Mayra Aguiar: a maior medalhista brasileira da história do Judô

Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos, a judoca acumula três participações olímpicas e diversos títulos no esporte

Mayra Aguiar: a maior medalhista brasileira da história do Judô
Mayra Aguiar beija sua segunda medalha olímpica (Foto: Jack Guez/AFP)

Gaúcha de Porto Alegre (RS), aos 25 anos, Mayra Aguiar já tem muito que se orgulhar de sua trajetória no esporte. A judoca iniciou sua carreira ainda criança, graças ao incentivo de seus pais. Aos seis anos de idade, começou a praticar o Judô e desde então nunca mais abandonou a modalidade. Campeã Mundal e medalhista olímpica, a brasileira acumula títulos e não quer parar na Rio 2016.

Menina prodígio, Mayra disputou sua primeira competição em 1997. Competitiva, desde cedo a judoca levava o esporte a sério. Por esse motivo, não demorou muito para começar a lutar com os meninos e logo precisou se mudar para um clube maior. O primeiro foi o Clube Náutico Gaúcho, onde permaneceu por três anos. Quando completou 11 anos de idade, mudou se então para o local que seria uma especie de segunda casa.

No Sogipa, a judoca construiu boa parte de sua carreira. Foi no clube de Porto Alegre que ela decidiu que queria mesmo seguir no esporte. Onde conquistou seus primeiros títulos e permanece até hoje. Com apenas 14 anos, a atleta já integrava a Seleção Brasileira Junior de Judô. Em 2005 disputou seu primeiro campeonato nacional. Um ano depois conquistou a medalha de bronze no Mundial de Santo Domingo, sua primeira condecoração em Mundiais.

A ascensão na carreira e o reconhecimento Mundial

Desde então, a brasileira mostrou porque era considerada um talento do Judô. Se destacando para o mundo, conquistou a medalha de prata em 2008, em Bangkok. No Mundial de Paris, um ano depois, novamente o bronze. Até que em 2010, enfim veio a coração. No Marrocos, Mayra se tornou pela primeira vez uma Campeã Mundial no esporte. Além do ouro, conseguiu o feito de ser medalhista em três Mundiais seguidos.

Com apenas 17 anos, Mayra Aguiar participou de sua primeira Olimpíada. Convocada para integrar a Seleção principal de Judô em Pequim-2008, a judoca foi eliminada na luta de estreia. Mas garantiu que sua maior conquista na época foi a experiência adquirida com o momento vivido. Após o início da carreira olímpica, vieram mais duas medalhas em Mundiais que serviram de preparação para sua segunda trajetória na competição.

Em Londres-2012, a judoca queria muito mais que ganhar experiência. Depois de muito treinamento, Mayra almejava ser uma medalhista olímpica com apenas 20 anos de idade. Número um do ranking mundial na categoria meio-pesado (até 78 kg), a brasileira foi derrotada pela americana Kayla Harrison na semifinal, em uma luta considerada como "final antecipada". Porém, a derrota não a abalou . Enfrentando a holandesa Marhinde Verkerke na disputa pelo bronze, após aplicar um Ippon na adversária, se despediu da Olimpíada com a tão sonhada conquista.

Após se tornar medalhista olímpica, Mayra Aguiar foi em busca de um novo ouro em Mundiais. Dessa vez, em campeonato sediado no Rio de Janeiro. Saiu com a medalha de bronze. Porém, nem tudo foi alegria. Com duas lesões (joelho e cotovelo), a atleta precisou passar por procedimento cirúrgico e ficou seis meses de fora dos tatames.

Da superação ao segundo bronze em Olimpíadas

Retomando as atividades em 2014, o ano se tornou de superação para a esportista. voltando aos treinamentos, conquistou o ouro no Grand Slam de Tyumen (competição preparatória para o Mundial da Rússia no mesmo ano). Após recuperação, Mayra mostrou que estava preparada para conquistar mais uma medalha. No campeonato Mundial, o reencontro com Harrison em uma nova semifinal. Com gosto de revanche, dessa vez a brasileira levou a melhor sobre a americana. Na finalíssima, vitória contra a francesa Audrey Tcheuméo. Segundo ouro na competição.

Com a nova conquista Mayra se tornara a maior medalhista brasileira na história dos Mundiais de Judô. Sem perder o foco, depois de vencer a competição, a busca passou a ser pelo ouro olímpico em seu país. Com duas Olimpíadas na bagagem, o objetivo não foi alcançado por completo. Mas nem por isso deixou de ser prazeroso. Segundo a própria atleta, "medalha não tem cor".

Terceiro Sargento da Marinha, a brasileira mostrou que tem cheiro de pódio. Na Olimpíada Rio-2016, Mayra conquistou seu segundo bronze nos Jogos. Após ser condecorada em Londres, novamente estava entre as três melhores atletas do planeta. Porém, a trajetória no torneio não foi fácil. Na disputa da semifinal, a brasileira foi derrotada por uma adversária conhecida. Após ter conquistado o campeonato mundial dois anos antes em cima de Tcheumeó, veio a revanche nos Jogos Olímpicos.

Comemoração de mayra Aguiar após derrotar adversária Cubana (Foto: Confederação Brasileira de Judô/Facebook)
Comemoração de Mayra Aguiar após derrotar adversária Cubana (Foto: Confederação Brasileira de Judô/Facebook)

Nada que abalasse a judoca multi-campeã. Mayra mostrou bom poder de reação e venceu a cubana Yallenis Castillo na disputa pelo bronze. Novamente medalhista olímpica, agora com 25 anos, a brasileira não vai desistir do lugar mais alto do pódio no maior evento do mundo. Em busca da medalha, a judoca quer construir um novo ciclo vitorioso até a Olimpíada de Tóquio em 2020.