Luisão, uma temporada perdida?

A temporada 2015/2016 ficará marcada na carreira de Luisão como o seu pior momento desportivo desde que chegou a Portugal. Afastado dos relvados desde Novembro passado devido a lesão, o eterno capitão não deixa de ser uma figura incontornável no seio da equipa, usando a sua influência para reunir as tropas rumo ao tri-campeonato.

Luisão, uma temporada perdida?
Luisão, o eterno comandante da defesa encarnada.

Corria o Verão da longínqua época de 2003/2004 quando um jovem central brasileiro, oriundo do Cruzeiro de Belo Horizonte aterrou em Lisboa carregado de sonhos e objectivos. No currículo o jovem trazia um título de campeão brasileiro acabado de conquistar, e a promessa de se assumir como um caso sério no onze titular do Benfica. De seu nome Anderson Luís da Silva, Luisão acabou por cumprir todos os propósitos a que se designou há já 13 anos atrás, sendo hoje figura unânime na história do Sport Lisboa e Benfica. Números e currículo que lhe garantem o respeito e reconhecimento de toda a massa adepta encarnada mesmo numa temporada que ficará marcada como a pior da sua carreira desportiva em Portugal.

O capitão afirmou-se em 2005 pelas águias.
O capitão afirmou-se em 2005 pelas águias.

 

O emergir de uma Lenda

Se os primeiros tempos na Luz não foram fáceis, atendendo às dificuldades normais que qualquer jogador brasileiro sente na transição para o futebol europeu. A verdade é que ao longo destas últimas treze temporadas, Luisão ganhou o direito a figurar na história do Benfica pelos títulos que alcançou. No total são 14 troféus erguidos ao serviço dos encarnados, onde se contabilizam 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 6 Taças da Liga e 2 Supertaças Cândido Oliveira. A somar a todos estes troféus, Luisão disputou ainda duas finais europeias ao serviço dos encarnados, onde teve a honra de capitanear a equipa em ambas as partidas.

Mas a história de Luisão ao serviço dos encarnados não se mede apenas pelos títulos que alcançou ao serviço do seu clube de sempre. Luisão conseguiu o que poucos jogadores conseguem no futebol moderno, confundir-se com a história e principalmente com os valores do clube que representa. Várias foram as temporadas em que o salto para um novo campeonato europeu parecia o destino mais provável, mas a verdade é que por um motivo ou outro, Luisão foi permanecendo e passou a assumir o papel de mostrar às novas contratações o significado e responsabilidade que significa jogar nos encarnados. Analisar aquilo que tem sido o Benfica na última década, implica reconhecer o papel transcendente que o central internacional brasileiro teve no renascer do Benfica como grande potência desportiva europeia.

2015/2016, uma temporada a sofrer por fora

Luisão, um símbolo de mística benfiquista.
Luisão, um símbolo de mística benfiquista.

A época 2015/2016 trouxe aos adeptos encarnados uma nova realidade, ver o onze inicial do seu clube sem a presença do seu capitão de sempre Luisão. Aos 35 anos de idade Luisão atravessa desde que chegou a Portugal o seu pior momento desportivo, fruto das inúmeras lesões que o têm afectado ao longo de toda a temporada. Ao todo o capitão encarnado soma apenas 15 partidas efectuadas pelo Benfica nesta época. Números que se explicam pela lesão que sofreu no encontro com o Sporting para a Taça de Portugal em Novembro passado, onde desde então tem estado ausente dos relvados.

Mas a verdade é que a temporada 2015/2016 fica marcada também pelas críticas de que foi alvo após a derrota frente ao Sporting na Luz por 3-0. No rescaldo da derrota do Benfica frente ao seu eterno rival, Luisão foi dos jogadores mais visados por alguns críticos que consideraram que o jogador brasileiro estava acabado para o futebol e que estava na hora de dar o lugar aos mais novos. Se é verdade que Jardel e Lisandro López primeiro, e Lindelof mais tarde têm dado conta do recado, não deixa de ser absurdo considerar Luisão como um elemento a mais no clube encarnado.

Luisão é hoje uma figura incontornável da história do Benfica porque personaliza a mística benfiquista, porque simboliza o amor à camisola dos seus antecessores, porque sente o Benfica como um comum adepto encarnado. Jogador estrangeiro com maior número de jogos pelos encarnados, é ainda aquele que mais vezes envergou a braçadeira de capitão, tendo superado a 26 de Abril do ano passado, o mítico Mário Coluna. Luisão é História em desenvolvimento. O eterno capitão do Benfica, é também um dos últimos jogadores do futebol internacional que decidiu dedicar toda uma carreira a um mesmo clube, a uma só causa. Quando há uns meses atrás Luisão pediu respeito aos críticos, era nisto que pensava, porque como disse um dia, doze anos não são doze dias, e Luisão é hoje um dos últimos representantes do futebol de Eusébio, Peyroteo ou Simões pela paixão e dedicação com que assumiu o Benfica como seu.

Se do ponto de vista meramente desportivo a época 2015/2016 fica marcada pela ausência do capitão encarnado no onze titular, e pela perda de influência na manobra da equipa comandada por Rui Vitória. Não deixa de ser verdade que Luisão continua a ser uma figura essencial no espírito de equipa que os jogadores encarnados demonstram, sendo no balneário a principal voz de comando, e o elemento que transmite aos restantes jogadores a responsabilidade que têm em cada partida. Aos 35 anos de idade Luisão não tem mais nada a provar. Ao longo de treze temporadas conseguiu deixar a sua marca pelo profissionalismo e carácter que demonstrou a cada nova temporada, a cada novo jogo, sendo hoje uma das personalidades mais respeitadas no futebol português, tanto no seu clube de sempre, como nos seus rivais. Se será ainda capaz de se voltar a assumir como titular indiscutível no onze encarnado após uma temporada marcada por lesões e momentos menos positivos só o tempo o dirá, pois no que diz respeito ao papel que desempenha no clube encarnado, esse não merece qualquer debate ou discussão pública, pois Luisão ganhou por direito próprio o privilégio de passar a figurar nas galerias dos nomes imortais do Benfica e do futebol português.