Real Madrid conquista a 11ª Liga dos Campeões: Cristiano sonhou, a bola brilhou e o luso festejou

A final da UEFA Champions League 2016 foi absolutamente memorável: depois do empate a 1 bola em 120 minutos, Cristiano bateu a grande penalidade decisiva que resulta na 11ª Liga Milionária do conjunto merengue. O Atlético lutou e mostrou ser uma grande equipa, mas no final a experiência dos blancos superiorizou-se.

Real Madrid conquista a 11ª Liga dos Campeões: Cristiano sonhou, a bola brilhou e o luso festejou
O Real Madrid celebrou a conquista da 11ª Champions em Milão // Foto: Facebook do Real Madrid C.F.

O estádio San Siro registou uma lotação esgotada, com 80 mil espectadores a revestirem as bancadas com as cores dos rivais de Madrid. No tempo regulamentar, Sérgio Ramos inaugurou o marcador na primeira parte, mas a 10 minutos dos 90 Carrasco igualou a final da Liga dos Campeões, obrigando a que todas as decisões ficassem adiadas para o prolongamento.

A verdade é que esta extraordinária partida de futebol só viria a conhecer um vencedor nas grandes penalidades. Nesta decisão o craque Cristiano Ronaldo foi fundamental, batendo o penálti que resultou na festa de todos os galácticos merengues. Para o português esta vitória é histórica, por se tratar do primeiro jogador lusitano a conquistar 3 Ligas dos Campeões em toda a sua carreira. Para o Real Madrid é o 11º triunfo na prova, destacando-se claramente como o clube que domina a competição mais desejada do futebol mundial. A UEFA Champions League despede-se da melhor maneira e a VAVEL Portugal deixa uma palavra de apreço ao Atlético de Madrid, que foi um digno finalista, sem esquecer que para chegar ao jogo decisivo teve de eliminar o Barcelona e o Bayern de Munique.

O Real venceu nas grandes penalidades, com CR7 a ser decisivo // Foto: Facebook do Real Madrid C.F.
O Real venceu nas grandes penalidades, com CR7 a ser decisivo // Foto: Facebook do Real Madrid C.F.

Primeira parte: Sérgio Ramos, o central das finais

O Estádio San Siro, em Itália, vestiu as cores da capital espanhola com as 2 equipas rivais de Madrid a travarem argumentos na incrível e arrepiante final da Liga dos Campeões. Na reedição do duelo de 2014, em Lisboa, o ambiente esteve ao rubro e nas 4 linhas respirou-se ambição. Na equipa de Zidane, Ronaldo e Pepe entraram no 11 inicial, sendo que do outro lado Tiago começou o jogo no banco de suplentes do Atlético.

Às 19h45 o esférico estrelado começou a rolar e foi o Real Madrid a dar o pontapé de saída no embate dos sonhos dos rivais madrilenos. Nos primeiros instantes Cristiano subiu no terreno, cruzou com perigo, mas Godin afastou com classe. O ritmo esteve fernético e na 1ª incursão de ataque do Atlético, Torres chegou tarde e travou Pepe com uma falta feia. Pouco depois, Bale sofreu falta dura, e na marcação o Galês centrou e viu Casemiro obrigar Oblak a uma parada notável. Na fase inicial o juiz da partida teve dificuldades em impôr respeito, com as 2 equipas a recorrerem em demasia a faltas duríssimas. Os lances de perigo apenas surgiram por parte do Real e Kroos atirou forte, ficando perto de inaugurar o marcador.

Ao minuto 15, Kroos bateu uma bola parada e encontrou o capitão Sérgio Ramos, que não vacilou, fazendo o 1-0 na mega final de Milão. O espanhol volta a marcar numa final diante o Atlético depois de o ter feito há 2 anos, em Lisboa. Com o golo os merengues controlaram ainda mais a posse de bola, com relevo para o papel fundamental de Casemiro, Modric e Kroos. O Atlético apresentou debilidades incomuns na organização de jogo, faltando as habituais dinâmicas que tornam o sistema de Simeone um dos mais eficazes do mundo. O Atlético limitava-se a bombear bolas para a frente, mas Griezmann e Torres não conseguiram anular as marcações de Pepe e Ramos.

Os blancos celebraram cedo a vantagem na partida // Foto: Getty Images
Os blancos celebraram cedo a vantagem na partida // Foto: Getty Images

No quarto de hora final da 1ª parte Godin deu o 1º sinal de perigo dos colchoneros, mas Navas controlou a trajectória. Na resposta, Casemiro partiu para o ataque e serviu Benzema, que levou novamente Oblak a aplicar-se. O guardião ex-Benfica esteve gigante na 1ª etapa do duelo, galvanizando toda a equipa. O médio Koke soltou-se da marcação cerrada do miolo do Real e o Atlético ganhou maior critério na saída para o ataque nos instantes finais. Numa jogada soberba, Grizmann rematou forte, mas foi apanhado em posição irregular, ficando ainda assim um sinal claro de que os colchoneros não desistiram da final. Em cima do intervalo, Griezmann fugiu aos centrais rematando potente, mas ao lado. O árbitro do encontro deu 1 minuto de compensação e o intervalo chegaria com o resultado a assinalar justamente 1-0 para o Real Madrid.

