Rubens Barrichello e Átila Abreu vencem em Goiânia pela Stock Car

Felipe Fraga continua na liderança, mas sua vantagem foi diminuída de 44 para 29 pontos em duas provas disputadas e com verdadeiras guerras estratégicas

Rubens Barrichello e Átila Abreu vencem em Goiânia pela Stock Car
(Duda Bairros/VICAR)

Palco da décima e antepenúltima etapa da Stock Car, Goiânia recebeu neste domingo duas corridas extremamente disputadas e com muita estratégia por parte de pilotos e equipes. Na primeira corrida, mais longa, vitória para Rubens Barrichello, que largou da pole position e soube segurar os ataques de um ávido Felipe Fraga; na segunda, de trinta minutos, a ordem era a economia de combustível, tática que premiou Átila Abreu com sua primeira vitória na temporada.

Os dois líderes do campeonato fizeram provas parelhas. Com Fraga no encalço de Barrichello durante todos os 45 minutos de prova - só foi ‘refrescar’ o ataque na última volta, quando cometeu um pequeno erro e perdeu o contato -, o piloto da Cimed Racing permanece na liderança do campeonato, agora com 252 pontos. O competidor de 21 anos caminhava para um pódio certo na segunda prova, mas na volta final parou sem combustível.

O pole position Barrichello, por outro lado, precisava da maior soma possível de pontos para se manter vivo na disputa e chegar mais perto de Fraga. Conseguiu. Com a vitória e o quinto lugar, somou 40 pontos em Goiânia, diminuindo sua desvantagem na tabela de 44 para 29 pontos - tendo tirado 15 do adversário.

"Agora é tudo um cálculo. Primeiro e quinto é um ótimo resultado para o fim de semana. Na primeira corrida ficamos ali, eu e o Fraga ‘trocando’ botões de ultrapassagem - quando eu usava, eu não podia errar, senão ele usaria na volta seguinte para me passar, e quando ele usava, eu ficava na minha", explicou. "Teve um momento em que o Mau (Maurício Ferreira, chefe da Medley-Full Time) entrou no rádio me disse para ganhar a corrida economizando combustível - fácil, né?", ironizou, brincando.

A economia foi a tônica da parte final da primeira prova e toda a duração da segunda. "O Fraga começou a empurrar bem no final, mas aquele um litro ou dois economizados nos ajudaram muito no fim. Foi ‘no osso’, mas deu. Estou muito feliz e Goiânia é sempre muito especial para mim", disse Barrichello, que conquistou na capital de Goiás a sua primeira vitória na Stock Car, na Corrida do Milhão de 2014.

Fraga somou bons 25 pontos que o ajudam nas provas restantes visando o título ao terminar a prova em segundo lugar. Valdeno Brito, em mais um excelente desempenho da equipe TMG Racing, conquistou a terceira posição. Marcos Gomes, Diego Nunes, Julio Campos, Daniel Serra, Nestor Girolami, Átila Abreu e Lucas Foresti fecharam os dez primeiros que largariam em ordem inversa na segunda prova.

Thiago Camilo fechou com excelente segunda colocação (Duda Bairros/VICAR)
Thiago Camilo fechou com excelente segunda colocação (Duda Bairros/VICAR)

Assim como na primeira corrida, o início foi dado com o safety car. Na bandeira verde, os pilotos viram que as condições de aderência continuavam difíceis com a pista molhada: Átila Abreu, em segundo, quase rodou na entrada da reta ao passar com o carro na zebra - mas conseguiu controlar e se manter na posição; já Foresti perdeu o controle do carro na frenagem para a primeira curva e acabou saindo da pista. 

Neste cenário, Abreu assumiu a ponta com o argentino Nestor Girolami em segundo, perseguido por Daniel Serra. Thiago Camilo prometia um final de prova emocionante, pois era o mais bem colocado entre os pilotos que havia feito o abastecimento na primeira corrida. Sem ter de economizar, a missão do piloto da Ipiranga era acelerar ao máximo e esperar pelo pit stop dos ponteiros.

A estratégia de Camilo quase deu certo. Na chuva, os carros da Stock Car viravam tempos de volta na ordem de sete a oito segundos mais lentos do que em condições de pista seca, e isso deu a oportunidade a grande parte do grid de economizar gasolina.

