A História é escrita pelas Olimpíadas

Com uma linha do tempo que percorre fatos e desenvolvimentos da escrita do homem no mundo, os Jogos Olímpicos marcam uma Era

A História é escrita pelas Olimpíadas
(Foto:Getty Imagens)

Os Jogos Olímpicos Modernos são disputados desde 1896, organizados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), fundado pelo Barão Pierre de Coubertin em 1894. O Barão francês buscou resgatar o espírito olímpico que se disseminava em vários eventos da Antiguidade, devido a independência da Grécia, em 1830 que saiu da dominação dos turcos. Reviver os Jogos Olímpicos foi uma maneira de valorizar a cultura grega e angariar apoio dos simpatizantes.

Além do motivo principal, a Segunda Revolução Industrial proporcionou melhores condições financeiras, possibilitando a popularização dos esportes de massa e que pessoas tivessem estímulos para se tornar atletas. Outro fator importante para o crescimento esportivo foi o desenvolvimento da mobilidade, em que navios, aviões e linhas férreas proporcionaram a chegada de inúmeros atletas do mundo todo para as competições cada vez mais mundiais.

Estádio Panatenaico, construído em 536 a. C (Foto:Folha Press)
Estádio Panatenaico, construído em 536 a. C (Foto:Folha Press)

A origem da Olímpiada

Os Jogos Olímpicos da Antiguidade eram uma homenagem a Zeus, o principal deus do panteão grego, cujo propósito dos Jogos era reunir, única e exclusivamente, os cidadãos gregos para competir em prol da sua maior divindade. O evento era realizado em ciclos de quatro anos, em quatro cidades diferentes: Olímpia, Delfo, Neméia e Istmo.

As principais modalidades daquela época eram: arremesso de disco, corridas, salto em distância, corridas de carruagens e uma corrida de Hoplitas, em que guerreiros corriam com um elmo, cnêmides e um escudo de bronze. A maioria das atividades era feita sem roupas e quem fosse o vencedor recebia uma coroa de ramos de oliveira.

A derivação do nome Olimpíada é devida a existência do monte Olimpo, onde supostamente residiriam os deuses gregos e segundo os registros históricos, a primeira Olimpíada ocorreu em 776 a.C e perdurou até 393 d.C quando os romanos destituíram os Jogos, pois, os consideravam pagãos e contra a cultura católica.

Para fazer uma observação da grandiosidade deste evento mundial criado na Antiguidade e presente no mundo Contemporâneo, podem-se comparar os números dos Jogos. Em Atenas, onde se registra os primeiros Jogos Modernos, 1896, teve a participação de 14 países que enviaram aproximadamente 240 atletas para as 43 modalidades. Nesse mês de agosto, no Rio de Janeiro, aconteceram 306 competições diferentes com a participação de 10 500 atletas de 206 países.

As vertentes dos Jogos Clássicos

Em 1924, na França, foi criado os Jogos Olímpicos de Inverno. Antes, este evento era seguido do fim dos Jogos Clássicos, contudo, em 1992 decidiu-se separar em um intervalo de dois anos os Jogos de Verão dos de Inverno. Além do período distinto, o local sede também é diferente.

Em 1960 foram criadas as Paraolimpíadas, após a Segunda Guerra Mundial. Houve um grande aumento de competições voltadas aos veteranos de guerra, muitas vezes eram formados por pessoas mutiladas ou que sofreram algum tipo de acidente durante o conflito mundial. Um exemplo de competição que influenciou a criação das Paraolimpíadas aos ex-combatentes foi o basquete em cadeira de rodas.

Espírito olímpico

Hoje em dia, o espirito olímpico é simbolizado pela medalha Pierre de Coubertin, que é concedida como prêmio para as pessoas que tem inteligência esportiva suprema. Somente 19 atletas conseguiram receber essa medalha, três delas foram póstumas. Um brasileiro foi merecedor, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima que em Atenas, 2004 foi interrompido em sua prova por um padre irlandês enquanto liderava a corrida, teve a ajuda de um expectador grego que o apoiou para continuar e chegar na terceira posição e conquistar a medalha de bronze na Olimpíada.

