Pequim 2008: Olimpíada mais cara da história e trouxe benefícios temporários

Olimpíada mais cara da história trouxe benefícios temporários; Jogos Olímpicos de Inverno querem dar novo aproveitamento aos "elefantes brancos"

Pequim 2008: Olimpíada mais cara da história e trouxe benefícios temporários
Legado Olímpico? O que ficou e o que mudou na China desde a Olimpíada de Pequim 2008

A Olimpíada de 2008, disputada em Pequim, ficou marcada como a primeira realizada na China, 22ª nação a sediar o evento dos Jogos Olímpicos de Verão. Em uma edição em que o governo não poupou gastos para realização da eventualidade a nível mundial, as polêmicas sobre a cultura do país, os protestos com dinheiro utilizado se fizeram presente, embora, bem como um legado para outros eventos esportivos decididos por ocorrer na localidade.

Nanquim, capital da província de Jiangsu, na República Popular da China, recebeu os Jogos Olímpicos de Verão da Juventude em 2014. No processo de candidatura, a China venceu a disputa apertada com Poznań, na Polônia, pelo direito de ser novamente país-sede de um evento esportivo mundial.

Já os Jogos Olímpicos de Inverno estão marcados para 2022, quando Pequim se tornará a primeira cidade a receber as edições de inverno e verão das Olimpíadas. Apesar disso, o número elevado dos chamados elefantes-brancos, os altos custos e o abandono de locais-sede são polêmicas procedentes dos Jogos Olímpicos de 2008.

O que melhorou e o que piorou após os jogos?

A infraestrutura na capital chinesa recebeu melhorias consideráveis, bem como o transporte público local. As linhas de metrô foram expandidas, assim como as ciclovias, despertadas como alternativa de transporte. A rede hoteleira manteve um legado de 2008, na disponibilidade maior em Pequim e com o choque cultural em uma localidade tão distinta do mundo ocidental.

Na época da Olimpíada, em 2008, o controle das indústrias e do alto número de carros foi feito para facilitações no trânsito e redução da preocupante poluição do ar. Em 2014, o Índice de Qualidade do Ar de Pequim atingiu 755 pontos, em escala na qual o razoável é de, no máximo, 500. Durante a execução dos Jogos Olímpicos, este era o panorama, mas não é mais cumprido.

O crescimento desproporcional da cidade, a poluição industrial e dos veículos são tão grandes que formam panoramas assustadores até aos moradores das metrópoles brasileiras mais populosas, como São Paulo. Uma nuvem de poluentes constitui um cartão postal indigesto de Pequim, sobrevoando a cidade e seu skyline (panorama urbano). O topo de prédios e os que se localizam a apenas quadras de distância ficam escondidos pelo acúmulo de poluição no ar.

Em países subdesenvolvidos, existe essa preocupação. O holofote do evento, com varreduras e/ou contenções de problemas nem sempre torna-se uma política a longo prazo. E isto foi notado na China pelos depoimentos de jornalistas que estiveram no país após os Jogos Olímpicos de 2008.

Investimentos esportivos e situação olímpica do país

A China passou a ter uma política de investimento esportivo a partir das Olimpíadas de 1984, em Los Angeles, quando os chineses romperam um isolamento de competições que perdurava no país. Após retornar efetivamente ao convívio olímpico e demais competições do esporte, a China pode escalar o quadro de medalhas até a superpotência que é hoje em dia.

Na Olimpíada caseira em Pequim, houve a quebra do recorde de medalhas chinesas, ao atingirem o primeiro lugar geral no quadro de medalhas. Foram 51 medalhas de ouro, 21 de prata e 28 de bronze, totalizando 100 medalhas na edição. Na edição anterior de Atenas (2004) e na posterior de Londres (2011), os chineses ocuparam o segundo lugar geral, atrás dos Estados Unidos.

A expectativa aos Jogos Olímpicos no Brasil é da disputa direta pelo "pódio" do quadro geral de medalhas. O primeiro lugar não é descartado, mas o segundo é bem possível de ser mantido no Rio de Janeiro. Conhecidos mundialmente por desempenhos em badminton e tênis de mesa, os chineses expandiram sua prática esportiva para diversas modalidades, sendo potentes também nas práticas aquáticas.

O problema dos elefantes brancos

A economia chinesa é expansiva e crescente, com novas aberturas e produções em série. Porém, muitas das instalações olímpicas não constituem cenário favorável às cifras e à prática de modalidades. O legado de déficit existe em relação a algumas construções feitas para sediar os Jogos Olímpicos de 2008.

A Liga Chinesa de futebol cresceu com contratação de atletas estrangeiros e presença de públicos grandes, de invejar clubes brasileiros e de outros tradicionais países do ocidente. Entretanto, o Estádio Nacional de Pequim, conhecido por Ninho de Pássaro, conta com pouca utilização neste período de seis anos após a disputa olímpica.

Recebendo eventos esporádicos, como a final da Copa da Itália em 2011 e amistoso entre Brasil e Argentina em 2014. Outros eventos e shows são realizados, mas nada que cubra ou repasse o valor gasto, equivalente a mais de 430 milhões de dólares. Na atualidade, recebe o jogo entre Manchester United e Manchester City em 25 de julho de 2016. São as formas de amansar o pesado preço aos bolsos chineses proporcionado pelo Ninho de Pássaro.

Se o resultado com medalhas é positivo nas modalidades aquáticas, o uso efetivo do Centro Aquático Nacional de Pequim, conhecido como Cubo d'Água, não existe. O legado ficou por conta de um parque aquático em seu interior, frequentado por turistas, que apreciam a obra nas temporadas de verão. Outro elefante branco, que custou o equivalente a 550 milhões de dólares.

Controle de gastos e futuro com Jogos Olímpicos de Inverno

A Olimpíada de 2008 foi a de maior investimento da história. Através das descrições feitas até aqui, percebe-se a má utilização dos recursos feita pelos chineses. O gasto de cerca de 32 bilhões de dólares só deve ser sanado em previsão de 30 anos. Três décadas para China reinventar o uso prudente e economicamente e buscar maior aplicabilidade aos investimentos pesados que passou Pequim.

As leis de trânsito e o investimento em linhas de metrô sucumbem ao crescimento ainda muito desordenado da megalópole. Há planos chineses para a conexão de Pequim a outras cidades da região, na formação de uma super-megalópole, uma população de mais de 130 milhões dentro de uma área do tamanho do estado de São Paulo.

Os Jogos Olímpicos de Inverno serão disputados de 4 a 22 de fevereiro de 2022. Se as ferrovias e metrôs melhoraram o transporte nos últimos anos, segue o investimento para conectar a população dentro das cidades e de Pequim a outras, como, por exemplo, a linha Pequim-Zhangjiakou.

Os valores com obras para os Jogos Olímpicos de Inverno também baixam, com orçamento de 3,9 bilhões de dólares, bem menos que os 43 bilhões de gastos com os Jogos de 2008.

A importância da Olimpíada passada para o novo desafio é o aproveitamento de espaços. O Estádio Nacional de Pequim, o polêmico Ninho de Pássaro receberá cerimônias de abertura e encerramento. A vila olímpica também receberá ajustes para reutilização e o Estádio Nacional Indoor, que recebeu provas de ginástica e handebol, receberá dessa vez o hóquei no gelo.