Entre o terceiro e o décimo lugar, muitas disputas entre Serra, Julio Campos, Felipe Fraga, Diego Nunes, Valdeno Brito, Marcos Gomes, Rubens Barrichello e Thiago Camilo. Todos trocando de posição o tempo todo. Átila conseguiu abrir distância para o argentino Girolami, enquanto o piloto da Eisenbahn Racing Team conseguia controlar bem os ataques de Serra, da Red Bull.

A duas voltas do final, decepção para o argentino: sem gasolina, nada restou ao piloto a não ser parar o carro em área segura para que a disputa prosseguisse. Para não ficar a pé, Serrinha foi aos boxes abastecer, abrindo caminho para mais um segundo lugar de Felipe Fraga. O líder do campeonato, no entanto, também ficou sem gasolina na última volta, assim como Valdeno Brito e Júlio Campos.

Na volta final, por um erro de Fraga, Barrichello conseguiu certa distância (Fábio Davini/VICAR)
Na volta final, por um erro de Fraga, Barrichello conseguiu certa distância (Fábio Davini/VICAR)

As desistências em nada afetaram Átila Abreu, que em nenhum momento deixou a liderança da prova e venceu pela primeira vez na temporada - sua primeira vitória pela equipe Shell Racing.

"Uma vitória meio dramática, mas em uma corrida muito disputada. Não tínhamos performance na pista seca. Hoje quando choveu se acendeu aquela luz no fim do túnel para nós e eu sabia que poderíamos nos dar bem nestas condições", destacou Átila. "Sabíamos que faltavam quatro ou cinco litros para completar a segunda corrida, então precisaríamos de uma intervenção do safety car no meio da corrida - o que não aconteceu", apontou.

Abreu lembra que quando conseguiu abrir três segundos para Girolami, começou a administrar o ritmo. "Mas as últimas voltas começaram a ficar dramáticas e eu gelei quando vi que o Girolami parou sem gasolina. O painel do meu carro apontava que eu não tinha mais gasolina, e fui pedindo para todos os deuses para que aquilo não acontecesse comigo, e deu certo. Estou muito feliz, pois este tem sido um ano bem difícil, e por isso agradeço a toda a equipe, que nunca desistiu do nosso trabalho", afirmou.

Camilo, que não precisava economizar, continuou forçando, mas não a tempo de alcançar o sorocabano. Mesmo assim, fechou com um excelente segundo lugar, tendo Diego Nunes, outro que soube administrar a quantidade de combustível sem abastecer, em terceiro lugar. 

Max Wilson fechou na quarta posição e Barrichello lucrou com o quinto lugar. Ricardo Zonta, Galid Osman, Marcos Gomes, Vitor Genz e Guga Lima fecharam os dez primeiros.

Na equipe Hot Car Competições (Bardahl), o final de semana em Goiânia foi bastante complicado. Na Corrida Principal, Felipe Lapenna foi obrigado a abandonar com problemas no limpador de para-brisa. A equipe conseguiu conserta-lo e o piloto completou a corrida 2 em 13º lugar, marcando pontos.

Já o companheiro Raphael Abbate vinha bem, buscando seu terceiro Top-10 seguido na Corrida Principal, quando escapou, bateu e abandonou. Os danos no carro não permitiram que o piloto disputasse a segunda prova do dia.

"Antes da corrida começar, o limpador já não funcionava. A equipe tentou trocar, mas não resolveu. Ele não limpava direito e, na quinta ou sexta volta, ele parou de funcionar. Eu não conseguia enxergar nada e ai não tinha o que fazer", contou Lapenna.

"Fomos para a segunda corrida, focados em buscar bons pontos, mas muita gente conseguiu terminar, mesmo não parando para abastecer e não deu para chegar mais à frente", completou o paulista do Stock #110.

Abbate, que ficou entre os 10 primeiros em Londrina e Curitiba na Corrida Principal, lamentou não pontuar em Goiânia. "Comecei muito bem, mas estava muito difícil de guiar. Não conseguia ver quase nada. A referência que a gente tinha era a luz de chuva do carro da frente, quando conseguia ver. Tinha momentos que o spray era tão grande que a gente nem conseguia enxergar nada", explicou.

Átila Abreu assumiu a liderança após erro de Foresti e abriu distância segura (Fábio Davini/VICAR)
Átila Abreu assumiu a liderança após erro de Foresti e abriu distância segura (Fábio Davini/VICAR)

"Mas eu vinha com um ritmo muito bom, rápido, consegui ultrapassar vários carros. Vinha brigando para fazer mais uma Top-10, mas infelizmente eu acabei cometendo um erro na curva 1, o carro derrapou e pegou aquela parte com tinta e foi deslizando até bater no guard rail. Foi uma pena. Agora vamos lutar para a próxima etapa em Curvelo, pra tentar trazer bons pontos para a equipe", finalizou o piloto do Stock #26.

