Aquaman - Crítica
Foto: Divulgação/ Warner Bros Pictures

Aquaman - Crítica

Em sua primeira adaptação solo do personagem aos cinemas, James Wan traz toda sua bagagem para criar um espetáculo visual, mas que se perde por não conseguir dar profundidade ao rei dos mares.

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Matheus França

Criado em 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger nas páginas da More Fun Comics #73, o personagem ficou renegado por anos como um personagem menor dentro da DC Comics, e devido a adaptações duvidosas como sua transposição para o desenho dos Super Amigos, acabaram por tornar uma caricatura ao mito do herói. Passaram-se décadas até que o status fosse restaurado dentro dos quadrinhos, mas o estrago já havia sido feito e todos tinham em seu imaginário alguém que usava colante laranja e falava com peixes.

Após ter sido introduzido nos cinemas em ''Liga da Justiça'' (2017) e ter sua participação no mesmo comprimida a frases expositivas de uma palavra, agora em 2018 ele se torna o protagonista. O filme parte para contar a origem do rei dos mares, em uma clássica estrutura jornada do herói.

O longa inicia com a Rainha Atlanna (Nicole Kidman) fugindo de sua terra natal e encontrando Tom Curry (Temuera Morrison) , eles acabam por se apaixonar e tendo um filho, o passar do tempo auxilia a o momento que não tem muitos diálogos, logo eles são atacados e com um plano sequência que impressiona o embate acontece. Então para proteger sua família Atlanna os abandona e volta a Atlântida.

James Wan traz uma direção sublime ao que cerca suas cenas de ação, que são belas de se observar e ao mesmo tempo dinâmicas, a todo momento sabemos exatamente o foco que estamos seguindo. Com efeitos especiais que brilham o olhar, o filme cria um visual exuberante que funciona muito bem, desde suas cores até a diversidade de criaturas e reinos funcionais que enriquecem a obra.

Quando seu meio irmão, o até então rei de Atlântida Orm (Patrick Wilson) pretende iniciar uma guerra contra a superfície com o pretexto de que os humanos poluem e destroem a vida no mar, logo Mera (Amber Heard) convoca Arthur Curry (Jason Momoa) para a missão.  Ao logo do filme temos lindas transições que contam o passado do protagonista para compreendermos toda sua jornada.

A mitologia também é bastante satisfatória, mas perde-se no maniqueísmo onde discussões que poderiam ter um impacto real na construção tanto do herói quando de seu antagonista. Onde o discurso ambiental morre na praia tão rápido quanto surgiu, dando lugar a um vilanismo de pura obsessão de poder, que perde uma grande oportunidade de criar camadas ao embate.

O roteiro trabalha dentro da construção já habitual para o gênero de super-heróis, mas que não consegue desenvolver seus personagens para além do bidimensional. Os momentos de diálogo são pobremente construídos, seja por falas extremamente expositivas que em nada soam naturais ou seja pela direção que parece não saber lidar com momentos de desenvolvimento ou relação entre personagens.

Cenas essas que acabam por tirar completamente o espectador da imersão da obra, deixando um expressão de estranheza no rosto. Como alguns recursos visuais que em nada conversam com o restante do longa. Acabam por parecer tentativas rápidas e pobres de criar reações no público, por humor ou até em uma constrangedora cena em que Mera e Arthur saem de uma praia na Itália que junto de uma música mais deslocada ainda, que remete apenas a uma propaganda genérica de perfume.

Como entretenimento ele entrega, mas como filme em si, ainda falta muito a que se aprender dentro do universo DC, como a caracterização do herói já que por mais que seja visível a tentativa de criar um aprendizado em sua jornada, acaba se perdendo tornando-o um bufão que não faz jus ao título de Rei do Mares.

Fica o incomodo sobre o fato de seu heroísmo ser impulsivo, não um compreendimento do mesmo. O que ignora toda a evolução do gênero onde, não é apenas uma coragem cega que será o trunfo ante o antagonista, e sim um misto de inteligência, perspicácia e coragem.

''Aquaman'', acaba por ser um bom filme dentro do catálogo da DC, mas que parece deslocado, onde talvez há 10 anos atrás ele fizesse mais sentido, quando super-heróis ainda engatinhavam nos cinemas.

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