Paixão e persistência: a lição de Juan Martín Del Potro ao mundo

Argentino, que ficou dois anos sem jogar, volta para conquistar a medalha de prata na Rio 2016 e faz história

Paixão e persistência: a lição de Juan Martín Del Potro ao mundo
(Foto: Getty Images)

Adrenalina, loucura, paixão e persistência. Existem várias palavras que podem descrever o momento vivido por Juan Martín Del Potro nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O que aconteceu nas quadras da "cidade maravilhosa" jamais será esquecido. O povo brasileiro vibrou e torceu com um argentino. 

Se alguém tivesse dito ao fã de tênis, há um mês atrás, que o natural de Tandil estaria no pódio ao final da Olimpíada, ninguém acreditaria. O mesmo se dissessem que aquele atleta, que estava parado há 2 anos, bateria Djokovic Nadal no mesmo torneio.

Mas aconteceu: e com muito sufoco, muita dedicação e muita ajuda da torcida. O tênis, que é um esporte de respeito e silêncio, viveu dias de "hinchada", paixão e cânticos. A quadra Maria Esther Bueno virou La Bombonera.

Tudo começou quando Del Potro adentrou a quadra central para encarar Djokovic. Número um do mundo, em grande fase e que já havia batido o argentino em oito dos nove confrontos em quadras duras. 

Quadra áspera e ao nível do mar: mais lenta. Torcida favorável a Djokovic. Nada, realmente NADA era a favor do argentino. Mesmo assim, ele foi lá e chocou o mundo do esporte, eliminando o grande favorito por 7/6 e 7/6, com direito a muito choro e emoção por parte dos dois atletas.

A seguir, mais partidas contra João Sousa Taro Daniel. Exausto, Juan Martín foi para a batalha. Perdeu sets em ambos os jogos, sentou-se e ajoelhou-se em quadra, cansado. Mesmo assim, venceu por dois sets a um e chegou nas quartas de finais, onde ninguém poderia imaginar.

Encarou de frente o espanhol Roberto Bautista Agut, e movido pela força da hinchada argentina que lotou a quadra, fez sua melhor atuação e venceu por 7/5 e 7/6, em grande estilo.

Na sequência, veio Rafael Nadal. O fã de tênis já imaginava um jogo simples e de vitória em sets diretos do espanhol. Mas estavam errados. Novamente, o jogador cancheiro, que ganha força da torcida, moveu-se pela adrenalina e venceu uma partida épica, vencendo no tiebreak do terceiro set. 

Carismático, o argentino agradeceu o apoio da torcida e afirmou estar vivendo um sonho. Também admitiu que chora todas as noites até hoje, sem pensar que este momento seria possível. 

A finalíssima foi contra Andy Murray. O clima, a atmosfera e a tensão eram incríveis e grandiosas, bem como o argentino merece. A torcida o apoiou, mas não foi possível vencer o jogador que alcançou as três finais de Grand Slam neste ano. 

Passando um tempo total de 16h11 em quadra, Del Potro foi um verdadeiro leão. Exausto, exaurido, cansado e mais todos os outros sinônimos, Juan Martín virou, definitivamente, ídolo da Argentina. O coração foi sua arma mais forte neste torneio, e sua paixão e persistência são os maiores legados da Olimpíada Rio 2016.

O que a torcida argentina, brasileira e do resto do planeta irão levar desta campanha, é a emoção de ter visto um verdadeiro heroi jogar com toda a sua alma. Juan Martín Del Potro, independentemente do resultado final, brilha no pódio olímpico.

Afinal de contas, nem tudo que reluz é ouro. As vezes, é prata também.