Campeã olímpica, Rafaela Silva e goleiro Aranha sobre racismo no esporte: "Um mal que deve acabar"

Em entrevista coletiva com participação da secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a medalhista de ouro no Judô e o goleiro da Ponte Preta comentam sobre o racismo no Brasil

Campeã olímpica, Rafaela Silva e goleiro Aranha sobre racismo no esporte: "Um mal que deve acabar"
Campeã olímpica, Rafaela Silva e goleiro Aranha sobre racismo no esporte: "Um mal que deve acabar"/ Foto: Renato Miyaji/ VAVEL Brasil

Nesta quarta-feira (10), foi realizada uma entrevista com a participação da campeã olímpica Rafaela Silva, o goleiro da Ponte Preta Aranha e a secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luislinda Valois, sobre a situação do negro não só no esporte, mas no país em geral.

Durante a conversa com os jornalistas, a medalhista de ouro relatou um pouco de sua experiência: "No judô, por ser um esporte que ensina o respeito e tem como referência um negro - o francês Teddy Riner -  que é oito vezes campeão mundial, não cheguei a sofrer muito pelo racismo. Por exemplo, na segunda-feira lutei com uma atleta da Romênia e logo no dia seguinte, já estavámos nos abraçando na Vila Olímpica."

Em relação às oportunidades que teve, declarou: "Tem pessoas que dizem que nós não temos, mas não é necessariamente verdade, são as pessoas que não aproveitam. Eu, por exemplo, aproveitei e desde a primeira vez que pisei no tatâmi, meu professor me ajudou a canalizar minha vontade e raiva, para vencer" e admitiu: "Nunca pensei que um dia iria sair da minha comunidade (Cidade de Deus), ir passear na Zona Sul do Rio, conhecer São Paulo e sair do país, mas conquistei tudo isso." 

No entanto, o goleiro Aranha - vítima de preconceito racial em uma partida entre Grêmio e Santos em Porto Alegre - e a secretária Valois não compatrilham a mesma opinião. "No Brasil, onde o Estado não chega, o crime se espalha. Por isso, é muito difícil para um negro ascender socialmente. Não temos as mesmas condições" afirmou esta. "Necessitamos de muito trabalho e de espelhos para sabermos que, sim, é possível ser bem sucedido" disse o ex-goleiro do Palmeiras.

Além de discutir sobra a situação do negro, Luislinda Valois, adiantou o lançamento da campanha "Olimpíadas sem Racismo" pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e de sua cartilha contra o racismo. A secretária ressaltou a importância de conscietizar as vítimas de discriminação racial sobre seus direitos de recorrer à justiça e punir os agressores, citando como exemplo o próprio Aranha.

Ademais, ainda elogiou o legado que os Jogos Olímpicos Rio 2016 deixarão para a população negra. "Agora nós, negros, temos uma nova referência: a Rafaela!" disse e completou: "Antes, a Praça Mauá (RJ) era o local onde os negros eram escravizados, vendo agora, com as reformas promovidas pelo governo, vemos que a vida do negro no Brasil está melhorando cada vez mais".