Frédéric Sausset: “Eu provei que posso ser parte das 24 horas de Le Mans”

Francês tetra-amputado vai disputar as 24 horas de Le Mans em um protótipo no projeto "Garagem 56", destinado a modelos revolucionários

Frédéric Sausset: “Eu provei que posso ser parte das 24 horas de Le Mans”
(Foto: Twitter)

Até onde a paixão por algo nos leva? Para muitos tarefas simples como amarrar os cadarços de um sapato, ou apreciar um pôr do sol ou crianças brincando desenfreadas em uma praia tem outro sentido após um acidente, ou quando se está curado de alguma doença.

Muitos só se dá valor para essas pequenas coisas depois de levar um “susto” na vida. O ser humano é assim. Enquanto muitos se afundam em depressões e clausura outros encontram meios de continuar sua viagem pela estrada da vida.

Um desses predestinados é Frédéric Sausset, piloto que vai participar da edição 2016 das 24 horas de Le Mans. O francês de 47 anos, tetra-amputado por conta de uma doença degenerativa. Competindo a vários anos no automobilismo do seu país, foi convidado para disputar Le Mans na “garagem 56”, espaço dedicado a modelos revolucionários.

O Morgam-Nissan LMP2 que Sausset divide com Christophe Tinseau e Jean-Bernard Bouvet foi todo adaptado. Em entrevista para o site DailySportsCar, o piloto acredita que independente do resultado, a participação na prova é que vai ser importante e ajudar na luta contra a falta de mobilidade e espaços para os deficientes.

“Foi muito bem no geral. Eu estava obviamente muito tenso, já que é um marco importante em nosso projeto e eu sabia que as pessoas estavam esperando para ver como eu iria me comportar na pista. Domingo à noite (depois dos testes oficais), recebi um telefonema de Vincent Beausmenil do ACO, basicamente, me dizendo, “Nós apenas tivemos uma reunião. Você está pronto para ir para a corrida. “Eu acho que eu provei que posso ser parte das 24 Horas de Le Mans.”

Morgam-Nissan, todo adaptado para acomodar Frédéric. (Foto: SRT Racing)
Morgam-Nissan, todo adaptado para acomodar Frédéric. (Foto: SRT Racing)

Com o tempo de 3:48.253, foi o protótipo mais lento entre os presentes na pista. Ao todo foram dadas 54 voltas, a uma média de 215 km/h. Foi a primeira vez que Sausset enfrentou o tráfego dos protótipos da classe LMP1. “Foi bem. Eu estava prestando atenção, tomando cuidado para não criar qualquer problema. O diferencial de velocidade com o nosso carro é muito grande. Benoit Treluyer me enviou uma mensagem após a sessão dizendo: “Seu comportamento na pista foi impecável. Você é um verdadeiro campeão “. Isso foi muito legal da parte dele. Foi definitivamente uma tarefa mais difícil para mim quando ultrapassar ou ser ultrapassado por outros carros LMP2.”

O primeiro grande desafio foi na abertura do ELMS em Silverstone em Abrill. Na época, Sausset enfrentou problemas com o habitáculo do Morgan. “Silverstone foi definitivamente uma pista muito difícil para mim. Eu estava perdendo uma enorme quantidade de tempo em cada volta. Aqui em Le Mans, as coisas são muito diferentes. Me senti bem na pista. Estava planejado dar 10 voltas, mas acabei dando 18. Eu queria conseguir uma volta mais rápida ou em torno de 3:58. Fiquei na casa dos 4:02. No geral, eu só cometeu um erro. Acabei rodando na curva Dunlop.  Para ser honesto, eu estava feliz com o que aconteceu. Isso me deu chance de mostrar a ACO que posso cuidar do carro e de mim em uma situação difícil.”

O maior desafio do francês é sem dúvida as situações de emergência que uma corrida de automóveis pode apresentar. A principal é entrar e sair do carro, já que não pode fazer isso sozinho. “Estamos considerando vários cenários. Por enquanto, sabemos que Christophe Tinseau vai ficar mais tempo no início da provas. Em seguida, tenho a intenção de dirigir um total de seis horas e meia durante a corrida. Sinto que sou capaz de fazer turnos duplos, mas a minha fisioterapeuta é mais conservadora. Ele recomenda não mais do que um stint. Estou confiante.Veremos…”

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