Ouro por pares BC3, Evani Calado celebra feito inédito da bocha paralímpica brasileira

Acompanhada de sua calheira, Renata da Silva, Evani comemorou medalha de ouro e espera servir de e exemplo para a próximo geração

Ouro por pares BC3, Evani Calado celebra feito inédito da bocha paralímpica brasileira
Evani e Renata comemoram feito inédito da bocha paralímpica brasileira | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil

A segunda-feira (12) foi de muita festa para Evani Calado. Nascida em Taboão da Serra, atleta foi ouro na bocha por pares BC3 ao lado de Antônio Leme e Evelyn de Oliveira. Foi a primeira participação brasileira no esporte nos Jogos Paralímpicos e a conquista ainda será bastante comemorado por Evani.

Ao lado de sua calheira, Renata da Silva, a atleta não conteve a alegria em conquistar o ponto mais alto no pódio. “É uma emoção única ganhar um ouro já na primeira participação na Paralimpíada. Esperávamos estar no pódio, mas o ouro é algo sensacional”, disse Evani em entrevista coletiva nesta terça-feira (13) no Parque Aquático Olímpico.

“Já nasci na cadeira de rodas e conheci a bocha através da faculdade. Eles tinham um projeto de bocha paralímpica e entrei contra minha vontade, porque era no sábado e tinha que acordar cedo. Mas minha mãe me incentivou, comecei a ir nos treinos e logo no primeiro campeonato me apaixonei. É uma emoção inexplicável”, afirmou a medalhista de ouro.

A intensidade dos treinamentos antes dos Jogos foi vital na conquista da medalha de ouro. “Batalhamos em baixo de chuva. Eu dividia tudo com faculdade e fisioterapia. Não paramos de treinar em nenhum momento”, comentou Evani.

“Nossos treinamentos se intensificaram muito. Nos preparamos desde 2012 e estamos juntas desde 2010. Foram treinos específicos e desgastantes, mas conseguimos subir no pódio”, completou Renata, calheira de Evani.

Agora, o foco é no legado que a medalha de ouro pode deixar para o esporte paralímipco. “Nosso maior intuito é divulgar a bocha e mostrar que nada é impossível. Queremos mostrar para os que estão em casa, parados, que não aceitam cadeira de rodas que eles podem ir muito além do que imaginam. Já vou em escolas desde 2010 para que a nova geração cresce acostumada com o paradesporto. Quando era criança nada era acessível. Ninguém respeitava como hoje”, explicou a atleta.

Complementando, Renata deixou claro que as visitas às escolas podem ser um fator positivo para a aproximação da modalidade com o público brasileiro. “Sou professora na rede estadual de São Paulo e meus alunos me deram total apoio e força para eu estar aqui. Queremos servir de exemplo para eles, mostrar que todos somos iguais e dar sequência ao trabalho. A visão que o deficiente é debilitado não existe mais”, finalizou a calheira.

Renata e Evani participaram da coletiva nesta terça ao lado de Alessandro Rodrigo da Silva - medalha de ouro no lançamento de disco F11 (para cegos).

Carismáticos, trio dourado posa para fotos durante coletiva | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil
Carismáticos, trio dourado posa para fotos durante coletiva | Foto: Pedro Henrique Guimarães/VAVEL Brasil