Crítica | Ilha dos Cachorros

A saturada assinatura de Wes Anderson em Stop Motion

Crítica | Ilha dos Cachorros
(Divulgação: FOX)

Quem um dia já viu algum filme de Wes Anderson sabe da assinatura que o diretor carrega. Sempre com uma estética visual impecável e uma personalidade sem igual carimbada em suas criações, o cineasta traz toda essa bagagem e mais algumas malas em seu novo filme, Ilha dos Cachorros. Lançado em 19 de Julho de 2018 no Brasil, a obra carrega uma carga emocional e detalhes únicos em forma de Stop Motion.

Criado com todo um cuidado e criatividade, o filme conta a história de Atari Kobayashi, um garoto japonês de 12 anos que sai em busca de seu cachorro Spots, quando o prefeito e seu então tutor Kobayashi, aprova uma lei que proíbe os cachorros da cidade de Megasaki de permanecerem lá, enviando os animais para uma ilha vizinha nomeada como Ilha do Lixo. O garoto com seus trajes futuristas de piloto, traceja toda uma aventura ao lado de seus novos amigos caninos.  

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Mas Atari não é o grande foco da história, dando espaço para Chief, seu companheiro canino de jornada.
O cão nos ensina diversas coisas ao decorrer da trama, dentre elas, que não nos é enraizado o mal, mas plantado, e que como uma planta, se regado com muito amor e carinho, é possível obter flores tão bonitas e grandiosas quanto o que de nos ruim foi colocado.

O filme não apenas roda em torno de uma aventura de um menino em busca de seu melhor amigo ou do cão Chief, mas traz com o roteiro toda uma crítica densa e intensa, onde o telespectador se depara com inúmeras temáticas.
Desde suícidio até corrupção, a trama deixa em evidência que Ilha dos Cachorros é muito mais do que uma animação infantil.
Não só isso, mas os detalhes que o diretor estende ao telespectador se tornam uma verdadeira mensagem de quem precisa ser ouvido e quem precisa ser silenciado.

Apesar de o roteiro e a mensagem passadas pelo diretor serem o foco da trama, não há como deixar de reparar na estética visual do filme, dando ênfase na personalidade do diretor em trazer sua famosa paleta saturada e fotografia simétrica, fazendo com que o filme vá além dos limites estéticos e seja não só uma obra audiovisual, mas uma verdadeira pintura.

Ilha dos Cachorros é evidentemente uma obra de arte em forma de Stop Motion, onde não só é possível se perder em meio a movimentos teatrais que mais parecem pinceladas, mas em toda uma mensagem sobre quem queremos ser e o que queremos fazer.