Preconceito velado: é necessário falar da LGBTfobia no futebol

Dia 17 de maio marca o dia da luta contra a LGBTfobia, e a VAVEL Brasil traz esse especial sobre o processo árduo para o fim do mal no futebol

Preconceito velado: é necessário falar da LGBTfobia no futebol
Foto: Navid Baraty/Getty Images

17 de maio. Dia Internacional do Combate à LGBTfobia. Em pleno século XXI a discussão sobre o combate às agressões sejam físicas, verbais ou até mesmo virtuais contra LGBT's ainda são pertinentes. Mas, além dos tristes exemplos rotineiros, atualmente outro meio vem sendo utilizado para tal crime. O esporte. Hoje não é o único dia de prestar homenagens e demonstrar apoio à causa. A luta contra a LGBTfobia é diária. 

Esporte. Local de inclusão e onde aprende-se a respeitar o próximo. Ou deveria ser... Futebol: Paixão nacional. Junto ao fanatismo brasileiro pelo desporto, inúmeras discussões que levaram a grandes avanços. Inclusão dos negros, mulheres, deficientes físicos... Conquistas estas que devem ser comemoradas. Mas, num antro machista, apesar de ser destinado à população, pouco ainda se fala sobe a inserção dos LGBT's no futebol. 

Seja dentro dos gramados ou nas arquibancadas, a luta contra tal violência é pertinente e atual. Nas arquibancadas, inúmeros movimentos organizados de torcidas são criados a cada ano com a finalidade de conquistar cada vez mais espaço e visibilidade dentro dos estádios. Nos gramados, por sua vez, renomados atletas de alto nível se assumiram LGBT's a fim de, apesar do meio adverso, é possível lutar contra o preconceito. Mas, nem sempre é assim...

Preconceito nas arquibancadas

Os cânticos de arquibancada buscam, prioritariamente, exaltar o clube e jogadores em campo. No entanto, é comum observarmos cantos com viés homofóbicos e preconceituosos. Tal péssimo hábito recentemente gerou uma multa à CBF de 20 mil francos suíços (R$ 71,7 mil) pelos gritos homofóbicos durante a partida entre Brasil e Colômbia, no dia 6 de setembro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. 

No entanto, os gritos de "bicha" em cobranças de tiro de meta e músicas entoadas com viés homofóbico afasta, por muitas vezes, torcedores LGBT's das arquibancadas por medo da violência, impedindo-os que frequentem estádios e torçam para seus times. E isso nenhuma multa é capaz de pagar. Este é o caso de Carlos*, de 23 anos, que deixou de frequentar os estádios por medo da LGBTfobia. 

"Eu ja fui muito frequentador. Já viajei pra dois estados, já fui sócio, já fui a todos os jogos em dois anos seguidos. Mas é muito difícil voltar a ter esse prazer com as pessoas sabendo que sou gay. Num meio preconceituoso como o futebol, fico desanimado de voltar pra um lugar que não serei bem vindo por eu ser quem eu sou", declarou Carlos*, em entrevista exclusiva à VAVEL Brasil. 

Preconceito nos gramados

Os gritos de "bicha" em cobrança de tiros de meta ilustram o cenário tóxico em que o futebol brasileiro está se inserindo. Segundo dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, uma pessoa gay é agredida a cada hora no Brasil. Por isso, ser gay em um meio tão homofóbico requer coragem. 
Mesmo sem nunca ter assumido sua orientação sexual, Richarlyson sempre foi alvo da fúria homofóbica do futebol. O volante de 34 anos é tricampeão brasileiro, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes. Mas, parece que todas as conquistas são deixadas de lado quando se fala de Richarlyson. 

Recentemente, o jogador recém contratado pelo Guarani para a disputa da série B do Campeonato Brasileiro sofreu mais uma vez com a LGBTFobia. Durante sua apresentação, em Campinas, torcedores do Guarani fizeram comentários homofóbicos nas redes sociais e chegaram a atirar bombas em direção ao Brinco de Ouro da Princesa, sede do clube, em protesto contra a contratação do volante. Fatos como este tornam ainda mais clara a necessidade da discussão sobre o assunto. 

É necessário que a luta contra a LGBTfobia se estenda durante todo o ano não só no futebol, mas em toda a sociedade. Para que assim, o esporte tenha de fato papel social de integração no Brasil sem distinção de cor, crença, gênero ou orientação sexual. 

*nome fictício