Um pouco de história: os Mundiais de Vôlei (parte 1)
1949, o primeiro Mundial (Foto:Divulgação/FIVB)

Um pouco de história: os Mundiais de Vôlei (parte 1)

Conheça o que de mais importante aconteceu nas 18 edições do Campeonato Mundial de Vôlei Masculino

jonvicosta
Jon Costa

Fundada em 1947, por representantes de 14 países, entre eles o Brasil, a Federação Internacional de Vôlei não perdeu tempo e, dois anos depois, já realizava o primeiro Campeonato Mundial, na Checoslováquia. Foi o primeiro passo para transformar o esporte num dos mais populares do planeta, com 220 filiados hoje. Confira abaixo a evolução do torneio.

Em 1949: 10 a 18 de setembro, Checoslováquia

Na primeira edição, só países europeus marcaram presença. As partidas aconteceram ao ar livre, sobre uma quadra de tênis. O campeão saiu de um hexagonal, no formato de pontos corridos. Avassaladora, a União Soviética conquistou o ouro em campanha invicta, com apenas dois sets desperdiçados. No último jogo, um duelo direto pelo título, os soviéticos bateram os checos por 3 a 1 (15-7, 15-11, 17-19, 15-13). Desse time, dois jogadores tiveram seus nomes incluídos posteriormente no Hall da Fama do vôlei: Konstantin Reva e Vladimir Savvin. A Bulgária foi bronze.

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Em 1952 (17/8 a 29/8), União Soviética

Representada por Líbano e Índia, a Ásia estreou no certame. Onze times se fizeram presentes. Os jogos ao ar livre, o formato e o pódio da edição anterior se repetiram: ouro para a União Soviética, com 100% de aproveitamento nos sets disputados, prata para a Checoslováquia, bronze para a Bulgária. No confronto decisivo, os anfitriões fizeram 3 a 0 sobre os checos (15-11, 15-7, 15-6). Reva, Savvin, Voronin, Nefëdov, Pimenov, Ulyanov, Jakuschev, Shagin, Ėjngorn sagraram-se bicampeões.

Em 1956 (30/8 a 12/9), França

O Mundial inchou: 24 seleções competiram. A América entrou finalmente na disputa, com Brasil, Estados Unidos e Cuba. A fase final, em pontos corridos, alocou dez times. Invicta, a Checoslováquia conquistou o inédito título com uma vitória por 3 a 2 sobre a União Soviética (9-15 15-3 15-13 9-15 15-12) na última rodada. O destaque do time era Josef Musil, eleito pela FIVB como um dos melhores atletas do século XX. A Romênia ficou com a prata e foi a responsável pelo primeiro revés soviético em Mundiais (3 a 1). Aos bicampeões, restou o terceiro lugar. O Brasil, capitaneado por Álvaro Caíra, terminou em 11º.

Em 1960 (28/10 a 11/11), Brasil

Com a desistência de México, República Dominicana e Índia, 14 seleções disputaram o evento. Os países americanos eram a metade, mas o pódio foi inteiramente europeu: URSS, Checoslováquia e Romênia. Dessa vez, o encontro entre os líderes se deu na penúltima rodada, e os soviéticos venceram os checos em sets diretos (15-12, 15-10, 15-4). O tricampeonato vermelho, em campanha invicta, foi selado contra o Brasil (3 a 1), que terminou em quinto. Ouro como jogador em 1952, Givi Ahvlediani, georgiano de nascimento, alcançou outra medalha, mas agora como técnico. A fase final teve o mesmo formato da edição passada, e os jogos foram realizados no Rio de Janeiro e em Niterói.

Brasil sedia pela primeira vez o Mundial em 1960. Reprodução do site da FIVB

Em 1962 (12/10 a 26/10), União Soviética

Com a entrada do vôlei nos Jogos Olímpicos de 1964, a FIVB decidiu antecipar a quinta edição do Mundial. Entre os 21 inscritos, estava a Tunísia, a primeira representante africana, que se retiraria do torneio após a terceira das nove rodadas da segunda fase (cuja briga era pelo 11º lugar). O formato da etapa final se manteve, e o pódio também: URSS, Checoslováquia e Romênia. No último dia, com a derrota dos checos para os romenos, os anfitriões entraram em quadra, na partida de fundo, com o quarto campeonato assegurado. A vitória sobre a Polônia no tie-break foi a cereja do bolo de uma trajetória impecável. No esquadrão dirigido novamente por Ahvlediani, vários atletas de 1960 fizeram o bis, entre eles Bugajenkovs, outro eternizado no Hall da Fama. O Brasil terminou em 10º, perdendo todos os confrontos do decagonal.

Em 1966 (30/08 a 11/09), Checoslováquia

Com 22 times, o Mundial voltou à Praga. E os checos fizeram valer o fator casa para conquistar o bicampeonato. Logo nas primeiras rodadas do octogonal decisivo, venceram os principais concorrentes: 3 a 2 sobre os soviéticos e 3 a 1 sobre os romenos. Assim, chegaram ao derradeiro jogo, em que perderiam para os japoneses no tie-break, com o primeiro lugar garantido. Vencedor também em 1956, Musil encerrou sua trajetória em Mundiais com o quinto pódio, somando dois ouros e três pratas. Outro remanescente da conquista anterior era Bohumil Golían. A Romênia terminou em segundo, enquanto a campeã olímpica URSS, com quatro derrotas durante o torneio, fechou em terceiro. O Japão, em franco crescimento, apesar de vitórias incríveis sobre o país anfitrião, a URSS e a Polônia, não passou do quinto lugar. O Brasil foi o 13º.

