Porsche vence as 6 horas de Nurburgring

Montadora alemã repete feito das 24 horas de Le Mans. Audi teve um bom rendimento e Toyota acabou decepcionando. Lucas di Grassi chega na segunda posição na classe LMP1. Bruno Senna e Pipo Derani terminam em segundo e terceiro na LMP2. Antonio Pizzonia fica em quinto também na LMP2

Porsche vence as 6 horas de Nurburgring
Porsche viu na Audi um adversário forte. A estratégia durante as bandeiras amarelas foi benéfica para o 919. (Foto: Porsche AG)

As 6 horas de Nurburgring, quarta etapa do Mundial de Endurance 2016, criou uma expectativa nos fãs da categoria. Após Le Mans e a triste derrota da Toyota, todos esperavam que a marca japonesa fizesse frente a Audi e principalmente Porsche. Infelizmente não foi o que se viu hoje. Os dois TS050 pareciam protótipos da classe LMP2, frente aos quatro LMP das equipes germânicas.

Com a Audi dominando a primeira fila era esperado um bom confronto com a Porsche, se o tempo permanecesse frio como nos treinos. Mesmo com o clima mais quente o embate entre o Porsche #1 de Timo BernhardMark Webber Brendon Hartley e o Audi #8 de Loic DuvalLucas di Grassi e Oliver Jarvis. A disputa entre eles foi intensa. A Audi mostrou uma constância não vista em Le Mans. Conseguiu ter mais velocidade e acompanhou e perto o ritmo do 919 Hybrid.

Classificação final

Punição do Porsche da equipe KCMG da classe GTE-AM

Punição do Porsche 919 #2 da classe LMP1

Os outros dois carros de cada equipe tiveram resultados e performances destinas. O Porsche #2, que vem fazendo boas corridas desde o início do campeonato fez uma prova atípica e atrapalhada. Ainda na primeira hora durante a ultrapassagem de retardatários acabou levando um toque do Ford GT #67. Por conta disso, rodou e perdeu contato com os líderes.

Com uma boa estratégia chegou a ficar na segunda posição. Faltando pouco mais de 1 hora para o término, se envolveu em um toque com o Porsche #88 da equipe Abu-Dhabi Proton da classe GTE-AM. Mesmo tendo danificando uma das aletas esquerdas continuou na prova. A partir deste ponto talvez o lance mais controverso da prova.

Andreas Seidl, chefe da equipe comemora o resultado: “Um grande resultado. Todos os membros da equipe na pista e em Weissach se fizeram presente para este desempenho excepcional. A equipe #1 foi capaz de explorar todo o potencial do nosso 919 e completaram a prova sem incidentes.  Infelizmente, o carro número #2 teve alguns incidentes infelizes na pista que lhes custaram uma posição superior. Melhoramos nossa vantagem de pontos no campeonato de construtores, e a equipe #2 recolheu valiosos pontos para os pilotos também. O desenvolvimento do terceiro pacote aerodinâmico se deu ao mesmo tempo que a preparação para Le Mans. O novo pacote funcionou bem durante todo o fim de semana. Nós claramente tínhamos o carro mais rápido na corrida e queremos manter o ritmo para as próximas corridas.”

Na liderança o Porsche #1 acabou cedendo a liderança para o #2, o que iria ampliar ainda mais a vantagem na classificação do campeonato. O WEC sempre se vangloriou de ser uma da últimas categorias em que se prevalece o esporte. Por conta disso o toque com o #88 serviu de escape para uma punição ao #2. Teria sido mais bonito se os dois protótipos tivessem brigado na pista entre si, e não usar a famigerada política de ceder a posição. Ponto para a direção do WEC que soube aproveitar e punir o #2.

Alpine vence terceira do ano na classe LMP2. (Foto: FIAWEC)
Alpine vence terceira do ano na classe LMP2. (Foto: FIAWEC)

Após a punição o #2 se manteve em segundo, porém acabou sucumbindo ao melhor momento dos protótipos da Audi. O #8 acabou ficando na segunda posição, seguido pelo #7 de Marcel Fassler e Andre Lotterer, que tentou uma última investida, porém sem sucesso.

Para o chefe da Audi Sport, Dr. Wolfgang Ullrich, a performance dos seus carros foi boa:  “Nós tivemos os melhores tempos de volta, mas perdemos tempo nos momentos de FCY. O que vimos na pista depois foi realmente grande corrida “

O Porsche #2 do trio formado por Romain Dumas, Marc Lieb e Neel Jani, ainda teve que fazer uma parada nos boxes para a troca da carenagem traseira após o toque do SMP #37 pilotado por Nicolas Minassian durante um dos períodos de full curse yellow. Acabou na quarta posição.

