Primeiro medalhista do Brasil na Paralimpíada, Odair Santos deseja inspirar crianças com deficiência

Odair Santos conquistou a medalha de prata nos 5000m rasos na categoria T11, a primeira do Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Primeiro medalhista do Brasil na Paralimpíada, Odair Santos deseja inspirar crianças com deficiência
(Foto: Pedro Henrique Guimarães / VAVEL Brasil)

O Brasil conquistou sua primeira medalha nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 na manhã desta quarta-feira (8) com Odair Santos. Disputando a prova dos 5000m rasos na categoria T11, exclusiva para deficientes visuais, ficou com a prata após ser ultrapassado nos últimos metros pelo queniano Samwel Kimani. Após a conquista, o brasileiro concedeu entrevista no Parque Olímpico e comentou sobre a oportunidade de ser o primeiro medalhista do país no evento.

"Para mim é um privilégio estar tendo esta oportunidade de competir dentro de casa. godo atleta que começa no esporte sonha em disputar uma Paralimpíada dentro de casa. O sabor é muito especial e conquistar a primeira medalha do pais é um feito que ficará guardado na minha memória. Só tenho a agradecer a Deus por ter me dado essa oportunidade", declarou.

Respondendo a pergunta feita pela VAVEL Brasil, Odair revelou sua rotina de treinamento e contou que o esforço para ser um super-atleta faz com que perca diversos momentos com a família. Quanto ao legado, o mesmo deseja que sua conquista inspire as crianças a começar no esporte.

"Nós trabalhamos de segunda à sábado em dois períodos. Muitas vezes temos que abrir mão de muitas coisas para conseguir chegar e viver esse momento. Abrir mão de família, de momentos com nossas filhas, mas dias como hoje mostram que vale muito a pena todo esforço. Lutei muito para estar aqui e acredito que meu legado sirva para inspirar as crianças que estejam vendo televisão e pensem que também possam tentar", revelou.

Odair teve uma retinose pigmentar aos 9 anos e desde então foi perdendo a visão gradativamente. Essa foi sua quarta medalha de prata paralímpica na carreira. O atleta também já faturou quatro bronzes e agora contabiliza no total 8 medalhas em participações nos Jogos Paralímpicos.

Confira a entrevista de Odair Santos na íntegra

- Sobre a busca pela medalha de ouro

"Estou comemorando bastante com meus guias. Estou muito feliz por ter a prata, independente do resultado. Se vier a medalha dourada, será um sonho que estarei realizando, mas fico muito feliz com a prata, independente da cor."

- Importância do Programa Bolsa Atleta

"É claro que o apoio do governo com o Bolsa Atleta é fundamental. Através desse apoio nós conseguimos realizar treinamentos e muitas outra coisas. Sem eles ficaria muito complicado"

- Sobre o novo Centro de Treinamento Olímpico

"O Centro foi fundamental. Hoje nós temos uma casa, uma estrutura. Não sei se todos já tiveram a oportunidade de estar lá, mas é um lugar sensacional. Os atletas tiveram todo o apoio para estar disputando e representando o país na Rio 2016. Acredito que atletas de todos os esportes irão se beneficar desse Centro de Treinamento"

- A importância das filhas na carreira

"A Julia e a Milena são as minhas filhas e são as medalhas mais importantes que ganhei na vida. Não tem cor ou metal que digam o que elas representam para mim. São as medalhas mais importantes"

- Opção por correr com dois guias

"A opção pelos dois guias é devido a diversidade de provas que venho participando. Estou correndo de 800m até 2000m, então decidi ter dois guias para não sobrecarregar ninguém e correr mais tranquilo. Eles tem que me orientar, pois são meus olhos. Então para não sobrecarregar ninguém, optei por ter dois guias."

- Comparação com o ParaPan-Americano do Rio de Janeiro 2007

"Foi a minha primeira competição dentro de casa. Lembro que conquistei três medalhas de ouro nessa oportunidade e foi gratificante. É claro que uma Paralímpiada é um universo diferente de um ParaPan, mas a responsabilidade muitas vezes se equipara. Entrar no Engenhão e receber o calor humano, essa energia positiva, foi fantástico. Eles também são responsáveis por essas medalhas que acabamos de conquistar"

(Foto: Pedro Guimarães/VAVEL)
(Foto: Pedro Guimarães/VAVEL)