Estratégias e acertos: muito mais do que qualquer favorecimento
Massa, a frente de Alonso, antes da crucial segunda parada do companheiro: ousadia do espanhol garantiu o pódio (Foto: Diego Azubel/EFE)

Grande Prêmio da Austrália de Formula 1. Largada da temporada 2013. Felipe Massa, que nunca teve sorte no traçado de Melbourne (foram seis retiradas em dez corridas, e um quarto lugar como melhor colocação), estava na segunda posição na 24ª volta. Três antes, seu companheiro de equipe Fernando Alonso havia feito seu segundo pit stop - antes do tempo estabelecido pela equipe. Massa parou depois, e, ao voltar para a pista, ficou atrás do espanhol e também de Sebastian Vettel.

Como a vitória do finlandês Kimi Raikkonen foi indiscutível, toda a imprensa e torcedores passaram a discutir sobre Alonso e Massa. A Ferrari teria, mais uma vez, beneficiado o espanhol, deixando o brasileiro como segunda opção? A grande maioria afirmou que sim - como, falemos a verdade, a escuderia costuma fazer.
 
Acontece que, tratando com calma e analisando a corrida, facilmente pode-se chegar a conclusão de que a estratégia e a ousadia de Fernando o garantiram a segunda posição. À começar, é bom lembrar que os dois pilotos tem, cada um, seu próprio engenheiro. Alonso passou as 20 primeiras voltas sem conseguir ameaçar Kimi, Vettel e o próprio Massa. Até que, em conversa com seu engenheiro, o espanhol ousou, e decidiu, ele mesmo, adiantar sua parada em quatro voltas. Massa preferiu manter o combinado pela escuderia, e fazer o pit stop depois. Resultado: com pneus novos, o espanhol ultrapassou o companheiro de equipe e Vettel, enquanto ambos faziam suas paradas.
 
Prova simples de que não houve tal favorencimento, é que, antes da terceira parada, Massa tentou adiantá-la. Viu que Alonso garantiu sua corrida em um simples ato, e, obviamente, tentou se beneficiar. A Ferrari, antes da corrida, havia acordado três paradas para seus pilotos, já sabendo do desgaste dos pneus. Quando Alonso ficou quatro voltas a mais com novos pneus, cogitaram a possibilidade de que também teria que antecipar seu último pit stop e trocá-los.
 
Massa acertou seguir a estratégia da equipe, para não correr o risco que Alonso correu. O espanhol, porém, acabou premiado. Premiado porque quis ousar. Quis arriscar. E só pode arriscar porque quem estava ali era Alonso.
 
A verdade inegável é que o espanhol tem um nível muito maior que o do brasileiro. É um piloto melhor, bem melhor. Em qualquer esporte coletivo, alguma vez alguém já foi favorecido justamente por isso: por ter mais capacidade. Massa, que foi melhor que Alonso durante quase todos os treinos livres da Austrália, é sim um bom piloto, ao contrário do que muitos teimam em dizer. Mas, enquanto a torcida ficar julgando suas posições (ou as de Alonso) pela Ferrari, por um possível favorecimento, teimará em não dar certo.
 
Fernando e Felipe é uma boa dupla para a Ferrari. O início, com um segundo e um quarto lugar, é animador para a escuderia italiana, que viu a Red Bull voar em todos os treinos que antecederam a temporada.
 
Agora, vamos para a Malásia. Entendendo melhor o funcionamento dos pneus e se continuar com os bons treinos, Felipe pode sim chegar a frente de Alonso. Porém, durante a temporada, seu grande adversário será lidar com essa "pressão" invisível que criaram sobre o tal favorecimento. Principalmente os muitos torcedores brasileiros, que enchem a boca para criticar a Ferrari, defendendo Felipe, e abusando de jargões como "o circo da Formula 1." 
 
Massa é o segundo piloto. Foi contratado sabendo disso. Já era com Schumacher, e se manteve com Alonso, obviamente. Mais cedo ou mais tarde, caso o espanhol esteja na frente, disputando o título (o que deve ocorrer), a Ferrari vai sim favorecê-lo. E quer saber? Certos estão eles: a equipe em primeiro lugar.
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