Da virtual eliminação ao título: a heroica campanha do Brasil no Grand Prix de Vôlei

Seleção Feminina flertou com o perigo durante a fase de classificação, mas cresceu no momento certo e conquistou o torneio pela 12ª vez

Da virtual eliminação ao título: a heroica campanha do Brasil no Grand Prix de Vôlei
Foto: Divulgação/ FIVB

Com três vitórias e três derrotas nas duas primeiras etapas do Grand Prix, a possibilidade da Seleção Feminina ficar de fora da fase final do torneio, após 14 anos, era real. A renovada equipe comandada por José Roberto Guimarães chegou ao Brasil para disputar da etapa de Cuiabá na sétima colocação - cinco se classificavam -, com o desafio de superar duas seleções que tiveram bons desempenhos na Olimpíada Rio 2016: Holanda (4ª lugar) e Estados Unidos (medalha de bronze).

A desconfiança, consequência da instabilidade do Brasil no torneio, existia. Mas as meninas brasileiras contaram com o apoio dos mato-grossenses e venceram os três jogos disputados no ginásio Aecim TocantinsBélgica, Holanda e Estados Unidos. Com os nove pontos somados, o Brasil avançou à fase final da competição.

A mescla de juventude e experiência fez a diferença a favor do Brasil. Das atletas que participaram das Olimpíadas Rio 2016, apenas Natália, Tandara e Adenízia foram convocadas por Zé Roberto. Fabiana e Sheilla anunciaram aposentaria da seleção após a precoce eliminação brasileira dos Jogos Olímpicos. Fernanda Garay pediu dispensa. Dani Lins e Thaísa se afastaram por motivos particulares.

Entretanto, o Brasil contou com Carol, Rosamaria, Drussyla, Roberta, Macris, Ana Beatriz, Amanda, dentre outras. Todas foram importantíssimas na campanha brasileira em busca do 12º título do Brasil no Grand Prix de Vôlei. Ana Beatriz, central do Osasco, assumiu a titularidade na reta final da competição e terminou eleita como uma das melhores centrais do torneio.

O primeiro desafio da Seleção Brasileira na Fase Final se anunciou como o mais difícil até então. Algozes nas Olimpíadas, as chinesas, jogando em casa, carregavam o favoritismo. E assim aconteceu: as comandadas de Zé Roberto estrearam com derrota por 3 sets a 0 para as anfitriãs.

Diante da Holanda, um novo tropeço custaria a eliminação. Era tudo ou nada para o Brasil. Em um jogo emocionante e com grandes reviravoltas, as meninas brasileiras conseguiram uma sofrida vitória por 3 a 2. A esperança de seguir avançando continuava viva.

Apesar um do triunfo, a classificação só se confirmaria com uma vitória da China sobre a Holanda, na última rodada. Em outro jogo eletrizante, as asiáticas conquistaram a vitória no tiebreak e automaticamente classificaram o Brasil para as semifinais. Nesta partida, as holandesas chegaram a ter quatro match points no tiebreak. Mais uma vez o Brasil sobrevivia no torneio, de forma dramática.

Como no Grand Prix não há caminho fácil, as sul-americanas cruzaram com a Sérvia, vice-campeã olímpica, na primeira semifinal. Do outro lado da chave, China e Itália duelaram. O que poderia ser uma reedição da final olímpica se transformou em um encontro entre Brasil e Itália, surpreendendo o mundo do voleibol.

Brasileiras e italianas justificaram a presença na decisão. Em um jogo com viradas e revidas dentro dos sets, a seleção verde e amarela fez um tie-break impecável e conquistou o 12º título do Grand Prix – a partir da próxima temporada o torneio será chamado de Liga Mundial Feminina.

Com a conquista, o Brasil chegou ao seu 12º título do Grand Prix: 1994, 1996, 1998, 2004, 2005, 2006, 2008, 2009, 2013, 2014, 2016 e, agora, 2017. A seleção sul-americana é a maior vencedora do torneio. Em seguida vem os Estados Unidos, com seis triunfos. Com três medalhas de ouro, a Rússia completa o pódio dos times que mais venceram a competição.

Grand Prix - Campanha brasileira

1ª semana – Ancara (Turquia)

07.07 – Brasil 3 x 0 Bélgica (25/22, 25/23 e 25/18) 
08.07 – Brasil 0 x 3 Sérvia (19/25, 20/25 e 19/25) 
09.07 – Brasil 3 x 2 Turquia (24/26, 25/17, 25/18, 22/25 e 15/13)

2ª semana – Sendai (Japão)

14.07 – Brasil 3 x 0 Sérvia (26/24, 25/17 e 25/22) 
15.07 – Brasil 0 x 3 Tailândia (22/25, 21/25 e 27/29)
16.07 – Brasil 2 x 3 Japão (22/25, 24/26, 25/19, 25/20 e 15/17)   

3ª semana – Cuiabá (Brasil) 

20.07 – Brasil 3 x 0 Bélgica (28/26, 25/19 e 25/20) 
21.07 – Brasil 3 x 1 Holanda (25/17, 25/14, 18/25 e 25/19)
23.07 – Brasil 3 x 1 Estados Unidos (25/20, 25/13, 18/25 e 25/18)

Fase Final – Nanjing (China) 

02.08 – Brasil 0 x 3 China (22/25, 17/25 e 27/29)
03.08 – Brasil 3 x 2 Holanda (25/27, 25/23, 22/25, 25/22 e 15/11)  

Semifinal 

05.08 – Brasil 3 x 1 Sérvia (20/25, 25/23, 25/14 e 25/23)

Final

06.08 – Brasil 3 x 2 Itália (26/24,17/25, 25/22, 22/25 e 15/8).