Raúl Jiménez: utilitário de alto custo

Raúl Jiménez tem sido um elemento de utilidade em vários momentos à equipa do Benfica, mas poderia ter oferecido ainda mais. No futuro, o mexicano terá de elevar o seu rendimento.

Raúl Jiménez: utilitário de alto custo
Raúl Jiménez: utilitário de alto custo


No seu México natal é visto como um dos líderes e capitães do futuro; no Benfica ainda se espera para ver e as opiniões dividem-se: para alguns, trata-se de um ‘flop’, de uma aposta falhada, ao passo que para outros é encarado como uma opção de utilidade que desbloqueia alguns problemas da equipa em situações mais complicadas. É esta a situação de Raúl Jiménez.

O momento actual dita que Jiménez estará algures no meio destas ‘sentenças’, pois não deixa de ser verdade que entre os reforços contratados para esta época, depois de Adel Taarabt e Alejandro Grimaldo, segue-se mesmo Raúl entre as maiores desilusões para os adeptos encarnados. Apesar dessa realidade, devem equacionar-se as expectativas sobre este jogador. Isto porquê?

Porque, em abono da verdade, claras decepções têm sido Taarabt, que apenas representou a equipa principal do Benfica por uma ocasião e durante a pré-temporada, frente aos New York Red Bulls, e Grimaldo, com quem as águias chegaram a ter uma disputa com o Barcelona, que ainda tentou a sua renovação contratual para depois ainda não se ter sequer estreado na Liga. Depois sim, aparece Raúl.

No entanto, não deixa também de ser verdade que, nas ocasiões em que revelou maior brilho, o mexicano praticamente já anulou, ou pelo menos amortizou em grande parte, o elevado investimento feito pelo Benfica na sua contratação. Só na fase de grupos apontou os dois golos da equipa em Astana, no Cazaquistão, garantindo assim um ponto determinante para o apuramento para os oitavos-de-final e 500 mil euros de lucro imediato.

Jiménez poderá representar uma alternativa a ter em conta num futuro muito próximo

Chegados os ‘oitavos’ e logo num período em que não vinha sendo utilizado nos três jogos anteriores, Raúl Jiménez voltou a escolher bem a ocasião para reaparecer, tendo ajudado a revitalizar o ataque benfiquista, ao oferecer a mobilidade e persistência que Mitroglou não possui e fazendo parte de várias jogadas de perigo que contribuíram para a vitória dos bicampeões nacionais em título sobre o Zenit - mais um 1 milhão de euros de prémio imediato.

O Benfica neste momento apenas detém 3 pontos de vantagem sobre o FC Porto, quando poderia ter 4 ou até 6, tal como sucedeu na época passada. A grande diferença é que, na época passada, as águias lideravam a Liga, com o FC Porto na 2ª posição; este ano, quem lidera é o Sporting…

Curiosamente o nome de Raúl, neste caso a sua ausência, poderá até estar relacionado com esse facto, a realidade dos meros três pontos de diferença. Com a escolha de Rui Vitória a ter passado por outras opções (Carcela, Talisca e Salvio), a equipa encarnada perdeu organização ofensiva com as diversas alterações tácticas que conheceu ao invés da simples (e expectável também) aposta em mais um ponta-de-lança como o mexicano.



Obviamente que a questão apenas se coloca porque as entradas de Carcela, Talisca e Salvio não surtiram efeito. Dir-se-á até que em futebol é mais simples criticar quando o resultado já é conhecido. De qualquer forma, nunca se saberá quais os resultados práticos de uma eventual aposta em Raúl Jiménez para atacar o dragão, pois este não sairia do banco de suplentes. No entanto, a boa entrada do centro-americano ante o Zenit dá conta da utilidade que poderia ter tido…

A boa resposta dada por Jiménez frente ao conjunto orientado por André Villas-Boas voltou a transmitir aquilo que tem transparecido na sua passagem pelo clube: a imagem de um jogador útil, mas que também obrigou a custos altos para se contar com os seus préstimos. Uma espécie de ‘Citroën futebolístico’ - utilitário, capaz de evoluir com baixos consumos, mas que no momento da sua aquisição junto do ‘stand’ obrigou a um esforço suplementar.

Benfica necessita de quem decida nos grandes jogos - Raúl terá de ‘chegar-se á frente’

Esses elevados custos obrigariam, e obrigarão, a que o contributo de Jiménez seja ainda mais regular e determinante, e tornarão uma imposição para Jiménez aparecer nos grandes momentos que se adivinham. Como exemplo surge a visita a Alvalade para discutir a liderança, depois de, tal como grande parte dos seus companheiros, ter deixado uma imagem pálida das suas capacidades nos anteriores derbies desta temporada.



Mais do que polémicas sobre arbitragens e processos disciplinares sobre adversários, o Benfica necessita urgentemente de vitórias em clássicos e é neste tipo de jogos que têm de salientar-se os jogadores mais influentes e também os jogadores de mais elevado custo, como Raúl. Restará, portanto, saber se o seu contributo pode crescer nesse tipo de encontros nos quais a equipa precisa de quem decida.

Ainda assim, antes desse momento decisivo, a equipa encarnada terá mais um desafio de elevado risco na visita deste Sábado ao terreno do Paços de Ferreira. Uma partida como visitante frente a uma defesa firme e aguerrida que importa desgastar, como bem agrada a um jogador com as características de… Raúl Jiménez.

É precisamente Raúl quem poderia representar uma excelente hipótese para alinhar como titular neste confronto na Capital do Móvel, do qual se espera muita luta e oposição por parte do adversário. Caso Rui Vitória tenha também este aspecto em consideração, poderá estar para breve mais uma oportunidade privilegiada para o 9 benfiquista dissipar dúvidas quanto ao seu real valor.   




 

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