E agora, F1? Parada da temporada pode ser benéfica para algumas equipes (parte 3/4)
Foto: Divulgação/Site Oficial Scuderia Ferrari

A pandemia do novo coronavírus traz um novo contexto à Fórmula 1 em 2020 e, para analisá-lo, a VAVEL preparou uma sequência de matérias especiais. A primeira delas foi sobre a possibilidade da temporada ter apenas oito corridas. Na segunda, discutimos sobre os recordes e marcas que poderiam ser quebrados neste ano mas que talvez terão que esperar mais uma temporada.

Nesta terceira parte, analisaremos quais equipes podem tirar proveito desta longa parada no campeonato.

Ferrari

Foto: Divulgação/Twitter Oficial F1
Foto: Divulgação/Twitter Oficial F1

                                           
Todos esperavam um rápido e potente Cavalinho Rampante nos testes de pré-temporada em Barcelona, para que pudesse finalmente disputar o campeonato com a Mercedes, mas não foi o que vimos. Dentro e fora da pista os resultados não foram nada bons.

No primeiro dia de testes, em 19 de fevereiro, apenas o monegasco Charles Leclerc foi para a pista, já que seu companheiro não pôde completar nenhuma volta devido a problemas de saúde. O jovem piloto não impressionou, ficando com um fraco 11º lugar, 1s3 longe do líder, Lewis Hamilton, e atrás até mesmo da Williams do inglês George Russel.

No segundo dia, em 20 de fevereiro, finalmente Sebastian foi à pista, mas apenas para desapontar a torcida vermelha, já que ficou na sexta colocação, 1s1 atrás de Raikkonen, primeiro colocado do dia, enquanto Leclerc conseguiu apenas a oitava colocação.

Em dois dias de testes, a Ferrari ainda não tinha alcançado a marca de 1m17s no circuito de Barcelona, enquanto várias equipes já tinham conseguido. Esse tabu só aumentou no terceiro dia, em 21 de fevereiro, quando apenas Vettel foi para a pista, marcando um tempo lento de 1m18s300. Mas essa não foi a pior notícia do dia, já que o alemão teve problemas em seu motor e abandonou a sessão.

No quarto dia de testes, os dois pilotos da Ferrari foram para a pista, mas sem sucesso ao tentar alcançar a marca de 1m17s. No quinto dia, em um tom de desespero, a equipe colocou pneus macios no carro de Vettel e finalmente conseguiu passar da marca de 1m18s, chegando à 1m16s841 e conquistando a primeira colocação. Por fim, no sexto dia de treinos, Leclerc também conseguiu alcançar a marca de 1m16s, só que desta vez de pneus médios.

Veredito: Levando em conta o péssimo resultado da pré-temporada em Barcelona, é seguro dizer que a Ferrari é a equipe que mais pode tirar proveito desta parada, já que pode trabalhar ainda mais em cima do carro. Além disso, como as mudanças de regulamento para 2021 foram adiadas para 2022, a equipe não precisa se preocupar com um segundo novo carro agora, e pode manter o foco nesta temporada.

Alfa Romeo
 

Foto: Divulgação/Twitter Oficial Alfa Romeo
                 Foto: Divulgação/Twitter Oficial Alfa Romeo

Coincidência ou não, outra Scuderia equipada com motor Ferrari não se saiu bem nos testes de pré temporada.

Na primeira tentativa, em 19 de fevereiro, Giovinazzi e o ex-Williams, Robert Kubica, agora piloto de testes da equipe italiana, foram à pista. Os resultados? Nada inspiradores. O italiano ficou em último, 3s1 atrás do primeiro colocado, Hamilton, e 1s4 atrás do penúltimo, Magnussen. O polonês também deixou a desejar, ficando apenas na 13ª colocação, 1s4 atrás do primeiro colocado.

No segundo dia, uma notícia boa e uma ruim: Raikkonen retornou e marcou a volta mais rápida da sessão, mas abandonou logo em seguida com problemas no carro.

No terceiro dia, Giovinazzi finalmente conseguiu um bom resultado, marcando o sexto melhor tempo com 1m17s46, mas foi o único piloto da equipe a participar da sessão.

Outra surpresa aconteceu no quarto dia de testes, quando Kubica conseguiu um rápido melhor tempo da sessão, com 1m16s9. Porém o tempo foi uma clara jogada de marketing, já que a equipe colocou pouquíssimo combustível e pneus macios no carro do polonês, além de seu companheiro, Raikkonen, conquistar um fraco penúltimo lugar, com um tempo de 1m19s, quase três segundos mais lento que o companheiro de testes.

Nos dois últimos dias de teste, a Alfa Romeo voltou à sua realidade, com Giovinazzi e Raikkonen conseguindo apenas dois 12º lugares, um em cada dia de sessão. Os dois últimos dias tiveram apenas 13 e 14 participantes, respectivamente. O italiano ainda bateu seu carro no quinto dia de testes, enquanto Raikkonen rodou cedo na sessão.