Em quinto e sexto o dois protótipos da equipe Toyota que fizeram uma corrida totalmente apagada, muito aquém do que apresentaram em Le Mans. Com um pacote de ultra downforce, não muito acertado, restou a Toyota fazer uma corrida para terminar a prova. Sendo o circuito Hermanos Rodrigues no México a próxima etapa do WEC, a grande reta pode favorecer o modelo japonês. Entre os protótipos da classe LMP1 privada, apenas os dois Rebellion R-One completaram a prova. O #13 a frente do #12. O ByKolles acabou pegando fogo, não podendo completar a corrida.

O chefe da Toyota, Pascal Vasselon, creditou o fraco rendimento ao consumo de pneus fora dos padrões. “Vimos este comportamento dos pneus apenas na F1, mas nunca no WEC.” disse após a corrida. “Os pneus, simplesmente pararam de funcionar. Nos custaram dois stints ruins. Perdíamos seis décimos por volta. Não estávamos na corrida hoje.”

Foi a primeira vez na temporada que todos LMP oficias completaram a prova sem grandes problemas.

Na classe LMP2, o Alpine #36 vence. Nicolas LapierreStephane Richelmi e Gustavo Menezes conquistaram a terceira vitória da equipe. Lapierre que fez a última parte da prova, cruzou a linha com uma vantagem de 16.478 segundos para o Ligier #43 da equipe RGR Sport de Bruno Senna, que terminou a prova. O brasileiro dividiu o P2 com Filipe Albuquerque e Ricardo Gonzales.

 

Ferrari da AF Corse vence na classe GTE-PRO. (Foto: FIAWEC)
Ferrari da AF Corse vence na classe GTE-PRO. (Foto: FIAWEC)

O esquadrão Signatech assumiu a liderança no início da quarta hora quando o Oreca #26 da G-Drive Racing que estava sendo pilotado por Alex Brundle teve que abandonar com problemas na embreagem. O LMP estava com uma volta de vantagem para os demais adversários.

Com a vitória, o #36 assume a liderança na classe, superando o trio do Ligier #43. Na terceira posição o também Ligier #31 da equipe Extreme Speed Motorsports de Pipo Derani, Chris Cumming e Ryan Dalziel. Curiosamente a ESM trocou os pneus Dunlop, pelos Michelin para tentar fazer frente aos protótipos Oreca. Se uniu a RGR para que recebessem assistência técnica da OAK Racing. Com o #43 chegando ao segundo lugar usando pneus Dunlop, as coisas não acabaram saindo conforme os planos.  

Bruno Senna, que chegou a declarar que os Oreca eram de outro planeta, comemora o resultado. “Hoje foi um daqueles dias em que praticamente deu tudo certo. As bandeiras amarelas, a não ser a primeira que não interferiu em nada, apareceram sempre em momentos favoráveis. E o nosso engenheiro é mesmo muito bom de estratégia, como já havia ficado claro em Le Mans. O cara é um ninja”.

Na classe GTE-PRO, a AF Corse fez dobradinha com o Gianmaria Bruni e James Calado na Ferrari #51 e Davide Rigon e Sam Bird na #71. Esta foi a terceira vitória da AF Corse na classe.  Ainda no começo o ritmo da equipe Aston Martin foi forte, muito pelos ajustes de BoP que receberam após Le Mans.  

Com o resultado Gianmaria Bruni é o piloto com mais vitórias na história da competição. Nicki Thiim liderou a maior parte da corrida com o Aston Martin #95. Terminou na terceira posição. Thiim dividiu o volante do Vantage V12 com  Marco Sorensen.

Aston Martin vence na classe GTE-AM. (Foto: FIAWEC)
Aston Martin vence na classe GTE-AM. (Foto: FIAWEC)

O terceiro lugar para a equipe inglesa veio após a ultrapassagem do #95 em cima do Ford GT #66 que teve que cumprir uma punição por uma infração durante seu pit stop. Oliver Pla e Stefan Muecke acabam na quarta posição, a frente do Aston #97 de Darren Turner e Richie Stanaway.

Em sexto o Porsche #77 da equipe Proton Competition de Richard Lietz e Michael Christensen. A Ford enfrentou problemas com o #67 que acabou pegando fogo durante o reabastecimento. Andy Priaulx que pilotava o carro no momento não chegou a se ferir com o incidente.

Na classe GTE-AM a Aston Martin venceu com o #98 de Paul Dalla Lana e Mathias Lauda. A segunda posição deveria ter sido do Porsche #78 da equipe KCMG dos pilotos Christian Ried, Wolf Henzler e Joel Camathias, mas problemas na altura do carro na inspeção pós corrida fizeram a equipe ser desclassificada. Assim o segundo lugar fica com a Ferrari #83 e o terceiro para o Corvette da equipe Larbre Competition.

A próxima etapa do WEC será com as 6 horas do México entre os dias 2 e 3 de Setembro.