Um pouco de história: os Mundiais de Vôlei (parte 2)
Brasil novamente é a casa do Mundial em 1990 (Foto:Divulgação/ FIVB)

Um pouco de história: os Mundiais de Vôlei (parte 2)

Conheça o que de mais importante aconteceu nas 18 edições do Campeonato Mundial de Vôlei Masculino

jonvicosta
Jon Costa

Até o ano de 1982, o leste europeu predominou no vôlei mundial. Depois, os países do ocidente passaram a dar as cartas, com destaque para as longas hegemonias estabelecidas por Itália e Brasil. Confira abaixo a transição.

Em 1990 (18/10 a 28/10), Brasil

O Mundial teve 16 seleções e um formato mais dinâmico, com fase de grupos e eliminação direta a partir das oitavas. Sem Kiraly, que migrara para o vôlei de praia, os Estados Unidos, ouro olímpico em 1988, fizeram feio: seguraram a lanterna num grupo com Argentina, Holanda e Canadá. Nas semifinais, num Maracanãzinho lotado, a Itália superou o Brasil no tie-break e se colocou no caminho de Cuba, que passara pela URSS, por 3 a 1, horas antes.

Na final, os italianos venceram em quatro sets (12-15, 15-11, 15-6, 16-14) e iniciaram uma longa hegemonia no certame. Em contrapartida, a edição de 1990 viu a despedida da União Soviética, que entraria em dissolução logo depois. O bronze, conquistado sobre o Brasil, encerrava uma trajetória até hoje não igualada.

Os melhores: Luchetta (ITA, MVP), Cantagalli (ITA, recepção), Zwerver (NED, atacante), Benn (NED, sacador), Tonev (BUL, bloqueador), Maurício (BRA, defensor), Diago (CUB, levantador).

Em 1994 (29/09 a 08/10), Grécia 

O sistema de disputa não foi alterado. Campeão olímpico em 1992 e da Liga Mundial em 1993, o Brasil entrou na competição como um dos grandes favoritos, mas foi eliminado nas quartas por Cuba, em confronto de cinco sets.

A anfitriã Grécia e a Rússia, herdeira da antiga URSS, também não passaram dessa fase. Nas semifinais, a Holanda, prata em Barcelona, bateu os EUA no tie-break, enquanto a Itália superou Cuba por 3 a 1. Na decisão, em Tessalônica, os italianos alcançaram o bicampeonato, fazendo um aviltante 15 a 1 no quarto set (15-10, 11-15, 15-11, 15-1).

Os norte-americanos saíram com o bronze. A Itália manteve quase todo o elenco de 1990: Bernardi (eleito MVP), Tofoli, Bracci, Cantagalli, Gardini, De Giorgi, Giani, Zorzi, além do técnico Julio Velasco.

Os melhores: Bernardi (ITA, MVP), Tofoli (ITA, levantador), Zwerver (NED, atacante), Phostuma (NED, bloqueador), Fortune (USA, recepção), Ctvrtlik (USA, defensor), Marcelo Negrão (BRA, sacador).

Em 1998 (13/11 a 29/11), Japão

O campeonato voltou a ter 24 seleções, com duas fases de grupos (com 4 e 8 times), seguidas por semifinais e final. Depois de um tempo ausentes, Polônia e República Checa, herdeira da Checoslováquia, participaram, sem o mesmo brilho de outrora.

O Brasil chegou invicto à semifinal contra a Itália, mas saiu derrotado após cinco sets. Já a Iugoslávia, que nunca chegara tão longe no certame, bateu Cuba por 3 a 1. Na decisão, em Tóquio, os italianos subjugaram os iugoslavos em sets diretos (15-12, 15-5, 15-10) e conquistaram o tri. Dos times exitosos em 1990 e 1994, só restavam Bracci, Giani, Gardini e De Giorgi. Gravina e Papi festejaram o segundo ouro.

O argentino Velasco fora substituído pelo brasileiro Bebeto de Freitas no comando técnico. Cuba fechou o pódio com uma vitória sobre o Brasil. Campeã olímpica em 1996, a Holanda finalizou em sexto. O espanhol Pascual foi o destaque das premiações, sendo condecorado como melhor jogador e maior pontuador.

Os melhores: Pascual (ESP, MVP e pontuador), Bebeto de Freitas (ITA, técnico), Vujević (YUG, sacador), Gustavo (BRA, bloqueador), Milinkovic (ARG, atacante), Sullivan (USA, defensor), Diago (CUB, levantador), Sanchez (CUB, recepção).

Em 2002 (28/09 a 13/10), Argentina

Com 24 seleções novamente, o Mundial teve o formato alterado: duas fases de grupos (com 4 times em ambas) e eliminação direta a partir das quartas. Foi a primeira vez que o sistema de pontos corridos (sem vantagem) foi adotado no torneio.

Semifinalista nas três edições anteriores, Cuba caiu logo na primeira etapa, num grupo com República Checa, Grécia e Holanda. A anfitriã Argentina se despediu nas quartas, depois de revés para a França, frustrando sua torcida, que, com o quarto lugar de Sidney, criara altas expectativas. Para amenizar, Milinkovic foi eleito MVP.