Na equipe Cavaleiro Sports, Xandinho Negrão e Sérgio Jimenez tiveram duas corridas complicadas, mas conseguiram "salvar" alguns pontos. Negrão partiu dos boxes na Corrida Principal e terminou em 14º. Já Jimenez teve problemas no desembaçador do para-brisa e ainda levou um toque, que danificou o carro e o obrigou a parar. Na segunda corrida, Negrão esperava por um Safety Car, para arriscar não parar, mas o carro de segurança não "apareceu" na pista e o piloto precisou abastecer e ficou fora dos pontos. Jimenez conseguiu desenvolver bom ritmo e terminou em 11º, marcando pontos.

"A primeira corrida foi muito loteria. Fiz as primeiras 10, 15 voltas, sem enxergar praticamente nada, só tentando me manter na pista. Fui me segurando e deu pra chegar em 14º. Depois de todos os problemas, acho que foi um bom resultado", comentou Negrão, que correu pela primeira vez na pista goiana.

"Na segunda corrida, nós dependíamos de um safety car para tentar ir até o final sem parar, mas não aconteceu e eu ainda levei um toque por trás, no meio da prova, cai pro final. Enfim, foi uma corrida mais pra cumprir tabela", lembrou o piloto do Stock #99, que cruzou a linha de chegada em 17º.

Já Jimenez, que tem seis Top-10 na temporada, lamentou o final de semana complicado. "Levei o toque, mas já não estava enxergando. Eu ia parar naquela volta, porque deu um problema no meu para-brisa, meu desembaçador não funcionava e eu não enxergava nada. Largou a primeira vez, eu já ia entrar para os boxes. Mas logo deu Safety Car e fiquei tentando fazer ele funcionar, mas não deu. E, quando eu ia entrar, levei o toque e danificou o carro", contou o piloto do Stock #73.

"Deu tempo de arrumar o carro e sair para a segunda prova e foi uma boa corrida, mas não contamos com a sorte. Alguns pilotos conseguiram terminar sem abastecer. Foi um final de semana frustrante, agora precisamos rever tudo e tentar voltar a evoluir", finalizou Jimenez.

A Stock Car volta a se reunir dentro de duas semanas para a penúltima etapa da temporada, que acontecerá pela primeira vez em Minas Gerais, no recém-inaugurado Circuito dos Cristais, localizado na cidade de Curvelo. As corridas acontecem no dia 20 de novembro.

Corrida 1 - Resultado*:
1-) 111 Rubens Barrichello (Full Time Sports) - 28 voltas em 48min00s997 (média de 134,1 km/h)
2-) 88 Felipe Fraga (Cimed Racing) - a 3s822
3-) 77 Valdeno Brito (TMG Racing) - a 8s930
4-) 80 Marcos Gomes (Cimed Racing) - a 17s375
5-) 70 Diego Nunes União (Química Racing) - a 24s161
6-) 4 Julio Campos (C2 Axalta Racing) - a 27s662
7-) 29 Daniel Serra (Red Bull Racing) - a 28s655
8-) 63 Nestor Girolami (Eisenbahn Racing Team) - a 30s064
9-) 51 Átila Abreu (Shell Racing) - a 33s618
10-) 12 Lucas Foresti (Full Time-ProGP) - a 35s931
11-) 25 Tuka Rocha (RZ Motorsport) - a 37s423
12-) 46 Vitor Genz (Eisenbahn Racing Team) - a 50s859
13-) 21 Thiago Camilo (Ipiranga-RCM) - a 52s406
14-) 99 Xandynho Negrão (Cavaleiro Sports) - a 54s589
15-) 3 Bia Figueiredo (União Química Racing) - a 55s266
16-) 28 Galid Osman (Ipiranga-RCM) - a 1min18s592
17-) 83 Gabriel Casagrande (C2 Axalta Racing) - a 1min31s232
18-) 9 Guga Lima (TMG Racing) - a 1 Volta
19-) 8 Rafael Suzuki (Vogel Motorsport) - a 1 volta
20-) 117 Guilherme Salas (RZ Motorsport) - a 1 volta
21-) 65 Max Wilson (Eurofarma RC) - a 4 voltas
22-) 0 Cacá Bueno (Red Bull Racing) - a 7 voltas
NÃO COMPLETARAM
23-) 26 Raphael Abbate (Hot Car Competições) - a 14 voltas
24-) 10 Ricardo Zonta (Shell Racing) - a 17 voltas
25-) 5 Denis Navarro (Vogel Motorsport) - a 18 voltas
26-) 73 Sergio Jimenez (Cavaleiro Sports) - a 18 voltas
27-) 110 Felipe Lapenna (Hot Car Competições) - a 19 voltas
28-) 18 Allam Khodair (Full Time Sports) - a 24 voltas
29-) 90 Ricardo Mauricio (Eurofarma RC) - sem tempo
MELHOR VOLTA: Felipe Fraga, 1min33s319 (147,9 km/h)
*Resultados sujeitos a verificações técnicas e desportivas

