A caminho do Euro: a seleção islandesa

A Islândia é uma nação com pouca expressão no que diz respeito ao futebol mas isso parece estar a mudar.

A caminho do Euro: a seleção islandesa
A festa islandesa na Noruega após apuramento. (Foto: EPA)

Quando a UEFA decidiu aumetar o número de seleções que participam no Euro 2016, muitas nações saltaram de alegria. Uma delas foi a Islândia que com este novo formato conseguiu garantir pela primeira vez na sua história uma presenção numa fase final das competições oficiais da UEFA.

Se falarmos em destaques da fase de qualificação, sem dúvida que a Islândia é o principal. A nação nórdica ficou em segundo no seu grupo, apenas atrás da Républica Checa. Nos 10 jogos, conseguiu um total de 20 pontos. Trata-se de algo notável para um país com apenas 300 mil habitantes e onde o futebol não é o desporto rei.

Nada acontece por acaso - Projeto lançado há 10 anos dá resultado

Engane-se que pensa que a Islândia chegou até aqui por acaso. Os nórdicos têm desenvolvido a sua componente futebolística nos últimos anos (grande trabalho nas camadas jovens) e o resultado está à vista. O principal motor deste crescimento foi um projecto nacional lançado pela Federação há mais de 10 anos, com o objectivo de incentivar o gosto pela modalidade e apostar na formação de novos jogadores, de forma a aproveitar ao máximo os escassos recursos existentes.

Para ultrapassar as questões climatéricas e permitir que as equipas se mantenham em competição, implementaram-se campos sintéticos indoor e outdoor, o que veio melhorar significativamente as condições de treino e a qualidade dos jogos (embora a liga nacional seja ainda bastante fraca). Todo este processo de desenvolvimento levou a que os jogadores surgissem nas equipas principais cada vez mais cedo, dando depois o salto para campeonatos mais competitivos.

Equipa jovem, competitiva e equilibrada - Organização defensiva é o ponto forte

Juntando aos fatores já aqui falados, a Islândia também se tornou numa equipa competitiva. Para além demais, apresenta um conjunto jovem e equilibrado.

A base desta equipa é a geração que marcou presença no Europeu sub-21 em 2011, pelo que a média de idades é relativamente baixa. Apesar da qualidade ofensiva da equipa, a experiente e organizada defesa é o ponto forte. Em toda a fase de qualificação, os islandeses apenas sofreram 6 golos. Halldórsson, Saevarsson, Sigurosson, Árnason e Skúlason são os principais responsáveis desta boa base defensiva. Gunnarsson, Bjarnason, o craque Sigurdsson e Gudmundsson formam o meio campo. 

Na frente de ataque, há que temer o avançado predador Kolbeinn Sigtórsson que contabiliza 18 golos em 35 internacionalizações. O conhecido Finnbogasson costuma ser o seu parceiro. De destacar ainda o veterano Eidur Gudjohnsen, avançado com passagens pelo Barcelona e Chelsea, que é considerado com o melhor jogador de sempre deste país. Atualmente com 37 anos, certamente que terminará a carreira brevemente, muito provavelmente após o Euro.

Sigtórsson poderá ser uma dor de cabeça para muitos guarda-redes
Sigtórsson poderá ser uma dor de cabeça para muitos guarda-redes

Por fim, mas não menos importante, o homem que conduziu o país a este feito notável: Lars Lagerback. Com 67 anos, o sueco apenas treinou seleções na sua carreira e trata-se de mais uma aposta acertada por parte da Islândia.

Adversário a ter em atenção por parte de Portugal

Para o Euro 2016, a Islândia está inserida no Grupo F juntamente com Portugal, Hungria e outra grande surpresa da fase da qualificação, a Áustria. Por todas as razões aqui faladas, é talvez a equipa que poderá provocar mais problemas à seleção portuguesa. Não é de todo improvável, se os nórdicos conseguirem um primeiro lugar. Mesmo que não consegui garantir a passagem para a fase seguinte, chegar aqui já superou todas as expetativas e será uma seleção a ter em conta no futuro.

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