Em 1970 (29/09 a 12/10), Bulgária 

A edição de 70 teve 24 participantes e uma classificação final inesperada: URSS (6º), Checoslováquia (4º) e Romênia (7º), que haviam abocanhado todas as medalhas nos quatro eventos anteriores, desta vez, sequer subiram ao pódio. Na partida que decidiu o título, na última rodada do octogonal, ficaram frente a frente a líder Bulgária, com 6 vitórias até então, e a vice Alemanha Oriental, com 5 vitórias e uma derrota. Quem vencesse ficaria com o ouro. A definição só veio no quinto set, com muita lamúria dos búlgaros e festa dos alemães, cujo destaque era Siegfried Schneider (15-11, 13-15, 15-7, 4-15, 15-13). Empatados em pontos com os vencedores, os anfitriões perderam o campeonato no saldo de sets: 20-7 contra 20-6. O Japão conquistou sua primeira medalha, um bronze, furando o domínio dos europeus. O Brasil terminou em 12º

Em 1974 (12/10 a 28/10), México 

Com 24 seleções, o campeonato apresentou novidade em seu sistema de disputa. Foram realizadas duas fases de grupos antes do hexagonal decisivo. Na última rodada, a Polônia conquistou o título com uma vitória, no quarto set, sobre o Japão, ouro nas Olimpíadas de 1972. Na torcida pelos nipônicos, que terminariam com o bronze, estava a URSS, cuja única chance de chegar ao topo era com um revés polonês. Três nomes da Polônia seriam imortalizados no Hall da Fama: o treinador Hubert Wagner e os jogadores Gościniak e Wójtowicz. A Alemanha Oriental fechou em quarto, seguida por Checoslováquia e Romênia. A Bulgária decepcionou, finalizando em sétimo. O Brasil foi o 9º.

Em 1978 (20/09 a 1º/10), Itália

Pela primeira vez, adotou-se o mata-mata para definir o campeão. Na primeira fase (seis grupos de quatro times), a Coreia do Sul surpreendeu ao eliminar a Romênia. Na segunda, (dois grupos de seis), foi a vez da campeã olímpica Polônia, da Bulgária, da Alemanha Oriental, da Checoslováquia e do Japão ficarem pelo caminho. Assim, exceto pela URSS, não faltou renovação entre os semifinalistas. O vôlei começava a diversificar sua geopolítica. Itália e URSS passaram por Cuba e Coreia do Sul, respectivamente, e decidiram o campeonato em Roma. Os donos da casa não conseguiram impedir o penta soviético: um fácil 3 a 0 (15-10, 15-13, 15-1). Savin, Zaytsev e o treinador Platonov foram os principais nomes do time vencedor. Cuba conquistou o bronze, a primeira medalha de um país americano no certame. Brasil fechou em sexto.

Em 1982 (1º/10 a 15/10), Argentina 

Entre os 24 participantes, estava a Austrália, primeiro represente da Oceania na história do Mundial. O sistema de disputas foi o mesmo da edição anterior. Vice em 1978, a Itália saiu da briga logo na primeira fase, em que terminou atrás de Canadá e Alemanha Oriental num dos grupos. A América do Sul se fez presente nas semifinais com dois times. Com Montanaro, Renan, William, Amauri, Bernard, Fernandão, entre outros, o Brasil, em sua melhor campanha até aquele momento, fez 3 a 0 sobre o Japão. A Argentina, porém, não teve a mesma sorte contra a campeã olímpica URSS, e saiu derrotada em sets diretos. Na final, para selar o hexacampeonato, os soviéticos massacraram os brasileiros: 15-3, 15-4, 15-5. Do time que fora ouro quatro anos antes, eram remanescentes: Dorokhov, Zaytsev, Savin, Loor, Moliboga, Selivanov e o técnico Platanov. Os anfitriões celebraram o bronze.

Em 1986 (25/09 a 05/10), França

A FIVB encolheu o Mundial: de 24 para 16 seleções. O Brasil voltou às seminais, mas foi derrotado pelos Estados Unidos por 3 a 0. Por placar idêntico, a União Soviética parou a Bulgária. Assim, os dois polos da Guerra Fria, pela primeira vez, protagonizaram a decisão do campeonato. De um lado, seis títulos do mundo e três de Olimpíadas; do outro, um mero coadjuvante em Mundiais, mas que, dois anos antes, vencera os Jogos de Los Angeles. Os norte-americanos, de virada, triunfaram: 3 a 1 (12-15, 15-11, 15-8, 15-12). Karch Kiraly, o grande nome dos campeões, seria eleito o melhor jogador do ano meses depois. A Bulgária passou pelo Brasil na disputa do bronze (3 a 0). Dona da casa, a França terminou apenas em sexto, porém, viu Philippe Blain ser coroado o melhor jogador. Os melhores do torneio: Blain (FRA, MVP), Fabiani (FRA, levantador), Graig Buck (USA, pontuador), Robert Ctvrtlik (USA, defensor), Chkourikhine (URS, atacante), Draguiev (BUL, bloqueador), Errichielo (ITA, recepção).

A única final entre Estados Unidos e União Soviética, 1986 (Reprodução do site da FIVB)
A única final entre Estados Unidos e União Soviética, em 1986. Reprodução do site da FIVB

Lista de siglas: BUL: Bulgária; FRA: França; ITA: Itália; URS: União Soviética; USA: Estados Unidos.

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