Sem ti, nada é igual

Sem ti, nada é igual
(Foto: Reuters)

Não lembro exatamente quando comecei a gostar de tênis, mas sei que foi por tua causa. Tanto eu já havia ouvido sobre ti, que tive de ver para acreditar. E era fantástico. Era magnífico. Eu nunca vi algo, alguém, que pudesse ser assim tão grandioso e tão cheio de talento em forma de vida.

Pensar em Roger Federer é também pensar em sua conduta. Nunca na minha vida imaginei ver em um esportista de altíssimo rendimento, as qualidades de um lorde, ou gentleman. A suavidade, gentileza e paciência que tem o suíço são reconhecidas pelo mundo inteiro, que vê nele um exemplo a ser seguido.

Teus grandes momentos, também vividos por todos nós, tornaram-se parte das memórias, as inesquecíveis memórias de todo fã de tênis que, hoje, te tem como a principal referência do esporte. Cada um de nós rendeu-se ao teu talento.

Nunca eu esquecerei daquela final de Copa Davis, nem de quando te vi dar aquela curtinha para vencer o jogo e fazer história para um país inteiro, que, inteiro, é menor do que grande parte dos estados brasileiros.

E não apenas dos teus títulos tu vives. Quem te tem na memória lembra daquela temporada de 2014, quando tu provou ao mundo que não estava acabado. Essa é a beleza da tua carreira: não dá pra escolher só um momento. Todos nós temos um preferido, e este pode variar entre um título, uma partida, um ponto ou até mesmo um gesto.

Mas eu sei qual o meu. E assim como cada fã, tenho orgulho de compartilhar com todos. Foi no Australian Open, há dois anos atrás. Todos pensavam que sua época já havia passado, mas estavam muito enganados. A vibração que tinhas em ti quando venceu Andy Murray nas quartas, teve de sair no momento do triunfo, onde gritos de alegria tomaram a Rod Laver Arena.

Engana-se quem pensa que haverá um tenista, ou melhor, esportista igual a ti. Dizem que os homens tornam-se lendas quando fazem o que outro jamais conseguiu. Mas tu viraste lendário por tua atitude, dentro e fora de quadra. Os feitos inéditos foram apenas consequência de ser quem és.

Nesse ano, continuo vendo tênis como antes, mas sinto tua falta. Todos sentem a tua falta. Todos vêem isso como o começo do fim. Todos sabem que, um dia, receberão um baque ao saber que tu vais parar. 

Por enquanto, ainda não. Não importa o que digam, não é Novak nem Andy que farão você ser menos fantástico, então, por favor, nunca pare. Continue jogando e sendo quem és, pois não é um ranking que vai dizer o quanto você vale: o seu talento fala mais alto do que tudo.

Precisamos muito de Roger Federer vivo em quadra. Todos seguiremos pensando em ti, mas ainda não é hora de ficar apenas na memória: ainda há muita genialidade a ser produzida.

Você nunca está acabado. Mesmo que um dia esse maravilhoso ciclo se encerre. A sua carreira é um serviço ao esporte, e servirá de exemplo para futuras gerações, assim como sua personalidade. 

Roger, o Tênis precisa de você.