Jogadoras do vôlei feminino do Brasil reclamam do horário dos jogos: "Ingrato com o atleta"

Segundo as atletas brasileiras, tem sido difícil se adaptar aos horários dos jogos

Jogadoras do vôlei feminino do Brasil reclamam do horário dos jogos: "Ingrato com o atleta"
Foto: Reuters

Brasil começou de forma arrasadora no vôlei feminino nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro com duas vitórias fáceis contra Camarões e Argentina. Mas nem tudo são flores. As atletas da seleção brasileira criticaram o horário dos jogos e revelaram que a adaptação ao horário das partidas tem sido complicada.

"É um horário ingrato com atleta. Que horas vamos chegar na Vila Olímpica? Chegar, jantar e tomar banho. Até poder relaxar, adrenalina baixar e dormir, vai ser lá para madrugada. É complicado, é horrível. Para o atleta é péssimo. Eu costumo dormir cedo. Mas, se eu joguei, é um problema sério. Até em jogo de Superliga, quando é mais tarde, eu fico tensa. Ainda mais se eu acho que não fui tão bem, que eu gostaria ter ido melhor. A cabeça não para e tem vezes que eu nem durmo", criticou Thaissa, que foi poupada dos dois primeiros jogos por lesão e deve estrear na próxima rodada.

Apesar das reclamações, as atletas brasileiras revelaram que estão tentando se adaptar ao horário, já que até o final da fase classificatória o Brasil só jogará às 22h35 (de Brasília). Nesta quarta-feira (10), o adversário será o Japão e o jogo promete ser mais duro do que os dois jogos iniciais. Depois disso, dependerá dos cruzamentos das chaves.

"Estamos nos preparando para isso. Jogo contra o Japão é sempre chato. Elas defendem muito. E, agora, é um jogo mais tarde. É quase um fuso. Temos essa preocupação. Chegar e já comer, deitar rápido. Não ficar no telefone porque isso desperta bastante também. Tentar descansar e encarar isso de frente. Os horários não vão mudar. Vamos encarar da melhor forma. O único ruim é que 22h30m é o pico da minha fome. Então, se puder levar um arroz e feijão para mim no meio do jogo vai ser melhor", brincou Gabi.

O preparador físico da seleção, Zé Elias, admite que a adaptação é difícil. Segundo ele, no mundo ideal as atletas deveriam ter pelo menos 12 horas de descanso entre o fim do jogo e o treino do dia seguinte. Por isso, a seleção deverá montar um trabalho físico pelas manhãs e treino em quadra à noite.

Já para o técnico José Roberto Guimarães, toda a programação muda, incluindo horário de treino, almoço e descanso. O treinador permite que as atletas tirem um cochilo durante a tarde, porém é algo opcional. Segundo ele, as meninas já estão preparadas para a escala de jogos.

"A programação, em si, é um horário mais complicado. A gente vai almoçar entre 14h e 15h, depois, o lanche. Ficamos um pouco sem noção. Vamos começar a ter ideia efetiva de como vamos administrar durante o dia. Amanhã, vale a pena treinar? Depende do horário que vamos entrar na Vila. Melhor fazer um peso, deixar só o treino da noite. Começamos a entrar no espírito", explicou.

Algumas atletas costumam dormir cedo, porém outras nem tanto. Natália, por exemplo, faz parte do grupo que dorme tarde. Talvez por isso ela não prevê problemas na adaptação.

"Sabemos que a rotina vai ser essa. Precisamos nos adaptar. Vai ser até a final, se Deus quiser.  Conseguimos descansar bem durante o dia. Ruim é pegar a madrugada quebrada. Pelo menos tem a manhã seguinte para descansar. Espero que tenha (risos). Mas é tranquilo. Acho que não vai atrapalhar em nada. Eu não consigo dormir cedo. Às vezes eu estou com sono e luto contra, sempre arranjo algo para fazer", disse.

Com duas vitórias nos dois primeiros jogos, o Brasil retorna às quadras na próxima quarta-feira (10), contra o Japão, às 22h35 (de Brasília). A VAVEL Brasil fará a cobertura do jogo em tempo real.