Número um do mundo de Padel, Pablo Lima fala à VAVEL: "Cheguei à Europa com apenas cinco euros"

Gaúcho falou à VAVEL sobre o sucesso e as experiências no circuito profissional

Número um do mundo de Padel, Pablo Lima fala à VAVEL: "Cheguei à Europa com apenas cinco euros"
(Foto: Hugo Alves/VAVEL Brasil)

Fora dos holofotes da mídia nacional, há um brasileiro que brilha nas quadras espanholas. Trata-se de Pablo Lima, melhor jogador de Padel do mundo, ao lado de seu parceiro, o argentino Fernando Belasteguín

Pablo José Mongelo de Lima é natural de Porto Alegre, e nasceu em 11 de Novembro de 1986, tendo hoje 30 anos de idade. É o melhor padelista do Brasil na atualidade, tendo alcançado o posto de número um do mundo em 2015. 

Sua posição de jogo é o "drive", posição onde naturalmente joga o canhoto. Significa que, jogando em seu lado, esse padelista terá sua mão predominante batendo no lado de dentro da quadra.

Conheça o Padel, esporte que vem ganhando força no Brasil e no mundo

Profissional no esporte desde 2004, El Cañon falou com a VAVEL sobre seu sucesso e o difícil caminho até o topo. Confira: 

Pablo, primeiramente a VAVEL gostaria de lhe parabenizar pelos seus feitos. Não é fácil ser número um do mundo e é necessário ter o "algo a mais" para chegar lá. O que você diria que mais te ajudou, ou que tenha sido seu ponto mais forte para seguir firme nessa caminhada para ser o melhor do mundo?
"Sinceramente, acho que o que mais me ajudou foi sempre ter força de vontade mesmo, isso nunca me faltou. Sempre acreditei muito no trabalho duro e isso eu posso dizer que é o meu ponto forte. Não tenho um super talento, mas consigo explorar bem as minhas qualidades."

Recentemente você contou à WPT (World Padel Tour) que quando chegou à Espanha tinha apenas cinco euros no bolso. Como você conseguiu se virar por lá?
"Eu cheguei na Europa, na Espanha com só cinco euros mesmo. Porém quando eu chegasse lá, meu patrocinador da época já havia dito que me daria um dinheiro. Nos primeiros anos eu tinha que dar aula para me sustentar, dava uma média de oito a nove horas de aulas por dia. Treinava quando dava."

Atualmente, você e o Belasteguín dominam o circuito. Essa parceria deu certo desde que começou, em 2015, e a combinação foi instantânea. Como é que esse jogo encaixou tão bem logo do começo e como é ter esse privilégio de jogar ao lado de um dos melhores da história?
"Nós temos um pensamento parecido no que diz respeito ao esporte e à maneira de trabalhar. Quando começamos a jogar, nós dois sabíamos o que queríamos. Em  nenhum momento um quis sobressair sobre o outro. E sobre jogar com ele, é um grande privilégio. Ele é um dos nomes mais importantes do nosso esporte e pra mim é muito bom poder compartir a quadra ao seu lado."

Você é porto alegrense, e os nossos grandes padelistas da atualidade são quase todos gaúchos. Essa conexão com Argentina e Uruguai é maior pelos lados do Sul, é claro, mas como você acha que o esporte pode começar a crescer no resto do Brasil?
"No Sul se joga mais, mesmo. Eu comecei aos 9 anos. Meu pai já jogava e eu comecei por isso. Acredito que, para o resto do país, uma boa propaganda seria mostrar como o Padel está aqui na Espanha. Para uma pessoa que não conhece o Padel, parece incrível saber que se jogue tanto em um país europeu."

Sabemos que você já está na Espanha há um bom tempo, e deve ser mais ligado com a realidade e com as pessoas europeias. Mas como é a relação com os demais brasileiros do circuito?
"Tenho uma relação muito boa com todos, já joguei com alguns. No meu caso e também acredito que no deles, torcemos uns pelos outros."

Por fim, o que você vê para o futuro? O Padel permite jogar até uma certa idade, mas você já consegue imaginar algo após o Padel, para sua vida?
"Se tudo der certo, ainda tenho muitos anos como jogador. Mas no futuro eu gostaria de seguir vinculado ao esporte. É o que eu faço desde muito pequeno e acho poderia contribuir em varias áreas, de várias maneiras."