os atletas considerados limpos devem fazer pedidos individuais e assim serão avaliados, mas os dirigentes pretendem aceitar apenas atletas que estejam treinando fora da Rússia e que sejam controlados por agências de fora do país. O Ministro dos Esportes russo, Vitaly Mutko, grande aliado de Putin, se mostrou indignado com as medidas tomadas, levando em conta os atletas considerados limpos. “Estou desapontado, sacrificaram anos das suas vidas esforçando-se para competir nos Jogos Olímpicos e agora o trabalho é tudo desperdiçado”, afirmou.

Apesar de inicialmente o COI ter adotado o discurso de proteger atletas limpos, dificilmente deve ter opinião contrária, geralmente concordam com o veredito das entidades responsáveis pelo esporte. O Comitê está dividido entre agir priorizando "justiça individual", desta forma apenas atletas que não utilizaram substâncias proibidas participariam, ou a "responsabilidade coletiva", que defende a punição de todos como método de repúdio ao doping organizado pelo Estado. A reunião de emergência do COI será realizada na próxima terça-feira (21).

A rival de Fabiana Murer, Yelena Isinbayeva, medalha de ouro em 2004 e 2008, seria uma das grandes perdas para o Rio 2016. A russa deve apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para atuar nos Jogos sob a bandeira olímpica, levando em conta que nunca fez uso de substâncias ilícitas. "A fraude de pessoas desonestas não pode afetar a carreira de atletas inocentes ou implicar a reputação de um país inteiro", disse a atleta em uma carta enviada ao COI.

A equipe de levantamento de peso da Bulgária já havia sido suspensa das competições por doping, mas agora trata-se de uma superpotência do atletismo, favorita ao pódio desta modalidade.