História e Carnaval: quais são as Escolas que irão à Avenida com enredos históricos?

Escolas dos grupos especiais do Rio de Janeiro e de São Paulo levarão História à Avenida; conheça quem são.

História e Carnaval: quais são as Escolas que irão à Avenida com enredos históricos?
Imagem: Hugo Alves/VAVEL Brasil

O Carnaval – mesmo que não pareça -, já está batendo na porta! Pensando nisso, a VAVEL Brasil vem preparando uma série de especiais sobre a maior festa da cultura popular que irão ao ar nos próximos dias. Diversão, entretenimento ou hobby. Qualquer um desses adjetivos não fazem parte da vida daqueles que levam o Carnaval como profissão. A palheta de cores das alas postas por toda a avenida, os carros alegóricos e as fantasias exuberantes é o que vimos do trabalho árduo dos carnavalescos das escolas de samba.

Muito antes de admirarmos o esplendor dos desfiles de carnaval, foi necessário por parte destes profissionais escolher o fio condutor do ano das escolas de samba: o enredo. Muito mais que um quesito de julgamento, o enredo pode ter diferentes significados. Ele pode ser informativo ou crítico. Pode fazer uma homenagem ou até mesmo ter um viés histórico.

Nos primeiros anos do Carnaval, todos os enredos tinham vertentes históricas ou literárias, e, pensando nisso, a VAVEL Brasil lhe propõe, caro leitor, uma viagem histórica! Analisaremos as sinopses das escolas que contarão, em forma de carnaval, contos e fatos históricos do Brasil.

Imperatriz Leopoldinense: "Uma noite real no Museu Nacional"

Imperatriz Leopondinense. O nome da escola localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro já é histórico. Homenageando a Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria, a primeira Imperatriz consorte do Brasil, a verde e branco de Ramos traz de volta um enredo carregado de cultura e história.

Elaborado pelo carnavalesco Cahe Rodrigues, a escola levará à Sapucaí uma homenagem aos 200 anos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, a mais antiga instituição científica do Brasil, hoje, localizada na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão. Instituição histórica, o Museu Nacional é o maior da história natural e antropológica América Latina. Criado por D. João VI, em junho de 1818 serviu para atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico no país. O Palácio que virou Museu serviu de moradia à família Real por vários anos, tendo na figura ilustre da Imperatriz Leopoldina uma das maiores incentivadoras na formação do Museu e dama que dá nome à escola de Ramos.

Em sinopse desenvolvida por Cahe Rodrigues, a Imperatriz Leopoldinense pretende realizar uma grande viagem desde o desembarque da família real portuguesa no Largo do Paço da cidade do Rio de Janeiro, em março de 1808, após uma longa viagem cruzando o Oceano Atlântico, passando pelo projeto civilizatório de Dom João VI ao criar importantes instituições como o Arquivo Nacional, a Real Biblioteca e o Jardim Botânico, e, por fim, chegando ao Museu Real que tinha como objetivo “propagar os conhecimentos e estudos das ciências naturais no Reino do Brasil”. A verde e branco de Ramos promete uma grandiosa aula de História na Sapucaí!

                         

São Clemente: "Academicamente Popular"

Se a Imperatriz Leopoldinense vai falar de um Museu extremamente importante para o Brasil, a São Clemente, por sua vez, vai homenagear uma instituição tão importante quanto: a Escola de Belas Artes. Desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira, o enredo da amarelo e preto da zona sul do Rio de Janeiro promete uma viagem desde a vinda do Império Napoleônico às águas da Guanabara trazidos por D. João, passando pela fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios e, finalmente, chegando à conhecida Escola de Belas Artes que forma diversos artistas – incluindo carnavalescos – pelo país.

Durante os tempos de Brasil Colônia, o ensino das artes cabia exclusivamente às práticas religiosas. No século XIX, em 1816, D. João fundou a Escola de Ciências, Artes e Ofícios. Em 1890, a antiga Academia Imperial foi transformada na Escola Nacional de Belas Artes. E, já no século XX, em 1931, a Escola passou a integrar a Universidade do Rio de Janeiro, passando a se chamar Escola de Belas Artes em 1965, incorporando-se à Universidade Federal do Rio de Janeiro e sendo referência no ensino artístico do país.

O desfile da São Clemente promete ser uma grande representação da arte junto ao povo do samba.

                   


Paraíso do Tuiuti: "Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão?"

O enredo da azul e amarelo de São Cristóvão é, talvez, um dos mais aguardados do Carnaval Carioca. No ano em que se “comemora” 130 anos da Lei Áurea, torna-se necessário a abordagem. “Comemora”. Aspas. Indagação. É isso que o carnavalesco Jack Vasconselos propõe com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”. Uma crítica atemporal sobre o quão a marca escravista é presente hodiernamente. Inspirado no título do Unidos de Lucas de 1968, a Paraíso do Tuiuti levará, por sua vez, uma análise crítica das relações inter-raciais do Brasil.

No ano do centenário da abolição da escravidão, em 1988, “Kizomba – A festa da raça”, da Vila Isabel sagrou-se campeã do Carnaval. Mas, foi a Mangueira que levou, pela primeira vez, um enredo com o viés crítico sobre o assunto. A frase do samba que dizia “Será que já raiou a liberdade ou se foi tudo ilusão?” ficou na boca do povo e será, de certa forma, reinventada por sua coirmã.  

"Não atualizamos sua imagem e, assim, preservamos nossas consciências limpas sobre as marcas que deixou tempos atrás. Segue vivendo espreitada no antigo pensamento de “nós” e “eles” e não nos permite enxergar que estamos todos no mesmo barco, no mesmo temeroso Tumbeiro, modernizando carteiras de trabalho em reformadas cartas de alforria". O trecho da sinopse da Paraíso do Tuiuti já deixa no ar parte da crítica que realizará na Marquês de Sapucaí. 

       

Tom Maior: "O Brasil de duas imperatrizes: De Viena para o novo mundo. Carolina Josefa Leopoldina: De Ramos, Imperatriz Leopoldinense"

A Tom Maior, do Grupo Especial de São Paulo também virá com um enredo histórico! A escola paulista falará da Imperatriz Leopoldina, e, homenageará sua coirmã carioca, Imperatriz Leopoldinense. O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Cláudio Cebola promete uma viagem de Viena para Ramos, no Rio de Janeiro. Projetado por Cláudio Cebola, o enredo da escola paulista, entretanto, será finalizado por André Marins, já que "Cebola" foi afastado da agremiação durante o projeto. 

A Imperatriz Leopoldina foi uma arquiduquesa da Áustria, imperatriz consorte do Brasil e rainha consorte de Portugal e Algarves.  D. Leopoldina foi uma contribuinte ferrenha pela busca da aceitação na nacionalidade brasileira por Portugal. Após sua morte, Imperatriz Leopoldina tornou-se parte da cultura popular brasileira e uma figura histórica importante, sendo o assunto de vários livros, filmes e outras mídias.

       

Assim, o Carnaval 2018 promete ser uma grande diversão para o povo brasileiro, mas também, pretende levar informações históricas sobre nosso país, fazendo seu papel cultura. E você acompanha tudo sobre o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo no nosso site e com a #CarnaVAVEL nas redes sociais. Siga conosco!