Veredito: Mesmo com os melhores tempos em duas sessões diferentes, fica claro que a Alfa Romeo ainda tem muito que evoluir. A equipe foi a mas rápida em termos de velocidade final no último dia, mas também fez o tempo mais lento de todos em condições normais, com um 1m20s no primeiro dia de testes. Além disso, os dois pilotos admitiram que ainda há muito a se fazer. A parada na temporada deve ser boa para a equipe.

Haas

Foto: Divulgação/Twitter Oficial Haas
                       Foto: Divulgação/Twitter Oficial Haas​​​

 

A terceira e última equipe com motor Ferrari também aparece nesta análise. Os resultados dos testes de pré-temporada não foram nada satisfatórios, e o histórico de brigas internas entre Grosjean e Magnussen também não ajuda.

No primeiro dia de testes apenas Magnussen foi para a pista, completou um total de 104 voltas e conseguiu um tímido penúltimo lugar, 1s4 atrás do primeiro colocado.

No dia seguinte foi a vez de Grosjean realizar um total de 158 voltas, mas ainda em uma posição muito atrás no grid, 1s4 longe do primeiro colocado. Para comparação, Magnussen marcou 1m18s466 no primeiro dia, enquanto o francês fez 1m18s496 no segundo dia.

Os dois carros foram para a pista no terceiro dia de testes, mas novamente com resultados ruins. Magnussen fez o pior tempo, com 1m19s709, enquanto Grosjean conquistou apenas a 12ª colocação, com 1m18s380. O dinamarquês ainda acabou batendo e trazendo bandeira vermelha à sessão.

No quarto dia, a equipe continuou com resultados ruins e sem conseguir entrar no top 10. Apenas Grosjean foi para a pista, marcou um lento 1m18s670, que lhe rendeu uma tímida 16ª colocação. 

Finalmente, no quinto dia, a equipe conseguiu marcar um tempo digno de top 10, mas apenas 13 carros participaram da sessão. Magnussen fez 111 voltas e marcou o tempo de 1m18s225 para conquistar a 9ª colocação. O sexto e último dia de testes foi mais do mesmo. Os dois pilotos foram para pista e conseguiram apenas a penúltima e a 11ª colocação.

Veredito: A equipe precisa aproveitar o tempo a mais de preparação (dentro do possível levando em consideração a condição mundial de pandemia) e melhorar o carro, caso contrário, é provável que o dono da equipe, Gene Haas, em virtude dos maus resultados das últimas temporadas, encerre a parceria com a F1 e a equipe deixe de existir.

Williams

Foto: Divulgação/Twitter Oficial Williams
                    Foto: Divulgação/Twitter Oficial Williams


A temporada começou boa para a Williams. Os tempos estavam mais rápidos do que no ano passado e a equipe conseguiu participar dos primeiros dias, sendo inclusive o primeiro carro na pista, coisa que não aconteceu em 2019, quando os carros foram ligados apenas após o segundo dia de testes. Mesmo assim, os tempos neste ano ainda não são satisfatórios. 

No primeiro dia, os dois carros foram para a pista, com George Russel ficando na 9ª colocação, à frente da Ferrari de Leclerc. O novo piloto da equipe, Nicholas Latifi, deixou uma boa primeira impressão, conquistando a 12ª colocação. Os dois estiveram mais de 1s atrás do primeiro colocado.

O segundo dia foi ainda mais interessante para a Williams. Apenas o piloto inglês foi à pista, conquistando a 7ª colocação, com o tempo de 1m18s266, mas ainda 1s atrás do primeiro colocado.

No terceiro dia, foi a vez de Latifi participar do treino, mas sem sucesso. O canadense marcou um lento 1m19s para ficar com a penúltima colocação, mais de 3s atrás do primero colocado.

Os dois pilotos ficaram bem próximos no quarto dia de testes. Latifi ficou na frente, na 14ª colocação, enquanto Russel foi 0s2 mais lento, conquistando apenas a 15ª posição.

O quinto dia foi de surpresa no paddock. Apenas Latifi foi para a pista e marcou o tempo de 1m17s, o primeiro abaixo de 1m18s para a equipe. No fim da sessão, a grande volta lhe rendeu a quarta colocação. O último dia de testes trouxe uma outra surpresa: Russell consegui ficar em 9º colocado com pneus duros, enquanto os adversários usavam pneus macios. Latifi não participou da sessão.

Veredito: Fica claro que os resultados da pré-temporada foram muito animadores para a equipe inglesa, mas ainda há trabalho a se fazer. Para uma equipe que vem de resultados tão ruins nos últimos anos, o tempo a mais para repensar e colocar novas estratégias em prática é sempre bem-vindo.


Esta foi a terceira de uma série de quatro matérias sobre o futuro da temporada de 2020 da Fórmula 1. Fique atento para a quarta e última matéria nos próximos dias.

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