Corrida 2 - Resultado*:
1-) 51 Átila Abreu (Shell Racing) - 19 voltas em 31min41s529 (média de 137,9 k/h)
2-) 21 Thiago Camilo (Ipiranga-RCM) - a 1s825
3-) 70 Diego Nunes (União Química Racing) - a 6s473
4-) 65 Max Wilson (Eurofarma RC) - a 10s351
5-) 111 Rubens Barrichello (Full Time Sports) - a 10s566
6-) 10 Ricardo Zonta (Shell Racing) - a 11s614
7-) 28 Galid Osman (Ipiranga-RCM) - a 12s613
8-) 80 Marcos Gomes (Cimed Racing) - a 14s612
9-) 46 Vitor Genz (Eisenbahn Racing Team) - a 16s142
10-) 9 Guga Lima (TMG Racing) - a 17s119
11-) 117 Guilherme Salas (RZ Motorsport) - a 19s913
12-) 73 Sergio Jimenez (Cavaleiro Sports) - a 22s241
13-) 8 Rafael Suzuki (Vogel Motorsport) - a 23s072
14-) 110 Felipe Lapenna (Hot Car Competições) - a 23s146
15-) 5 Denis Navarro (Vogel Motorsport) - a 24s314
16-) 29 Daniel Serra (Red Bull Racing) - a 40s024
17-) 25 Tuka Rocha (RZ Motorsport) - a 1min09s148
18-) 99 Xandynho Negrão (Cavaleiro Sports) - a 1min19s239
19-) 88 Felipe Fraga (Cimed Racing) - a 1 volta
20-) 4 Julio Campos (C2 Axalta Racing) - a 1 volta
21-) 77 Valdeno Brito (TMG Racing) - a 1 volta
22-) 3 Bia Figueiredo (União Química Racing) - a 1 volta
23-) 12 Lucas Foresti (Full Time-ProGP) - 1 volta
24-) 63 Nestor Girolami (Eisenbahn Racing Team) - a 2 voltas
NÃO COMPLETARAM
25-) 0 Cacá Bueno (Red Bull Racing) - 6 voltas
26-) 83 Gabriel Casagrande (C2 Axalta Racing) - a 10 voltas
MELHOR VOLTA: Thiago Camilo, 1min32s829 (148,7 k/h)
*Resultados sujeitos a verificações técnicas e desportivas

Classificação do Campeonato:
1-) Felipe Fraga, 252 pontos
2-) Rubens Barrichello, 223
3-) Valdeno Brito, 189
4-) Marcos Gomes, 165
5-) Diego Nunes, 159
6-) Max Wilson, 159
7-) Daniel Serra, 157
8-) Vitor Genz, 149
9-) Átila Abreu, 146
10-) Cacá Bueno, 138
11-) Allam Khodair, 137
12-) Ricardo Mauricio, 135
13-) Thiago Camilo, 123
14-) Galid Osman, 113
15-) Julio Campos, 108
16-) Ricardo Zonta, 108
17-) Sergio Jimenez, 101
18-) Gabriel Casagrande, 73
19-) Rafael Suzuki, 72
20-) Denis Navarro , 71
21-) Nestor Girolami, 71
22-) Guga Lima, 71
23-) Lucas Foresti, 65
24-) Raphael Abbate, 64
25-) Felipe Guimarães, 51
26-) Bia Figueiredo, 50
27-) Popó Bueno, 46
28-) Felipe Lapenna, 41
29-) Tuka Rocha, 36
30-) Danilo Dirani, 30
31-) Xandynho Negrão, 22
32-) Luciano Burti, 11
33-) Guilherme Salas, 6
34-) Fabio Carbone, 2
35-) Alceu Feldman, 0
36-) Thiago Marques, 0
37-) Beto Cavaleiro, 0 
38-) Cezar Ramos, 0