Hamilton iguala Prost, vence GP do México e acirra disputa pelo título da Fórmula 1 em 2016

Com o triunfo, oitavo do ano, o inglês agora está empatado com Alain Prost como segundo maior vencedor da história da categoria, com 51 vitórias; Massa fica em o nono, e Nasr termina em 15º

Hamilton iguala Prost, vence GP do México e acirra disputa pelo título da Fórmula 1 em 2016
Hamilton (centro), Rosberg (esq.) e Vettel (dir.) foram ao pódio (Foto: Clive Mason/Getty Images)

Lewis Hamilton fez história novamente. Neste domingo (30), ele venceu o Grande Prêmio do México, antepenúltima etapa da temporada de 2016 da Fórmula 1, e alcançou uma marca história: chegou à 51 vitórias na carreira, igualando o segundo maior vencedor da história da categoria, o francês Alain Prost. Agora, apenas Michael Schumacher tem mais vitórias que os dois, com 91 triunfos.

Além de chegar ao fantástico número, o inglês tirou mais sete pontos da vantagem do líder do campeonato e companheiro de Mercedes, Nico Rosberg, que chegou em segundo. Porém, o alemão segue na ponta com uma vantagem relativamente confortável, de 19 pontos (349 x 330). O piloto do #6 precisa de um segundo e um terceiro lugar nas duas últimas provas, no Brasil (13 de novembro) e Abu Dhabi (27 de novembro) para conquistar o primeiro título, enquanto o #44 busca o tetra (curiosamente, o mesmo número de títulos de Prost).

Rosberg foi o segundo e agora tem 19 pontos de vantagem na liderança (Foto: Lars Baron/Getty Images)
Rosberg foi o segundo e agora tem 19 pontos de vantagem na liderança (Foto: Lars Baron/Getty Images)

O outro lugar do pódio no Autódromo Hermanos Rodríguez foi motivo de polêmica. Nas voltas finais da prova, Max Verstappen segurou o terceiro lugar na briga com Sebastian Vettel, mas saiu da pista em determinado momento e ganhou tempo por fora. O holandês da Red Bull foi advertido pela equipe a devolver a posição, mas ignorou os pedidos e manteve-se à frente do alemão da Ferrari. Verstappen cruzou em terceiro e iria ao pódio, mas na sala de espera dos pilotos acabou sendo punido pela direção de prova com a adição de 5s em seu tempo de corrida. Com isso, Vettel, que já estava se deslocando à zona mista, foi chamado pelos comissários e assumiu o posto final do pódio.

Daniel Ricciardo foi o quarto colocado, quase tendo conseguido o terceiro posto (com a atitude de Verstappen, ele chegou em Vettel e os dois se tocaram na briga por posição, mas o australiano não se deu bem). Verstappen caiu para quinto com a punição, seguido por Kimi Räikkönen, com a outra Ferrari, e Nico Hülkenberg, da Force India. Os dez primeiros e pontuáveis foram completados pela dupla da Williams, com o finlandês Valtteri Bottas e o brasileiro Felipe Massa, e pela Force India do mexicano e dono da casa Sergio Pérez. O outro brasileiro, Felipe Nasr, foi o 15º colocado com sua Sauber.

Vettel cruzou em quarto, mas com a punição de Verstappen, foi - literalmente - correndo ao pódio (Foto: Divulgação/F1)
Vettel cruzou em quarto, mas com a punição de Verstappen, foi - literalmente - correndo ao pódio (Foto: Divulgação/F1)

Hamilton mantém ponta na largada, e Ricciardo parte para estratégia diferente

Na largada, Hamilton travou os pneus e chegou a sair da pista na primeira curva, mas manteve a ponta. Logo atrás dele, Rosberg e Verstappen dividiram a primeira perna, e o holandês chegou a ficar com a segunda posição por certo tempo, mas o alemão conseguiu manter seu lugar original. Hülkenberg largou bem e pulou para quarto, com Räikkönen em quinto. Ricciardo, Massa (ganhou duas posições), Vettel, Bottas e Pérez fechavam o top-ten.

Na parte de trás, Esteban Gutiérrez tocou em Pascal Wehrlein na curva 2. O alemão, com isso, acabou rodando, acertou a Sauber de Marcus Ericsson e abandonou a prova. Graças ao acidente, o safety-car foi acionado, e enquanto isso, Ricciardo decidiu trocar de estratégia e parou logo na primeira volta, trocando os pneus supermacios pelos médios.