Segunda parte: Alma do Atlético mereceu a recompensa final

No recomeço do duelo o Atlético entrou forte e pressionante, e Pepe cometeu grande penalidade sobre Fernando Torres de forma infantil. Na conversão, Griezmann viu a barra negar o empate. O início da 2ª etapa deixou os adeptos à beira de um AVC, mas de emoções fortes ninguém se pode queixar. Nesta fase, Carvajal lesionou-se com gravidade e para o seu lugar entrou o ex-portista Danilo. Em termos estratégicos o Real desceu as linhas em demasia e o Atlético empurrou os merengues para o seu último reduto.

Griezmann perdeu uma boa oportunidade de chegar ao empate // Foto: Getty Images
Griezmann perdeu uma boa oportunidade de chegar ao empate // Foto: Getty Images

Na marcação de um canto a bola sobrou para Gabi, mas o jogador do Atlético falhou escandalosamente a igualdade, deixando Simeone completamente à beira de um ataque de nervos. O jogo era de sentido único e Koke ficou também ele a um palmo de empatar a final. O ataque colchonero apresentou-se intenso na 2ª parte, com foco para uma subida supersónica de Carrasco, que na ala direita cruzou para Saúl. O menino do Atlético bombardeou, mas a direcção não foi a melhor. O Real Madrid limitou-se a tentar gerir a magra vantagem, aplicando um sistema cauteloso que curiosamente costuma ser apanágio do seu rival Atlético.

A 20 minutos do fim os blancos conseguiram bloquear o ritmo alucinante do Atlético, valendo os incansáveis Casemiro e Modric. O croata deslumbrou os amantes do futebol com um passe magnífico para Benzema, mas na cara do golo o francês permitiu mais uma parada fantástica de Oblak. A pouco mais de 10 minutos do fim, Zidane lançou Lucas e retirou Benzema do terreno de jogo. Instantes depois, Cristiano surgiu duas vezes em posição previligiada, mas Oblak mostrou ter luvas de aço mantendo o Atlético vivo na luta pelo troféu.

No desporto rei quem não marca arrisca-se sempre a sofrer, e como tal decorria o minuto 80 quando Carrasco foi literalmente o Carrasco do Real. O belga do Atlético bateu Navas com todo o mérito, igualando de forma justa. No minuto a seguir, Torres ficou a centímetros do golo, fazendo tremer a defesa merengue. No Real, Bale ainda tentou criar perigo, mas o destino estava traçado: tal como na final de Lisboa, o prolongamento estava no horizonte, com 1-1 no total dos 93 minutos.

Carrasco manteve a luta acesa perto do fim // Foto: Getty Images
Carrasco manteve a luta acesa perto do fim // Foto: Getty Images

Prolongamento: Quebra física, desnorte, mas uma emoção extraordinária

Com mais meia hora para jogar, o Real beneficiou de um canto e Cristiano emergiu de cabeça falhando, no entanto, a direcção. As equipas apresentaram naturalmente quebras físicas, mas não deixaram de procurar lances de ataque emocionantes. Trata-se de uma final verdadeiramente incrível, e numa jogada notável Saúl viu Danilo afastar a bola em cima da linha. Territorialmente, o Atlético mostrou-se mais forte na dinâmica ofensiva, relegando os momentos ofensivos do Real a míseros contra-ataques. Na transição da primeira para a segunda parte do prolongamento, Griezmann rematou de forma acrobática, mas o esférico das estrelas fugiu das redes.

A 12 minutos dos 120 Casemiro rematou do meio da rua, com a bola a passar pertíssimo da barra. O jogo nesta fase entrou num período de conformismo, e o cansaço foi uma constante a impedir as equipas de construírem lances criteriosos. Passes errados, lesões e penálties no pensamento, tudo isto descreve a segunda parte do emocionante prolongamento. A 3 minutos dos 120 o Real renasceu, e Cristiano e Lucas ficaram perto de decidir a empolgante final. No entanto, a defesa do Atlético mostrou uma entreeajuda formidável.

Grandes penalidades: Quem tem Cristiano tem Champions

Na lotaria das grandes penalidades o Real inaugurou o marcador por Lucas, de forma serena, mas Griezmann não vacilou e igualou logo a seguir. Para os merengues Marcelo encontrou também o caminho das redes de Oblak, todavia o colchonero Gabi não vacilou, batendo Navas pela 2ª vez. O veloz Bale deu continuidade à festa dos penálties, marcando o 3º para o Real, no entanto o menino de ouro do Atlético, Saúl, respondeu, deixando esta decisão com uma igualdade a 3 bolas. O autor do golo no tempo regulamentar, Sérgio Ramos, voltou a bater Oblak, deixando todas as decisões para o espanhol Juanfran. O jogador do Atlético viu o poste negar-lhe o golo e ficaria tudo por decidir no pé direito de Cristiano Ronaldo, na 5ª e derradeira série de penálties.

Bale foi um dos jogadores a brilhar nos penálties // Foto: Facebook do Real Madrid C.F.
Bale foi um dos jogadores a brilhar nos penálties // Foto: Facebook do Real Madrid C.F.

O astro, o craque, e o orgulho nacional pegou no esférico, deixando-o à distância de 11 metros, encarou Oblak e com a maior tranquilidade do mundo resolveu "apenas" oferecer mais uma Champions League ao clube mais valioso do Universo, o Real Madrid. A postura das duas equipas foi incrível, com oportunidades para ambos os conjuntos, jogadas de qualidade das duas equipas e um empate ao fim de 120 minutos que foi sem dúvida o espelho do equilíbrio dos dois rivais da capital espanhola. 

É caso para dizer que mereciam ganhar as duas equipas, mas o destino estava mesmo traçado, sendo o Real Madrid o vencedor pela 11ª vez do troféu que faz qualquer amante do futebol sonhar.