Quais as chances de um LMP1 privado ganhar as 24 horas de Le Mans?

Le Mans é dominada pelas equipes oficiais de fábrica a vários anos. Qual seria o impacto de uma vitória no "geral" de um time independente? A discussão ganhou corpo após os problemas que os times de fábrica sofreram durante as 6 horas de SPA

Quais as chances de um LMP1 privado ganhar as 24 horas de Le Mans?
Rebellion Racing, a principal equipe da classe LMP1 privada. (Foto: Rebellion Racing)

"E se?" foi mais ou menos assim que vários jornalistas se questionaram sobre uma possível vitória de um LMP1 privado em Le Mans no próximo mês. O motivo? A fragilidade dos protótipos da Audi, Porsche e Toyota durante a última etapa do Mundial de Endurance em SPA.

Para muitos é algo inimaginável. Atualmente existem duas equipes que competem na classe LMP1 privada. A Rebellion Racing e  ByKolles. A primeira é a mais estruturada e vem a anos competindo na principal classe do WEC. A segunda começou com o nome da Lotus mas por problemas financeiros virou ByKolles. Desde 2015 as duas brigam entre si por um clandestino título de equipes independentes.

Vale o investimento? Não sei. A última etapa do Mundial de Endurance em SPA não precisou de chuva para ser uma prova emocionante. A favorita Porsche viu seus anseios de uma segunda vitória irem por terra por conta de pneus furados e problemas no sistema híbrido.

Toyota que surpreendeu a todos com um bom desempenho também enfrentou problemas no motor do #5. A Audi com o #7 passou várias vezes pelos boxes para reparos. O que menos “sofreu” foi o Audi #8 que venceu a prova. Se esperava esta “quebradeira” na etapa de Silverstone, abertura do campeonato.

Velocidades máximas em SPA.

Por mais que as equipes tenham feito milhões de quilômetros em testes, é na corrida que realmente o equipamento é posto a prova. Mas o que motivou tantos problemas nas equipes que mais investem e supostamente estão mais estruturadas para evitar tantos problemas?

Das três equipes de ponta, Porsche e Audi estavam com a configuração “Le Mans” com baixo downforce. A Toyota competiu com um setup padrão mas indicado para o circuito belga. Para o piloto Neel Jani da Porsche “A chave para a corrida será o uso dos pneus”. Com a temperatura na casa dos 40 graus, o clima durante a prova não lembrava o clima típico da região aonde se localiza o circuito, chuva e mudanças bruscas de temperatura.

“Durante uma corrida de endurance, o único parâmetro que muda ao longo do tempo é a temperatura da superfície” recordou Jérôme Socialite, gerente do programa de Endurance da Michelin. “O layout da pista, os carros e os motoristas permanecem os mesmos. A Michelin  evoluiu os três tipos básicos de compostos ‘soft’, ‘médio’ e ‘hard’. Para pista quente e fria,  porque não há nenhuma razão para oferecer vários compostos diferentes, que iria obrigar os pilotos a adaptar o seu estilo de condução e as configurações do carro.”

ByKolles corre por fora, por não ter a estrutura da Rebellion. (Foto: ByKolles)
ByKolles corre por fora, por não ter a estrutura da Rebellion. (Foto: ByKolles)

Tanto Audi quanto Porsche, optaram por compostos “soft” para temperaturas baixas. Já a Toyota optou pelo “soft” para altas temperaturas. “A escolha de pneus foi crucial para assumir a liderança da corrida”, explicou Sébastien Buemi, piloto da Toyota TS050 #5. “O desempenho dos pneus foi consistente e eu decidiu duplicar o meu stint no início da corrida, quando os engenheiros me falaram que a pista iria esquentar mais.”

“Vimos sinais positivos em termos de desempenho, mas o resultado é muito difícil de tomar” disse Toshio Sato, presidente da equipe. “Nós tivemos uma grande melhora a partir de Silverstone. Os nossos tempos por volta foram sempre muito bons e fomos capazes de realizar as primeiras quatro horas. Infelizmente, ambos os motores foram danificados. Agora precisamos ver urgentemente o que aconteceu antes de ir para Le Mans.”

A Porsche também enfrentou problemas. “A rodada de abertura em Silverstone não foi fácil, mas em Spa, foi ainda mais difícil, apesar de largarmos na frente,” salientou Fritz Enzinger, vice-presidente LM P1. “Desistir nunca é uma opção no endurance. No teatro, dizemos que é um mau ensaio e um bom presságio para o espetáculo. Vamos preparar Le Mans com cuidado. É claro que, hoje, as três equipes operam suas tecnologias ao limite”.Finalizou.

Apesar da vitória, a Audi sabe que vencer Le Mans não será fácil. “Hoje, os pilotos,  equipe e a tecnologia tinham que mostrar qualidades reais de resistência”, disse o Dr. Wolfgang Ullrich, chefe da Audi Sport.

Por mais que as equipes tenham feito quase 30 horas de simulação, nada se compara a pressão de uma prova de 24 horas. As chances da Rebellion ou da ByKolles são remotas, mas existem, bem como boas surpresas na classe LMP2 com pilotos de ponta e projetos já consolidados. O que esperar destas 24 horas?