Ainda nas quartas, em jogo decidido no tie-break, com todos sets terminando com a diferença mínima, o Brasil pôs fim ao sonho do tetra da Itália. Na semifinal, fez outro duelo duríssimo: 3 a 1 sobre Iugoslávia, campeã olímpica. Já a surpreendente França sucumbiu no quinto set diante da Rússia. Na decisão, brasileiros e russos fizeram um jogo de enorme apreensão, vencido pelo time de Bernadinho, 3 a 2 (25-23, 25-27, 20-25, 25-23, 13-15). A hegemonia do vôlei masculino estava em novas mãos a partir desse dia. Os franceses, em terceiro, obtiveram inédito pódio.

Os melhores: Milinkovic (ARG, MVP), Meana (ARG, recepção), André Nascimento (BRA, atacante), Maurício (BRA, levantador), Granvorka (FRA, sacador), Henno (FRA, defensor), João José (POR, bloqueador).

Giba em ação em 2006: Brasil bicampeão (Reprodução do site da FIVB)

Em 2006 (17/11 a 03/12), Japão 

Novamente, houve mudança no formato: duas fases de grupos (com 6 e 8 times) foram sucedidas por jogos únicos na semifinal e na decisão. Ouro olímpico, o Brasil confirmou o favoritismo, só tropeçando uma vez – para a França, na primeira etapa. Após eliminar Sérvia e Montenegro, fez o jogo do título contra a Polônia, vencendo com um tranquilo 3 a 0 (25-12, 25-22, 25-17).

Nas campanhas do bicampeonato, estiveram presentes Giba (eleito MVP), Dante, André Nascimento, Serginho, Anderson, Gustavo, Rodrigão, Ricardo e o técnico Bernardinho. Os poloneses dedicaram a prata ao ex-colega Arkadiusz Gołaś, morto em acidente automobilístico um ano antes.

A Bulgária conquistou o quarto bronze de sua história no torneio. Os melhores: Giba (BRA, MVP), Dante (BRA, atacante), Zagumny (POL, levantador), Kaziyski (BUL, sacador), Verbov (RUS, líbero), Koulechov (RUS, bloqueador), Soto (PUR, pontuador).

Em 2010 (25/09 a 10/10), Itália

O certame teve três fases de grupos (com 4, 3 e 3 times) antes das semifinais. Nestas, Cuba, com um elenco muito jovem, passou pela Sérvia em duelo de cinco sets, enquanto o Brasil fez 3 a 1 sobre a Itália. Na primeira fase, cubanos e brasileiros haviam se enfrentado, com vitória dos primeiros no tie-break. Mas, na decisão, em Roma, o panorama foi diferente, e a equipe verde e amarela aplicou 3 a 0 (25-22, 25-14, 25-22), garantindo o tricampeonato. Giba, Rodrigão, Dante e Bernardinho foram os únicos a participar das três ocasiões. Já Murilo (eleito MVP) e Heller estiveram nas duas últimas. O cubano Simón foi o melhor bloqueador.

A Sérvia venceu a Itália e ficou com o bronze. Campeões olímpicos, os EUA não passaram do sexto lugar. Vice em 2006, a Polônia parou na segunda fase. Os melhores: Murilo (BRA, MVP), Simón (CUB, bloqueador), Grbić (SRB, levantador), Stanley (USA, sacador), Pérez (ESP, pontuador), Mikhaylov (RUS, atacante), Tille (GER, líbero).

Em 2014 (30/08 a 21/09), Polônia

O Mundial apresentou novo formato, com três fases de grupos (6, 8 e 3 times) antes das semifinais. O recorde histórico de público, que pertencia à Itália-2010 (339 mil) foi superado com sobras na Polônia (563 mil). O jogo de abertura, em que a Polônia venceu a Sérvia por 3 a 0, aconteceu ao ar livre, no Estádio Nacional de Varsóvia, diante de 62 mil espectadores.

Na primeira fase, o resultado mais surpreendente foi a vitória de Porto Rico sobre a Itália (3 a 1). Os italianos ficariam pelo caminho na etapa posterior, de mãos dadas com EUA e Sérvia. França e Irã se colocaram à frente dos países mais tradicionais. Ouro olímpico em 2012, a Rússia parou na terceira fase ao ser derrotada por Brasil e Polônia.

Nas semifinais, jogos duríssimos foram a tônica: os brasileiros precisaram do tie-break para superar os franceses; já os poloneses derrotaram os alemães em quatro sets. Na decisão, a Polônia, treinada por Stephane Antiga, interrompeu a hegemonia do Brasil, fazendo 3 a 1 (18-25, 25-22, 25-23, 25-22), de virada, deixando seus fãs ensandecidos em Katowice. Era o fim de um jejum de 30 anos sem título no certame. A Alemanha ficou com o bronze, seu melhor resultado de sempre.

Seleção do campeonato:  Wlazły (POL, oposto e MVP), Kampa (GER, levantador), Lucarelli e Murilo (BRA, atacantes), Böhme (GER, central), Kłos (POL, central), Grebennikov (FRA, líbero).

A incrível abertura do Mundial em 2014 (Reprodução do site da FIVB)

Lista de siglas: BRA: Brasil; BUL- Bulgária; CUB: Cuba; ESP: Espanha; FRA: França; ITA: Itália; GER: Alemanha; NED: Holanda; POL: Polônia; POR: Portugal; PUR: Porto Rico; RUS: Rússia; SRB: Sérvia; USA: Estados Unidos; YUG: Iugoslávia.

 
VAVEL Logo

    Vôlei Notícias

    há 10 dias
    há 10 dias
    há 13 dias
    há 13 dias
    há 14 dias
    há 2 meses
    há 5 meses
    há 5 meses
    há 5 meses
    há 5 meses