Giro 100: Dumoulin, Indurain 2.0

Esta segunda semana foi todo o terreno: um contrarrelógio, uma chegada em alto, uma etapa para a fuga, duas etapas para os sprinters e uma etapa que remontou ao Giro da Lombardia. Vamos lá recordar.

Giro 100: Dumoulin, Indurain 2.0
Dumoulin está a supreender toda a gente e vai entrar para a terceira semana com uma boa vantagem // Fonte: Rowery

Indurain 2.0 porquê? Mesmo quem não é do tempo do campeoníssimo espanhol conhece este nome. Miguel Indurain ganhou 5 Voltas a França consecutivas, de 1991 a 1995, ganhou o Giro D’Italia em 1992 e 1993, ou seja, fez a dobradinha Giro-Tour por dois anos consecutivos. E o que é que diferenciava este ciclista dos outros? O poder na montanha? Não, nada disso. Era o seu poderio no contrarrelógio. Miguel Indurain raramente ganhava etapas em linha, mas quando tocava a contrarrelógios o espanhol destruía a concorrência.

Fonte: VeloNews

É este o motivo desta comparação de Dumoulin com Indurain, mas com um upgrade: Dumoulin está a conseguir bater os restantes na montanha, e atenção que a concorrência que o holandês tem agora não tem nada a ver com a concorrência de Indurain. Dumoulin é jovem, tem 26 anos, e já conseguiu mudar as suas características e evoluir de uma forma brutal na montanha. Resta saber como se vai sair na 3ª semana deste Giro.

Mas vamos focar-nos no que aconteceu nesta passada semana. Houve espetáculo, mas podia ter havido mais se tivesse havido mais montanha, contudo houve mudanças e surpresas. Vamos recapitular o que aconteceu:

Etapa 10: Toda a gente sabia que a camisola rosa conquistada por Nairo Quintana na última etapa antes do descanso, no alto do Blockhaus, tinha os dias contados, pois a vantagem de apenas 30 segundos para Tom Dumoulin era muito escassa. O holandês confirmou o seu favoritismo e voou pela estrada e tirou 2:53’ a Quintana, 2:42’ a Pinot e 2:17’ a Mollema. Pode dizer-se que Quintana se defendeu bem, pois em 40km perder menos de 3 minutos para Dumoulin não é nada mau. Primeira vitória de etapa e camisola rosa para o ‘Holandês Voador’, com uma vantagem de 2:23’ para o segundo, Quintana. Lá está, defende-se na montanha e chega aos contrarrelógios e rebenta com toda a competição, mas …

Etapa 11: Esta era a etapa de Rui Costa, e o português fez tudo por isso. Etapa de descanso para as principais figuras da geral, deixando 26 homens irem para a frente da corrida. Mikel Landa e Omar Fraile estiveram grande parte do percurso na frente da corrida, mas foram apanhados pelo grande grupo da fuga antes dos momentos decisivos. Nos momentos importantes da corrida, o primeiro a atacar foi Rui Costa, levando Rolland consigo. O francês continuou na frente e teve a companhia de Fraile, enquanto o português ficou para trás. Na última descida, Rui Costa chegou a frente e a decisão da vitória iria ser entre o português, Fraile, Rolland e Kangert. O mais forte foi o espanhol que mereceu muito a vitória. Rui Costa fez segundo.

Etapas 12 e 13: Mais uma vez, Fernando Gaviria mostra que é o mais forte nos sprints deste Giro. Não deu hipótese em ambas as etapas. O melhor comboio, o melhor lançador e o melhor sprinter! Aquele sprint na 13ª etapa...! Que superioridade, que explosão! O colombiano já disse que quer chegar a Milão com a maglia ciclamino, e neste momento para o conseguir só falta mesmo … chegar a Milão, porque em termos de pontos já está praticamente assegurada a vitória.

Fonte: Daiy Mail

Etapa 14: … masé aqui que entra o 2.0! Dumoulin não só se defendeu no contrarrelógio no início desta semana, como chegou à montanha no fim e mostrou ser o mais forte. Sim, mais forte que Quintana, que Nibali, que toda a gente! Deixou Quintana atacar e colocou o seu ritmo, sabia que mais tarde ou mais cedo iria lá chegar e chegou. Quando chegou, continuou com o seu ritmo e bateu toda a gente, vencendo em Oropa e reforçando a sua liderança. Indurain raramente fazia isto, e quase ninguém acreditava que Dumoulin seria capaz de o fazer.

Etapa 15: Uma etapa que se previa tranquila, antes do descanso, com o pelotão a deixar a fuga chegar, mas onde se viu tudo menos isso. Uma das etapas mais rápidas deste Giro, e isso provocou o ‘colapso’ de Rui Costa. O português tentou entrar na fuga, não conseguiu, desgastou-se, e quando foi preciso ter força para acompanhar o ritmo, não conseguiu e acabou por perder mais de 8 minutos e cair duas posições na geral. Por estradas do Giro da Lombardia, o mais forte foi Bob Jungels, batendo ao sprint os restantes candidatos à geral. Quem ficou fora desta luta foi Tanel Kangert, que sofreu uma queda horrível, partiu o cotovelo e foi obrigado a abandonar a corrida.