Helder Martins: Diretor da Bateria da Mangueira, que se parece com R10, abandonou o futebol para seguir sonho do avô

Convivendo há alguns anos nos arredores do morro de Mangueira, pude conhecer uma história que resume este sentimento com sonho e realidade, desilusão e realização. O jovem Hudson de Oliveira Brito, de 23 anos, uma espécie de sósia do astro Ronaldinho Gaúcho, hoje é diretor de bateria da Estação Primeira de Mangueira, mas um dia correu atrás do sonho comum ao de muitos garotos: ser jogador de futebol.

Helder Martins: Diretor da Bateria da Mangueira, que se parece com R10, abandonou o futebol para seguir sonho do avô
Diretor da Bateria da Mangueira, que se parece com R10, abandonou o futebol para seguir sonho do avô

Dizem por ai que no Brasil, futebol e carnaval se completam. A bola e o samba são a paixão do brasileiro, em especial no carioca. Convivendo há alguns anos nos arredores do morro de Mangueira, pude conhecer uma história que resume este sentimento com sonho e realidade, desilusão e realização. O jovem Hudson de Oliveira Brito, de 23 anos, uma espécie de sósia do astro Ronaldinho Gaúcho, hoje é diretor de bateria da Estação Primeira de Mangueira, mas um dia correu atrás do sonho comum ao de muitos garotos: ser jogador de futebol.

Hudson após título de Fut7 / Foto: Arquivo Pessoal

Hudson deu seus primeiros passos no futebol num projeto da comunidade do Largo do Campinho, onde morava. Depois passou pela base de Macaé, Nova Iguaçu, São Cristóvão, Tigres e Serra Macaense, até chegar no Flamengo, onde dividiu o CT com atletas como Negueba, Diego Maurício, Adryan, e até mesmo com Zé Ricardo, que comandou o Rubro-Negro, hoje comandante do rival Vasco da Gama. Depois de algumas decepções, seguiu os passos do avô, Mestre Taranta, numa das mais tradicionais agremiações de samba do Rio.

Refúgio encontrado no samba

Enquanto se desanimava com o futebol, Hudson se aproximava ainda mais do carnaval. Cria do morro da Mangueira e neto de um mestre de bateria, o garoto já dedicava suas férias ao samba. Quando decidiu desistir de ser jogador, foi seu avô, o Mestre Taranta, que o lapidou para trilhar em outros palcos.

Mestre Hudson comandando a Bateria da Mangueira / Foto: Arquivo Pessoal

Hudson desfilou diversas vezes como mascote da bateria, acompanhando o avô, antes de dar um tempo no samba para se dedicar ao futebol. Quando retornou, desfilou pela primeira vez tocando na bateria da Mangueira em 2009 e em dezembro de 2010 foi convidado para ser diretor de bateria com o mestre Ailton, onde permanece até hoje com os mestres Rodrigo Explosão e Vitor Art.
 

Semelhança com R10: atração à parte

Além da dedicação com a bateria, outro fator chama atenção por onde Hudson passa: sua semelhança física com o craque Ronaldinho Gaúcho. Fã do R10, ele conseguiu realizar o sonho de conhecer o ídolo justamente no Palácio do Samba, onde agora apresenta seus dons com os instrumentos da Mangueira.

Hudson e Ronaldinho Gaúcho / Foto: Arquivo Pessoal

Um certo dia ele estava jogando bola e recebeu uma ligação dizendo que o Ronaldinho estava na feijoada da Verde e Rosa. Chegando no camarote, mesmo com fotos, abraços, o R10 assinou a chuteira fã e disparou a frase 'Poxa, tu parece comigo mesmo, heim?!', segundo opróprio Hudson, orgulho que nunca será esquecido.

Hudson ainda encontraria com o ídolo em mais duas oportunidades, sempre tendo o samba como pano de fundo. Se nos gramados ele não conseguiu realizar seu velho desejo, fora das quatro linhas o jovem já pode dizer que tem uma história para contar. Se tornou diretor da bateria que outrora foi comandada por seu avô, conquistando até mesmo o título do carnaval 2016 do Rio de Janeiro.