The Getaway: novo álbum do Red Hot Chili Peppers é dançante, melódico e "amadurecido"

Misturando bem todos os ritmos e com letras fortes, banda californiana manda muito bem no seu novo disco "The Getaway"

The Getaway: novo álbum do Red Hot Chili Peppers é dançante, melódico e "amadurecido"
Foto: Divulgação/Red Hot Chili Peppers

Quando falamos de Red Hot Chili Peppers, falamos de uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock. Com a mudança de guitarrista, a saída do grande e lendário John Frusciante e a chegada do jovem e talentoso Josh Klinghoffer, a banda mudou seu estilo mais uma vez. O I'm With You, primeiro álbum de Josh com a banda, agradou e desagradou muitos, por sua pegada mais pop e com menos guitarra que o habitual, sem tantos solos como nos álbuns anteriores.

Cinco anos depois do IWY, foi a vez do segundo álbum de Josh com a banda: o The Getaway. A expectativa foi grande, tendo em vista a evolução e entrosamento dele com a banda durante os anos. E essa expectativa e espera foi mais que válida para os fãs da banda.

Com novo produtor, Danger Mouse, tudo foi "refeito". Com Danger, as coisas e o estilo da banda mudaram mais uma vez. Isso foi um problema? Nem um pouco. O amadurecimento da banda é visível, com letras melhor elaboradas e uma mistura de "pegadas", do funky, ao groove, ao pop, com bastante piano na maioria das músicas.

Com isso, estou aqui para "destrinchar" cada uma das músicas desse álbum incrivelmente bem trabalhado e produzido do início ao fim, com uma regularidade espetacular da primeira até a última música. Vale a pena escutar e acompanhar todas as músicas do The Getaway.

#1 The Getaway

A faixa que dá o nome ao álbum. Espera-se algo com potencial de hit, certo? Bom, com "The Getaway" a história é um pouco diferente. Não é aquela música impactante que já mostra para quê o álbum veio, mas é algo bem dançante, com uma pegada clássica banda. Flea com boa presença no seu baixo e Josh segurando as pontas com um bom riff durante a música. A única coisa que faltou foi maior presença de Chad Smith na música, achei que teve pouca bateria. Num geral, boa música, mas para começar o álbum poderia ter sido outra.

#2 Dark Necessities

Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers
Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers

O primeiro single divulgado pela banda. Lembra quando disse que outra música poderia ter sido a #1? Pois é, Dark Necessities seria uma forte concorrente. Seu começo lembra um pouco o sucesso "Can't Stop", com uma melodia que vai crescendo até a chegada de uma linha de baixo marcante do Flea. Os quatro integrantes estão muito bem na música, que se finaliza com um belo solo de Josh Klinghoffer. Música muito boa.

Confira o videoclipe oficial de "Dark Necessities

#3 We Turn Red

FUNKY! A presença que faltou um pouco de Josh e sua guitarra nas duas primeiras músicas, fica esquecida. Além disso, Chad finalmente mostrou para que veio, com sua bateria tomando conta da música. Isso é uma típica música dos tempos de Blood Sugar Sex Magik da banda no seu início. O refrão é algo mais calmo, com uma boa melodia de guitarra, mas logo depois volta a uma pegada mais "forte" e funky.

#4 The Longest Wave

Lembra daquelas intros bem calmas de John Frusciante no Stadium Arcadium? Pois é, o começo The Longest Wave lembra bastante aquelas melodias bem calmas e tranquilas, com um dedilhado bem bonito. Além disso, ótimos riffs no fundo e um refrão bem tocante. É uma daquelas músicas que serve para "acalmar a alma" e escutar num momento bem tranquilo.

#5 Goodbye Angels

Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers
Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers

Minha favorita do álbum. Começa sem a presença de bateria, que vai entrando na medida que a música se desenvolve, apenas com a dupla Flea e Josh mandando ver. Pode-se dizer que ela vai "crescendo", até chegar num riff e refrão bem cativantes, com Josh muito bem nos backing vocals, além de Anthony manter-se bem nos vocais, com um "Hey oh, hey oh, hey oh, hey oh" que fica gravado na sua mente. Na sua parte final, Flea anima tudo com uma linha de baixo bem funk, que é seguida por um ótimo solo de Josh. Música espetacular do início ao fim.

