De Guga à Bellucci: a história do Brasil em Roland Garros
(Foto: Divulgação/ ATP)

No dia 24 deste mês teremos o início de um dos mais antigos e principais Grand Slam da temporada do tênis mundial: Roland Garros, diretamente de Paris, na França. Ao lado de Wimbledon, este é um dos torneios que 10 entre 10 tenistas gostariam de ter o troféu de campeão em sua estante, e por isso mesmo, quem o possui pode ser motivo de inveja. Imagine então, quem venceu mais de 1 vez...

A situação desenhada aqui relembra as façanhas de um dos maiores tenistas masculinos que o Brasil já teve até hoje: Gustavo Kuerten. Catarinense de nascimento e criação, em 1997, o então garoto de 21 anos, que estava no ranking profissional de tênis a menos de 2 anos ainda, surpreendeu o mundo chegando em uma final de Grand Slam, e vencendo o espanhol Sergi Bruguera em sets diretos.

Falando sobre este feito de Guga, não apenas o espanto por um brasileiro vencer o torneio, mas sim o modo ao qual ele chegou naquela final e quem ele venceu. Sua caminhada naquela edição começou contra o tcheco Slava Dosedel, seguindo do sueco Jonas Bjorkman, o austríaco Thomas Muster, o ucraniano Andrei Medvedev, o russo Yevgeny Kafelnikov, o belga Filip Dewulf, e enfim chegando na final contra o espanhol Sergi, que era o então 6º colocado no ranking mundial. Em 3 sets, o brasileiro mostrou não apenas todo seu talento, mas estabeleceu uma marca até hoje jamais batida: o jogador com ranking mais baixo a ser campeão!

Outro grande detalhe desta campanha: os 3 últimos adversários de Guga neste trajetória de 1997 foram campeões de RG antes dele: Bruguera em 93 e 94; Muster em 95; e Kafelnikov em 96.

O título de 2000

Guga fez um feito impressionante em 97, mas demorou 3 anos para voltar a uma final de RG, e novamente vencer. Já em 2000, ele apresentava novamente sua boa performance para voltar a levantar o cobiçado trofeu pela 2º vez. Sua campanha desta vez teve como adversários os seguintes tenistas: o sueco Andreas Vinciguerra; o argentino Marcelo Charpentier; o americano Michael Chang; o equatoriano Nicolás Lapentti; novamento o russo Kafelnikov; o espanhol Juan Carlos Ferrero; e finalmente o sueco Magnus Norman na final.

Naquele ano de 2000, Guga vivia o auge de sua carreira, e entrava no torneio francês como 5º na ranking, batendo o sueco magnus, que era então 2º colocado. Ainda conquistou 2 títulos marcantes além de RG: a Masters Cup em Lisboa, contra o americano Andre Agassi, e o Masters Series de Hamburgo sobre o russo Marat Safin.

O 1º Roland Garros como número 1

O Masters de Lisboa deu a Guga a 1º posição do raanking em Dezembro de 2000, lhe rendendo a façanha de 1º sulamericano a terminar um ano como número 1 do ranking mundial de tênis. Nesta posição Guga figurou por 43 semanas em sua carreira, e como líder e favorito, chegou a mais uma edição de RG, desta vez em 2001.

Naquele ano, em seu caminho para o título, ele venceu adversários duros. Começou tendo qua bater 2 argentinos em seguida: Guillermo Coria, e depois Agustín Calleri. Após isso se seguiram o marroquino Karim Alami, e o americano Michael Russell. Nas quartas o brasileiro enfrentaria aquele que seria um dos mais difíceis tenistas a se bater naquela época: o russo Kafelnikov. Com bom jogo, ele chega na semi, onde pega o vice líder do ranking, o espanhol Ferrero, devidamente batido em 3 sets diretos. Na final, outro espanhol e apenas 32º no ranking deu trabalho ao brasileiro: Álex Corretja. Por 3 sets a 1, Guga pode novamente comemorar o título em RG, e fazer o famoso coração no saibro francês, deitando dentro dele depois, uma das cenas mais célebres do aberto de tênis.