Gutiérrez bateu em Wehrlein, que acertou Ericsson e abandonou; ninguém foi punido (Foto: Divulgação/F1)
Gutiérrez bateu em Wehrlein, que acertou Ericsson e abandonou; ninguém foi punido (Foto: Divulgação/F1)

Na quarta volta, a bandeira verde foi acionada novamente, e Hamilton logo aproveitou para fazer voltas mais rápidas e disparar na frente. Duas voltas depois, os comissários da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) decidiram investigar três incidentes da largada: o toque entre Rosberg e Verstappen (não houve punição), o acidente que envolveu Ericsson, Gutiérrez e Wehrlein (também sem sanções) e a fechada de Carlos Sainz Jr em Fernando Alonso (o primeiro foi punido com 5s adicionais em seu tempo total de corrida por jogar o segundo na grama).

Após dez voltas, o grupo dos dez primeiros se mantinha igual, com Ricciardo escalando o grid e aparecendo logo atrás em 11º (após a parada inicial, o australiano era o 17º). Na volta 13, Verstappen foi o segundo dos pilotos da frente a parar, também colocando os pneus médios. No mesmo giro, Massa e Vettel protagonizaram a primeira grande ação após o safety-car: o alemão da Ferrari tentou atacar o brasileiro da Williams na zona de DRS, mas Massa segurou a quinta posição, gerando reclamações de Vettel – no rádio, o piloto do #5 considerou que o #19 desacelerou excessivamente de forma “estúpida”.

Massa segurou Vettel por várias voltas, e o alemão não gostou (Foto: Divulgação/F1)
Massa segurou Vettel por várias voltas, e o alemão não gostou (Foto: Divulgação/F1)

Ordem de equipe na Red Bull e Vettel tentando surpreender com stint longo

Na volta 17, Hamilton fez a sua primeira parada, colocando os pneus médios em apenas 2s1. Quatro giros depois, Rosberg também parou e voltou em terceiro, atrás de Vettel (que não havia parado) e das Red Bulls de Ricciardo e Verstappen, que passaram a duelar pelo quarto lugar. O holandês vinha mais rápido, com pneus 13 voltas mais novos, e avisou no rádio que vinha melhor. Dito e feito: poucas curvas depois, o australiano abriu o caminho a pedido da equipe e permitiu a ultrapassagem de seu companheiro. Logo em seguida, mais uma briga entre colegas de escuderia, com as Williams de Bottas e Massa disputando o oitavo posto – o finlandês ultrapassou o brasileiro, dessa vez sem ordens. Na volta 25, Massa também foi atacado por Pérez, mas o piloto da casa passou reto na primeira curva e perdeu tempo.

Com 32 voltas, depois de ignorar os pedidos da Ferrari por algumas vezes, Vettel enfim foi aos boxes, sendo o último dos pilotos do primeiro pelotão a parar (somado com as voltas da classificação, seu pneu teve 36 voltas de desgaste). O alemão voltou com os pneus médios e em sexto lugar, atrás de seu companheiro Räikkönen. No período seguinte, durante algumas voltas, duas disputas capitalizaram a atenção da corrida: Rosberg e Verstappen pela segunda posição, e Massa e Pérez pelo nono lugar, mas em nenhum dos dois casos ocorreu a ultrapassagem.

Graças a uma ordem de equipe, Verstappen (frente) ultrapassou Ricciardo (Foto: Lars Baron/Getty Images)
Graças a uma ordem de equipe, Verstappen (frente) ultrapassou Ricciardo (Foto: Lars Baron/Getty Images)

Na frente, Rosberg apertava o ritmo para manter-se à frente de Verstappen, mas não conseguia sequer ameaçar Hamilton, que seguia com a liderança sem sustos e enfileirando uma sequência de voltas mais rápidas. Enquanto isso, Räikkönen abriu a sequência de pilotos do pelotão inicial que iriam para uma segunda e última parada, colocando os pneus médios na volta 46.

Hamilton vence, e Vettel e Verstappen se envolvem em polêmica resolvida só após o fim da prova

Na volta 50, veio a grande ação até então da parte final da prova: Verstappen viu o espaço e resolveu atacar Rosberg com força. O holandês foi para cima pelo segundo lugar, mas travou os pneus, balançou seu carro, passou reto e não só acabou tendo que se contentar sem a ultrapassagem, mas também se distanciou de seu rival e perdeu as chances de ganhar a posição. Duas voltas depois, Ricciardo parou e colocou pneus macios, voltando em sexto e logo ultrapassando Hülkenberg pelo quinto lugar, além de fazer a volta mais rápida da prova. Com 56 voltas, os comissários agiram novamente e puniram Daniil Kvyat, por considerarem que o piloto da Toro Rosso ganhou vantagem ao sair da pista durante uma disputa com a Haas de Romain Grosjean.

