A carência por um 'novo Guga' nos impede de reconhecer os feitos de Thomaz Bellucci

Assim como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni, mas à sua maneira, Thomaz Bellucci fez história no tênis. Gostem ou não

A carência por um 'novo Guga' nos impede de reconhecer os feitos de Thomaz Bellucci
(Foto: Getty Images)

O caminho do Brasil na chave de simples masculina dos Jogos Olímpicos Rio 2016 terminou na última sexta-feira (12). Em 2h03 de partida, Thomaz Bellucci foi superado por Rafael Nadal (#5) por 2 sets a 1 (2/6, 6/4, 6/2) e se despediu do torneio. No entanto, a frustração virou orgulho. Os conhecidos - e por muitas vezes injustos - gritos de 'pipoqueiro' deram lugar ao seu nome sendo entoado pelo Centro Olímpico de Tênis. Após anos no circuito, começa a receber um pouco do reconhecimento que merece. 

Bellucci igualou a marca de Guga em Jogos Olímpicos, quando chegou às quartas de final em Sydney, em 2000. Uma das melhores campanhas do Brasil no torneio. No Rio de Janeiro, Thomaz também superou adversários considerados favoritos pelo caminho: Pablo Cuevas (#21), seu eterno algoz em quadras rápidas e David Goffin, número 13 do mundo e atual finalista da Copa Davis. Não foi pouco.

E por que citei merecimento acima? Porque Bellucci sempre fez mais que o esperado para o nível de preparação e organização do tênis brasileiro, mas não será lembrado por isso. Mesmo com seus feitos e conquistas, será recordado como aquele que não conseguiu chegar ao nível de Guga. E isso é uma injusta tremenda. Há pouco tempo atrás, os duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares também eram colocados em segundo plano por muitos.

Bellucci é um grande tenista, mas não é Guga. Não será Guga. E isso não o torna um jogador ruim. Tal expectativa surgiu exatamente em 2011, naquele Masters 1000 de Madri, onde eliminou Andy Murray (#2) e caiu diante de Novak Djokovic (#1) na semifinal. E após atingir o 21º lugar no ranking. Ali criou-se uma expectativa exagerada sobre seu futuro. Não alcançá-lo não apaga sua trajetória.

Desde então, tantos feitos passaram em branco. Bellucci é brasileiro melhor rankeado desde Gustavo Kuerten, detentor de quatro títulos a nível ATP, semifinalista de Masters 1000, dono de cinco vitórias contra Top-10 e o tenista número 1 do Brasil na Copa Davis por anos, sendo o salvador da pátria em várias oportunidades.

Claro que tem defeitos e não chegará ao nível que esperávamos. Mas, novamente, é um ponto fora da curva, principalmente levando em conta o nível de formação brasileiro. Merece ser lembrado por isso. Que a campanha histórica nos Jogos Olímpicos fique na memória do torcedor brasileiro e sirva de inspiração para os próximos que virão. Assim como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni, mas à sua maneira, Thomaz Bellucci fez história no tênis. Gostem ou não.

(Foto: EBC)
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