O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, seu bronze e menção da medalha Pierre de Coubertin (Foto: Marcos Guerra)
O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, seu bronze e menção da medalha Pierre de Coubertin (Foto: Marcos Guerra)

Outro símbolo olímpico que foi inventado foi a tocha juntamente da pira. Os alemães trouxeram a ideia para a Olimpíada de Berlim em 1936 com o intuito de mostrar os valores antigos dos gregos era totalmente parecido com os valores do Terceiro Reich. 

A concepção olímpica clássica era a celebração de uma divindade, eles não recebiam bens materiais e a intenção era que os participantes não fossem profissionais. Este assunto é debatido até os dias atuais, pois os boxeadores olímpicos não podem ter profissionalização. No basquete, por exemplo, foram aceitos jogadores das Ligas apenas em 1992, sendo assim, os Estados Unidos pode formar o histórico Dream Team.

Temos que destacar também alguns atletas como Jesse Owens, um negro que conquistou quatro medalhas de ouro em Berlin. Ele lutava contra o racismo que existia dentro dos Estados Unidos e a política antissemita nazista. O polonês Kozakiewicz simulou um gesto de uma banana com os braços em pleno estádio Soviético, em 1980, o protesto era devido a ditadura polonesa que os soviéticos impuseram em território polonês. Outro momento histórico foi quando Tommie Smith e John Carlos fizeram os gestos dos panteras negras em 1968, no México.

Os atletas Jesse Owens, Tommie Smith e John Carlos, Abebe Bikila e Kozakiewicz (Foto: VAVEL Brasil/ Hugo Alves)
Os atletas Jesse Owens, Tommie Smith e John Carlos, Abebe Bikila e Kozakiewicz (Foto: VAVEL Brasil/ Hugo Alves)

Em 1980, período da Guerra Fria, tivemos o boicote dos Estados Unidos como uma maneira de protestar contra a invasão dos Soviéticos em território do Afeganistão. Relatos apontam que os estadunidenses não participaram da maioria dos esportes porque foi descoberto um esquema fraudulento de dopping por parte dos atletas da URSS.

Na edição seguinte dos Jogos, quatro anos depois, a União Soviética alegou que a segurança não seria adequada para a realização do evento. O boicote soviético na edição de Los Angeles, 1984 refletiu na intensa exploração comercial apostada no evento, pois grandes marcas haviam se associado ao Jogos Olímpicos, como o Mc Donald's.

Essas não foram as únicas vezes que EUA e URSS se confrontaram direta e indiretamente os Jogos. Em 1972, os soviéticos ganharam a disputa da final no basquete sobre os estadunidenses. Já os norte-americanos devolveram esse revés em 1980 quando venceram os soviéticos em uma partida de hockey no gelo que foi apelidado como "milagre sobre o gelo".

Momentos da História mundial permeiam as Olimpíadas. A descolonização da África e Ásia pode ser lembrada quando o etíope Abebe Bikila conquistou a primeira medalha para o continente africano ao vencer em 1960 a maratona em Roma, ele finalizou a prova, descalço.

Munique, 1972. Este fato marcante nas Olimpíadas ocorreu quando a organização Setembro Negro da Palestina invadiu a vila olímpica e executou 11 atletas de Israel que eram reféns deles. O suposto motivo era uma invasão e destruição de duas vilas palestinas por israelenses. Os terroristas solicitaram a soltura de muitos prisioneiros palestinos e alemães. O ataque do Setembro Negro foi, até hoje, o maior atentado terrorista já ocorrido em um evento esportivo.

Pela primeira vez nos Jogos Olímpicos foi formada uma delegação de refugiados. Esta era composta por dez atletas que se responsabilizaram a mostrar ao mundo o que se pode conseguir com coragem e determinação. O COI já trabalha com várias agências da ONU para ajudar os exilados em todo o planeta. Através do esporte esses programas ajudaram milhares de jovens em vários campos ou assentamentos ao redor do globo. A esperança na bandeira olímpica carregada por eles tenta alertar a crise que vem assolando as pessoas que tiveram que deixar seus países devido a conflitos e perseguições, encontrando refugio em vários continentes.

Delegação dos refugiados de 2016 (Foto: Divulgação/Rio2016)
Delegação dos refugiados de 2016 (Foto: Divulgação/Rio2016)

A Olimpíada é um fato memorável que descreve a humanidade. As competições esportivas são capazes de explicar e contextualizar a história e política de nossas sociedades.

Agradecimento pela colaboração: Ismael Schonardie