The Deuce - Segunda Temporada - Crítica
Foto: Distribuição/ HBO

The Deuce - Segunda Temporada - Crítica

A busca por liberdade em uma vida que se baseia em jaulas sociais, marca a nova temporada da obra de David Simon.

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Matheus França

Ao fim de “Mad Men”, a jornada através da sociedade americana na TV pelos olhos de quem a viveu encerra-se em 1969, mas a vontade de continuar acompanhado as mudanças que a América passou, permanece no canto da mente. Então veio “Vinyl” que com a benção de Martin Scorsese trouxe a indústria da música nos anos 70, tão logo ela foi cancelada e junto a esperança de poder observar o passado. Em 2017, David Simon nos coloca novamente na era das discotecas e da desilusão.

“The Deuce” retorna agora em seu segundo ano com a missão de contar o inicio da indústria pornográfica, e de uma Nova York que afunda na própria sujeira. Um salto entre as temporadas nos coloca agora em 1977, a ascensão do entretenimento adulto eleva o nome dos atores e principalmente das atrizes, o que lentamente vai acabando com a rede de prostituição, ou a forçando a se adaptar.

Simon que já é familiarizado com a estrutura de contar suas histórias com inúmeros personagens, vide a aclamada “The Wire”, mantém esse padrão e até o expandindo. São dezenas de arcos cada episódio, sendo que todos são brilhantemente desenvolvidos onde em momento algum há uma sensação de cansaço, todos são relevantes. Com a expansão da indústria pornográfica na época, muitas das prostitutas encontraram um caminho no ramo, o que foi destruindo o papel do cafetão como era até então, as ruas não são mais as mesmas.

Agora as vozes que antes eram suprimidas, começam a gritar por espaço, mas cada um a sua maneira. Candy agora é diretora de filmes adultos, ela cresce no que é arco mais poderoso da série, ela descobre a arte em um breve momento onde achava-se que a pornografia pudesse ter um lado artístico, algo a dizer. O crescente de sua paixão por dirigir e criar é algo sublime, alcançado pela magnifica atuação de Maggie Gyllenhaal, cada olhar diz algo, seu personagem pulsa cada emoção. Qualquer um que tenha aspirações pela carreira artística terá suas dúvidas sanadas ao acompanhar o nascimento de uma vocação. Uma evolução orgânica demarca cada um daqueles personagens, há um vinculo de amizade, de carinho criado ao entrar e bisbilhotar suas vidas.

O ato de mudar ou evoluir é fincado na trama, pelos erros e acertos que todos cometem. É claro a vontade não só de olhar para trás, mas também de esfregar a podridão que em nada mudou tantos anos depois.

Seja com Vincent Martino (James Franco) que carrega um jornada de arrependimento e mágoa ou seu irmão gêmeo que permanece preso em sua espiral de trapaças, seja Lori (Emily Meade) que busca por se libertar de seu cafetão C.C. (Gary Carr) enquanto se torna um estrela, ou Paul (Chris Coy) um homem gay tentando ser feliz e por assim vai.

Cada fragmento se conecta para mostrar as ruas de Nova York, não há elo fraco ou solto, pontuais as atuações completam perfeitamente o todo.

A produção da HBO não falha, a começar pelos diretores que passam o que o texto denso quer sem ser verborrágicos. A fotografia se esforça com sucesso para não erotizar o sexo de forma banal, acompanhada pela incrível trilha de músicas que instantaneamente nos colocam naquele período.

É quase difícil acreditar que uma obra com tantos ingredientes possa ter um resultado positivo, mas quando todos tem um único objetivo de contar uma história somos presenteados com algo como “The Deuce.” E graças a isso podemos continuar nossa jornada pelos anos que nos trouxeram até aqui.

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