Verstappen atacou Rosberg pelo segundo lugar, mas passou reto (Foto: Divulgação/F1)
Verstappen atacou Rosberg pelo segundo lugar, mas passou reto (Foto: Divulgação/F1)

Na parte final da prova, Vettel, que tinha pneus mais novos graças ao longo stint inicial, começou a andar bem mais rápido que Verstappen, chegando a tirar mais de um segundo por volta em determinados momentos. Com isso, mesmo reclamando dos retardatários no rádio, o alemão começou a encostar cada vez mais no holandês, em briga que valia a última posição no pódio. A quatro voltas do fim, Räikkönen e Hülkenberg protagonizaram grande ação ao dividirem curva na briga pela sexta posição. Os dois se tocaram, com o alemão da Force India levando a pior e rodando, mas mesmo assim voltando no mesmo sétimo lugar. Mas o grande momento da corrida veio logo depois.

Na disputa pelo pódio, Vettel chegou em Verstappen, atacou na curva 1, e o holandês saiu da pista, ganhando tempo. Com isso, a Red Bull exigiu que Verstappen devolvesse a posição, mas o holandês ignorou as ordens e seguiu segurando Vettel, provocando a ira do alemão (que chegou a xingar a direção de prova no rádio). O ato do #33 fez com que Ricciardo chegasse na briga, atacando Vettel pelo quarto posto. Os dois se tocaram, mas o #5 manteve-se à frente do #3.

Verstappen segurou Vettel no fim, depois foi punido, e Ricciardo quase conseguiu o pódio (Foto: Divulgação/F1)
Verstappen segurou Vettel no fim, depois foi punido, e Ricciardo quase conseguiu o pódio (Foto: Divulgação/F1)

Após o fim da prova, com Vettel e Verstappen fazendo gestos de negação um ao outro, os pilotos conduziram-se ao pódio, mas aí veio o grande momento: a direção de prova puniu Verstappen com 5s em seu tempo total de prova, e o holandês caiu de terceiro para quinto. Com isso, o piloto da Red Bull, que já estava na sala de espera para o pódio, foi retirado, e o tetracampeão mundial, que já estava se deslocando à zona mista, foi chamado para o grupo dos três primeiros.

Assim, a prova se encerrou com a 51ª vitória de Hamilton, igualando Prost como segundo maior vencedor da história, e Rosberg e Vettel fechando o pódio. Ricciardo foi promovido ao pódio e Verstappen caiu para o quinto lugar. Räikkönen foi o sexto e Hülkenberg o sétimo, com Bottas, Massa e Pérez fechando os dez primeiros e pontuáveis. Felipe Nasr foi o 15º.

Confira a classificação do Grande Prêmio do México de 2016 de Fórmula 1:

POS. # PILOTO PAÍS EQUIPE TEMPO PTS
44 LEWIS HAMILTON ING MERCEDES 25
6 NICO ROSBERG ALE MERCEDES +8s354 18
5 SEBASTIAN VETTEL ALE FERRARI +17s313 15
3 DANIEL RICCIARDO AUS RED BULL +20s858 12
33 MAX VERSTAPPEN HOL RED BULL +21s323 10
7 KIMI RÄIKKÖNEN FIN FERRARI +49s376 8
27 NICO HÜLKENBERG ALE FORCE INDIA +58s891 6
77 VALTTERI BOTTAS FIN WILLIAMS +1min05s612 4
19 FELIPE MASSA BRA WILLIAMS +1min16s206 2
10º 11 SERGIO PÉREZ MÉX FORCE INDIA +1min16s798 1
11º 9 MARCUS ERICSSON SUÉ SAUBER +1 VOLTA -
12º 22 JENSON BUTTON ING MCLAREN +1 VOLTA -
13º 14 FERNANDO ALONSO ESP MCLAREN +1 VOLTA -
14º 30 JOLYON PALMER ING RENAULT +1 VOLTA -
15º 12 FELIPE NASR BRA SAUBER +1 VOLTA -
16º 55 CARLOS SAINZ JR ESP TORO ROSSO +1 VOLTA -
17º 20 KEVIN MAGNUSSEN DIN RENAULT +1 VOLTA -
18º 26 DANIIL KVYAT RÚS TORO ROSSO +1 VOLTA -
19º 21 ESTEBAN GUTIÉRREZ MÉX HAAS +1 VOLTA -
20º 8 ROMAIN GROSJEAN FRA HAAS +1 VOLTA -
21º 31 ESTEBAN OCON FRA MANOR +2 VOLTAS -
22º 94 PASCAL WEHRLEIN ALE MANOR ABANDONOU -
Hamilton vibrou bastante com seu primeiro triunfo no México (Foto: Clive Mason/Getty Images)
Hamilton vibrou bastante com seu primeiro triunfo no México (Foto: Clive Mason/Getty Images)