Brasil termina em sétimo na estreia do triatlo paralímpico

Nas provas masculinas, Fernando Aranha ficou em sétimo na categoria PT1; Alemanha, Grã-Bretanha e Holanda levaram o ouro

Brasil termina em sétimo na estreia do triatlo paralímpico
Fernando Aranha durante a prova (Foto: Marcelo Regua/MPIX/CPB)

O triatlo fez sua estreia nos Jogos Paralímpicos e começou em grande estilo. Com provas emocionantes na praia de Copacabana e na Avenida Atlântica, as três classes para homens foram decididas na manhã deste sábado (10) em 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida. O Brasil teve seu único representante na categoria PT1, com Fernando Aranha.

A primeira prova da manhã teve a Alemanha como grande vencedora. Na categoria PT4, Martin Schulz venceu o ouro e terminou o circuito em 1h02m37s. Em seguida, Daniel Stefan, da Espanha, finalizou em segundo, levando a prata com 1h03m05s. Com o bronze, Jairo Ruiz Lopez colocou a bandeira da Espanha no pódio, concluíndo o percurso em 1h03m14s.

Já na categoria PT2, deu Grã-Bretanha. Andrew Lewis concluiu sua prova em 1h11m49s e conquistou o ouro para seu país. O italiano Michele Ferrarin ficou em seguindo e levou a prata, finalizando em 1h12m30s. Mohamed Lahna, do Marrocos, levou o bronze ao finalizar em 1h12m35s.

Na categoria PT1, a Holanda conseguiu uma dobradinha, levando ouro e prata. No lugar mais alto do pódio, Jetze Plat terminou a prova em 59m31s, seguido por Gerrt Schipper, que finalizou em 1h01m30s. Giovanni Achenza, da Itália, levou o bronze e fechou o circuito em 1h01m45s.

Fernando Aranha fez história mais uma vez no esporte. Ele foi o primeiro brasileiro a disputar uma Paralimpíada de Verão e uma de Inverno e se tornou pioneiro no triatlo, que estreou na Rio 2016 nesta edição. "Nunca pensei em fazer história. Sempre gostei mais dos desafios. É só você ver os esportes que eu já inciei. Ciclismo, triatlo, esqui cross country, já ajudei bastante no atletismo, quando nem se falava em cadeira de rodas. Então, é muito mais praticar as modalidades em um ambiente onde a gente geralmente não tem apoio. A iniciativa geralmente parte do atleta. Ninguém vai me chamar para fazer outra modalidade até que eu queira", disse Aranha. 

O brasileiro acabou ficando para trás na natação, terminando os 750m em oitavo. Porém, Aranha se recuperou no handbike e se manteve no mesmo lugar na corrida sobre cadeira de rodas, finalizando a prova em sétimo. Apesar do resultado em uma prova complicada, o atleta se mostrou orgulhoso, principalmente por não ter apoio.

"Foi muito difícil estar aqui. Me manter como atleta de alto rendimento é difícil no Brasil. O apoio que eu não tive na Paralimpíada de Inverno continuei não tendo para o Rio. Algumas modalidades têm preferência por darem mais medalhas. Esporte individual que traz pouca medalha, tem pouca estrutura. De modo geral o atleta que tem que bater cabeça para conseguir o resultado. Tive a oportunidade de participar de provas com o meu próprio dinheiro e com o dinheiro da confederação pagou para todo mundo", afirmou. 

Na mesma categoria do brasileiro, outra história curiosa chamou atenção. O britânico Joseph Townsend terminou na sexta colocação, porém, assim como tantos outros atletas paralímpicos, Townsend sofreu mutilação durante uma guerra. Servindo no Afeganistão quando ainda tinha 19 anos, Joseph pisou em uma bomba e precisou se adaptar a nova realidade. Sem as duas pernas, com muitas dores e precisando enfrentar muitas cirurgias, ele encontrou no esporte sua recuperação e hoje comemora o lugar na Rio 2016. "Tinha 19 anos quando passei por uma situação que muda sua vida completamente. Ter um objetivo de novo, te ajuda a focar. O esporte fez tudo por mim, me tirou de uma situação obscura, onde não sabia o que fazer. Hoje estou aqui, no Brasil, representando meu país", disse Joe.