#6 Sick Love

Essa é uma forte candidata a single. Sick Love é mais uma música bem tranquila, mas com uma pegada mais reggae em determinados momentos. Além disso, a música conta com a presença do grande Elton John no piano. Vocais de Anthony e Josh se juntam, formando uma ótima melodia. Pode-se dizer que esta é a música onde o baixo de Flea é menos presente. Josh também encaixa um bom solo durante a música, com um efeito bem "diferente".

#7 Go Robot

Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers
Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers

ANOS 80! A expectativa por Go Robot, que deve ser single, foi alcançada. Ótima batida, misturada com um baixo bem funk. Pode-se dizer que o "problema" da música é o fato da guitarra baixa durante boa parte dela. O uso de sintetizadores também marca presença, fator que pode agradar algumas pessoas e outras não. É uma marca comum em músicas do Josh, algo mais "eletrônico".

#8 Feasting On The Flowers

Começa com uma intro bem legal. É um música bacana, também não tem um refrão muito animador, é uma algo bem calmo. Melhor parte da música é definitivamente a ponte que antecede ao último refrão. Uma das partes altas da música é o ótimo backing do Josh, que ganha destaque durante alguns trechos da canção. Nada demais, mas é uma boa música.

#9 Detroit

Detroit tem, provavelmente, o melhor riff do álbum. Algo bem agressivo, que logo é seguido por uma boa linha de baixo. Flea, Josh e Chad se entendem muito bem durante toda a música. Detroit me lembrou, pelo seu refrão, de algumas canções britânicas: "Detroit, i'm crazy". O ótimo backing vocal do Josh aparece muito bem no refrão também e isso é espetacular. Certamente uma das melhores músicas do álbum.

#10 This Ticonderoga

Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers
Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers

SURPREENDENTE! Chegamos na faixa que foi a grande surpresa do The Getaway. This Ticonderoga é uma mistura de sentimentos. Começa com uma guitarra bem pesada, lembrando os tempos de One Hot Minute, com Josh entrando com uma progressão simples de acorde. Porém, do nada a música simplesmente cai de ritmo, com a entrada de um piano e um vocal bem calmo e... sim, ela volta a ficar pesada, com a mesma pegada de início, e isso se repete durante a música. Não se engane: o nome pode ser feio/estranho, mas This Ticonderoga surpreendeu e é uma grande canção.

#11 Encore

Se você acompanhou os shows da banda entre 2011 e 2014, com certeza já escutou uma jam de Encore. É uma música extremamente deliciosa de se escutar e curtir. Você fecha os olhos e se imagina voando, com uma melodia extremamente linda, com baixo e guitarra se completando perfeitamente. Essa canção seria algo belíssimo, com todos cantando e apenas as luzes dos celulares ligadas, iluminando a escuridão de um concerto numa noite bem fria. Com certeza será uma música de um sucesso astronômico.

#12 The Hunter

Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers
Foto: Steve Keros/Red Hot Chili Peppers

Demorei para me acostumar, mas The Hunter é mais uma canção que chega para ficar. É algo diferente que os Peppers normalmente proporcionam em suas canções, algo bem "ambiente" e bacana, com riffs lá no fim do braço da guitarra. Esse é o ponto alto de Anthony Kiedis no álbum, com ele incrivelmente perfeito nos vocais, mostrando seus sentimentos. Refrão cativante.

#13 Dreams Of A Samurai

Essa é a canção de maior duração do álbum. Inicia apenas com piano e uma voz que ecoa como numa ópera. Essa intro acaba e entra o baixo do Flea, e uma guitarra acoada e nervosa do Josh, batida legal. Refrão muito bacana, com uma pegada pesada. Solo simples, na verdade um riff. Muito boa. Comparado a outros álbuns, finaliza o The Getaway de maneira sublime e com chave de ouro, outra ótima canção. Alguns podem não ter percebido, mas o riff no início lembra de uma b-side antiga da banda

Se você ainda está em dúvida se vale a pena ou não escutar/comprar o The Getaway: compre e escute sem parar. Claro que não é a melhor obra da banda. Não chega aos pés dos grandes álbuns como Stadium Arcadium, Blood Sugar, Californication ou By The Way, mas é mais uma obra de arte da banda. A evolução do Josh é incrivelmente visível. Tenho certeza que a turnê será espetacular, como já está sendo.

Minha nota para o The Getaway: 9.0