As Viúvas - Crítica
(Foto: Divulgação/ 20th Century Fox)

As Viúvas - Crítica

Quatro anos se passaram após Steve McQueen ter ganhado o Oscar de melhor filme por ‘’12 Anos de Escravidão’’, para que ele retornasse com um novo projeto. E dessa vez com sua abordagem mais acessível até agora, mas que não perde seu traço autoral.

matheus-franca
Matheus França

Com um plano de dentro de uma van de fuga de um assalto, a primeira sequência mostra a perseguição de um ângulo que instantaneamente já prende a atenção, que tem sua conclusão com grupo liderado por Henry (Liam Neeson) sendo encurralados e mortos pela polícia. É então que trocamos de ponto de vista e vemos Veronica (Viola Davis) olhando para o outro lado de sua cama vazio.

Com um trama baseada em uma série de TV britânica dos anos 80 com a simples premissa de um grupo de assaltantes que deixam um grade trabalho inacabado e uma divida a ser paga. Suas companheiras são forçadas a terminarem o serviço. Sendo que o último trabalho antes de morrerem acabou os levando para o meio de um intriga entre mafiosos e políticos, de lados opostos.

Jamal (Brian Tyree Henry) um criminoso que agora tenta entrar para a carreira pública, e teve seu dinheiro roubado intima Veronica com o prazo de um mês para devolver seu dinheiro. É então que ela segue para reunir as outras viúvas Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki) e da forasteira no grupo Belle (Cynthia Erivo).

Dentro desse conceito McQueen e Gillian Flynn (Garota Exemplar) assinam o roteiro, e acrescentam todas camadas subvertendo um gênero reconhecidamente estrelado por homens, e invertendo o foco para que era categorizada com o prêmio do protagonista de meia idade. Aqui cada uma das personagens são retratadas com um objetivo e motivações que vão além dos homens que a cercam, passando com louvor no teste de Bechdel.

Em determinado momento dois personagens estão conversando em um carro, mas a câmera não os mostra ao invés disso o plano exuberante fica do lado de fora nos apresentando as ruas de Chicago e como elas mudam ao passar dos bairros mais pobres até os mais ricos, sutilmente aplicado é uma das várias críticas socias que contornam a trama.  Toda a representação da luta de classes e do lugar das várias minorias dentro da América, e torna por invertê-las ao decorrer do longa.

Não há um grande aprofundamento do mundo ali criado, e sua estrutura não é das mais elaboradas no que cabe a escrita da trama. É onde o diretor traz o seu melhor para elevar a obra, com seus planos hipnotizantes, como na apresentação do que o intrigante personagem Jatemme (Daniel Kaluuya) é capaz, girando a câmera em uma volta completa ao redor da cena até o desfecho que junto da trilha arrebatadora de Hans Zimmer o fazem saltar da cadeira.

Há um dinamismo na narrativa para estabelecer cada personagem com poucos segundo da introdução suas introduções, é possível entender exatamente quem é cada um. Isso segue durante o desenvolvimento e externalização do interior das protagonistas que crescem e aprendem ao longo da jornada, brilhantemente visto através das atuações com destaque para a sempre grandiosa Viola Davis que pulsa energia e poder a cada expressão.

A escrita de Flynn que já está acostumada a escrever personagens femininas fortes e com conteúdo se mostra presente, mas peca em criar apego a jornada que elas seguem, talvez tivesse melhor formato dentro de um de seus romances . Com alguns clichês na construção dos antagonistas e viradas de trama que acabam por tirar o véu da imersão, o filme consegue entregar uma obra que foge os padrões dentro do gênero, e termina deixando discussões necessárias além do entretenimento.

VAVEL Logo