Legado Olímpico: as memórias de Helsinque, a menor cidade-sede da história das Olimpíadas

Com a nomeação interrompida devido a Segunda Guerra Mundial em 1940, a capital da Finlândia foi escolhida novamente para sediar os Jogos de 1952

Legado Olímpico: as memórias de Helsinque, a menor cidade-sede da história das Olimpíadas
Legado Olímpico: as memórias de Helsinque, a menor cidade-sede da história das Olimpíadas

A Olímpiada de Helsinque foi a segunda a acontecer após a última guerra mundial. A capital da Finlândia, que na época tinha apenas 357 mil habitantes, havia sido escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 1940. Com a competição esportiva cancelada devido a eclosão do conflito, o local foi novamente selecionado para se tornar cidade-sede dos Jogos Olímpicos em 1952. Apesar do clima de tensão que pairava, o espírito de paz sobressaiu no evento esportivo. Foi nessa competição que a União Soviética participou pela primeira vez dos Jogos como uma nação.

Nessa Olímpiada, não só recordes de modalidades foram superados. Helsing registrou o maior número de países e atletas participantes até então nos Jogos Olímpicos. Foram 69 nações e 4.955 atletas, sendo 519 mulheres. Além disso, a cidade contou com uma estrutura grandiosa para receber o evento. A vila Olímpica por exemplo, tinha instalações para receber seis mil esportistas. O parque aquático foi feito para receber 11 mil espectadores. Já o Estádio Olímpico contava com uma capacidade para 70 mil pessoas. Tudo isso para receber o maior evento esportivo do mundo. 

O atletismo ficou conhecido como a modalidade destaque dessas Olimpíadas, 16 recordes olímpicos e 4 mundias foram quebrados na competição. Um bom exemplo do significado que os Jogos trazem para o mundo aconteceu na premiação deste esporte. Quando um norte-americano venceu a prova de salto com vara, no pódio, os outros dois atletas que eram soviéticos fizeram questão de parabenizar o vencedor pela conquista. Uma mostra que o espírito olímpico quebra barreiras, transcende conflitos étnicos, políticos ou ideológicos.

Os jogos Olimpícos trouxeram um grande legado para os Finlandeses, tanto em termos de estrutura como de economia. Com o país devastado por ter participado da segunda guerra mundial, o evento proporcionou uma reestruturação econômica importante na principal cidade da Finlândia. Em termos estruturais, as instalações olímpicas contribuiram para o desenvolvimento urbano do local. A vila olímpica, após as olímpiadas, se tornou moradia para habitantes de classe média baixa. Na política, o país estendeu suas relações internacionais. Onde o contato com Governos Europeus e a ampliação da relação com outras nações fizeram o território ser conhecido mundialmente, inclusive com a construção do Aeroporto Internacional de Helsinki-Vantaa.

Apesar dos recordes e do bom legado da Olimpíada de Helsinque, não há como estabelecer uma comparação com a forma com que o evento é realizado hoje. Há mais de 50 anos atrás o mundo era completamente diferente, e as circustâncias também. Os jogos olímpicos feitos nos moldes atuais exigem muito mais recursos financeiros, assim como disponibilidade das cidades-sedes. A mudança que a realização das Olimpíadas proporciona para um país atualmente é maior do que antigamente. A diferença é que essa mudança nem sempre traz benefícios para a população nos dias atuais.

No caso da Finlândia, pela conjuntura que o país se encontrava, os benefícios gerados com a Olimpíada foram grandes. O estádio olímpico por exemplo, teve sua capacidade diminuída e ainda recebe eventos esportivos da cidade. As instalações foram preservadas e até os dias atuais a população usufrui desses locais. Helsinque atualmente é considerada uma das melhores cidades para se viver no mundo. Meesmo muitos anos depois, a capital Finlandesa continua sendo uma cidade muito pequena, com aproximadamente 600 mil habitantes. Um verdadeiro exemplo de preservação a ser seguido.