Isaquias Queiroz: eis que surge o maior medalhista brasileiro numa edição olímpica

O baiano de 22 anos fez história na canoagem em velocidade conquistando três medalhas e se tornando um dos maiores personagens brasileiro na história dos jogos olímpicos

Isaquias Queiroz: eis que surge o maior medalhista brasileiro numa edição olímpica
Por: Damien Meyer/AFP/GettyImages

Isaquias Queiroz, nasceu em Ubaitaba (370 km ao sul de Salvador), cidade pequena com apenas 20 mil habitantes. O baiano que sofreu um acidente na infância, caindo de uma mangueira, que o fez perder um dos rins, começou cedo no esporte.

Ubaitaba é conhecia como a cidade das canoas, já que é margeada pelo rio das Contas, o barco é o principal meio de transporte. E através de um projeto social, o baiano foi descoberto e começou a a encarar a canoagem mais a sério.

Porém em 2012 quase desistiu de tudo. Após grandes conquistas no Júnior, Isaquias acabou ficou de fora da seleção que disputou as Olímpiadas de Londres, e se abateu.  

Photo: Murad Sezer/Reuters

“Eu havia sido de casa muito novo, sem dinheiro nenhum. Deixar a família e amigos. Imagine só: ficar ali sem nada. Imagine isso na cabeça de um adolescente. Ela explode. Tive vontade de ir embora porque era uma criança. Ir para casa, jogar vídeo game. Pensei em parar”, disse o medalhista olímpico de apenas 22 anos, que viveu uma época no Rio de Janeiro longe da família.

Em 2013 veio a volta por cima do baiano. No mundial, sob o comando do espanhol Jesús Morlán, que tinha cinco medalhas olímpicas no currículo, as conquistas vieram. Isaquias ganhou ouro C1 500 m e bronze no C1 1.000 m. No ano seguinte em Moscou, veio bronze no C1 200 m e mais um ouro no C1 500 m.

As conquistas e o sucesso do filho de Ubaitaba foram crescendo a cada ano. Em 2015 mais um ouro no mundial, dessa vez com seu parceiro Erlon de Souza, no C2 1000m. E no Pan de Toronto vieram mais medalhas. Dois ouros na C1 200m e C1 1.000, e uma prata na C2 1.000 m. com Erlon.

Campanha olímpica

E no Rio 2016, Isaquias fez sua estréia em Olímpiadas, não podendo terminar melhor: conquistando três medalhas.

Na prova do C1 1.000m, o baiano acabou em segundo com o tempo de 3m58s529, só perdendo para Sebastian Brendel, alemão campeão olímpico e mundial. Essa foi a primeira medalha do Brasil na canoagem em toda história dos jogos olímpicos.

''É muito gratificante. É medalha de prata, mas para mim tem gosto de ouro. É uma batalha que venho trilhando há muitos anos. Vem mais por aí. Vamos esperar. Quero sair daqui com três medalhas no peito'', disse Isaquias após a prova, cumprindo o prometido mais tarde.

Na C1 200, parecia que não daria para o baiano de Ubaitaba. Largando mal numa prova tão curta, complicaria muito as chances de medalha. Porém, Isaquias com uma recuperação íncrivel, chegou em terceiro na prova conquistando o bronze e chegando muito perto da sua meta de três medalhas.

Photo: Getty Images/Ryan Pierse

O último trabalho do nosso multi-medalhista brasileiro foi a C2 1.000m, com seu parceiro Erlon de Souza. Com um grande público apoiando na lagoa Rodrigo de Freitas, os brasileiros largaram bem e lideraram a prova até os 800 metros. 

Porém como de costume, os alemães Sebastian Brendel Jan Vandrey, aceleraram no fim e conseguiram ultrapassar para conquistar o ouro com o tempo de 3m43s412.

Os brasileiros ficaram com a prata, e Isaquias se tornou o primeiro brasileiro na história a conquistar 3 numa só Olímpiada.

"Eu me sinto realizado. Fico muito feliz em ter quebrado esse recorde. Mas, como falei, não é só mérito meu. É da minha equipe toda, que está de parabéns", comentou o baiano de 22 anos.  "A torcida ajuda muito nos metros finais. A gente sente um arrepio. É uma prata com gosto de ouro", comentou o novo mito da canoagem.