Curiosamente, o ótimo desempenho de Guga no saibro francês, nunca se confirmou em qualquer outro Grand Slam. A fase mais alta que já chegou nos outros 3 foram as quartas de Wimbledon e por 2 vezes, a mesma fase do US Open.

Marcas de Guga no saibro francês

A relação de Gustavo com o saibro francês tem muito a ver com seu jogo que se encaixa neste piso mais lento. Não a toa venceu os torneios que, na época, eram considerados o “Grand Slam de Saibro”, tendo RG, Hamburgo, Monte-Carlo e Roma. Várias curiosidades poderiam ser citadas de Guga, mas dentre elas vale ressaltar que ele foi o único a vencer os americanos Pete Sampras e Andre Agassi no mesmo torneio (Masters Cup Lisboa 2000), sem contar o torneio de Cincinnati em 2001, onde simplesmente teve de ganhar tenistas muito bem rankeados como Goran Ivanisevic, Kafelnikov e Patrick Rafter, este último um australiano e considerado um dos melhores voleadores da história do tênis.

Devido a todo esta histórico de Guga, principalmente no saibro, não a toa nossos tenistas atuais tem como especialidade este piso, e grandes resultados conseguidos por alguns deles são na terra batida.

Os novos desafiantes brasileiros

Podemos citar aqui rapidamente 2 profissionais que fazem ótimos jogos no saibro: João Souza, o Feijão, e Thomaz Bellucci. Feijão tem como resultados recentes a semifinal do ATP 250 de São Paulo, o Brasil Open; as quartas do Rio Open; e os jogos da Copa Davis, na Argentina, onde venceu Carlos Berloq, mas perdeu para Leonado Mayer em partida de 5 sets e mais de 6 horas de duração.

Thomaz Bellucci é atualmente o melhor brasileirono circuito profissional do tênis, ocupando a 60º posição no ranking da ATP. Tem no saibro sua base de bons jogos, tendo 3 títulos profissionais neste piso (Gstaad – SUI 09/12 e Santiago – CHI 10), além de ser finalista no Brasil Open de 2009, quando ainda era na Costa do Sauípe, na Bahia.

Em 2015, os bons resultados de Bellucci vieram neste piso: semifinal em Quito, quartas em Istambul e 3º rodada em Roma, neste último perdendo para o número 1 do mundo, o sérvio Novak Djokovic, que viria a ser campeão do torneio. No jogo, o brasileiro chegou a ganhar o 1º set, apresentando uma dificuldade ao líder do ranking.

As promessas

Para o futuro, o Brasil poderá contar com um dos talentos mais pulsantes desde Guga, e que veio da região Sul do país: Orlando Luz, ou simplesmente Orlandinho. Nascido em Carazinho, no Rio Grande do Sul, o jovem tenista chega aos seus 17 anos como um dos líderes do ranking juvenil da ATP, e vem surpreendendo a todos com seu bom tênis e veolução torneio após torneio.

Nesta edição de 2015 de RG, outros 2 brasileiros estarão na chave de profissionais: Guilherme Clezar e André Ghem. Clezar tem 22 anos e é gaúcho. Ocupa atualmente a 173º posição no ranking da ATP, sendo o 4º melhor brasileiro do ranking e neste ano chegou em 1 final: o Challenger de Santiago, no Chile. Já Ghem tem 32 anos e também é gaúcho. Hoje é o 3º melhor brasileiro no ranking mundial, sendo 142º, e chegou também a 1 final este ano: o Challenger de Shenzen, na China.

Voltar a ter um campeão de Rg ainda é um sonho para os brasileiros, mas bons tenistas nós temos e não se pode desprezar o talento deles e sempre lembrar que o aberto francês já foi palco de várias surpresas, como Guga em 97. Porque não imaginar uma nova surpresa, e ela sendo brasileira?

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