Análise VAVEL ao Dragão: José Peseiro à beira do abismo

No rescaldo de mais um pesadelo diante o Tondela, como fica o futuro de José Peseiro depois da derrota frente ao último classificado?

Análise VAVEL ao Dragão: José Peseiro à beira do abismo
José Peseiro perto do fim no Dragão.

O cenário é dramático: a 6 jornadas do fim da Liga NOS, o Porto está a 7 pontos do Sporting e a 9 do Benfica. A derrota diante o Tondela deixou José Peseiro numa situação complicada e nem mesmo a possível festa do Jamor diante o Braga poderá ser suficiente para garantir a continuidade do técnico na Invicta.

Peseiro: o que se passou?

Quando Julen Lopetegui saiu do comando técnico dos dragões, o Porto somava os mesmos pontos do Benfica e estava a 4 do então líder Sporting. Quatro meses volvidos e eis que o filme azul e branco transformou-se num drama de terror que deixa o Porto neste momento praticamente arredado da luta pelo titulo. Quando José Peseiro assumiu o comando técnico, o Porto tinha toda a temporada em aberto com o campeonato, a Liga Europa e a Taça de Portugal como objectivos. Em menos de nada, a Liga Europa caiu por terra frente ao Borussia e a 6 jornadas do fim o Sporting está a uma distância de 7 pontos e o líder Benfica a 9. Resta agora a Taça de Portugal marcada para Maio para atenuar a tragédia. As derrotas no legado de Peseiro na Liga NOS já ultrapassaram o ridículo e a humilhação chegou ao ponto de em pleno Estádio do Dragão, o quase condenado Tondela ganhar ao Porto por 0-1. Com Peseiro, os azuis e brancos já perderam por 3 ocasiões no Campeonato e o pior é que nem a qualidade de jogo melhorou. As equipas de Peseiro tinham como rótulo a estética e o jogo técnico que deslumbrava qualquer amante de futebol, mas na Invicta é gritante observar a carência de rigor técnico-táctico do dragão de Peseiro. A vitória diante o Benfica na Luz não passou de um ''engano'' e a continuidade do treinador está obviamente em causa. O milionário plantel portista parecia poder evoluir com Peseiro mas nem mesmo Brahimi, Corona, Danilo ou Layún foram suficientes para lutar verdadeiramente pelo titulo.

Em termos estratégicos em comparação com Lopetegui, o Porto passou a jogar com maior ímpeto ofensivo com Peseiro mas o colectivo azul e branco tem vindo a perder o efeito anímico do inicio do legado do novo técnico. A postura mais ofensiva deixou o sector mais recuado fragilizado e mesmo quando o Porto venceu jogos acabava sempre por sofrer golos infantis. Frente ao Moreirense por exemplo o dragão virou um resultado de 0-2 para 3-2 nos últimos minutos mas foi um triunfo que viveu da alma e não do rigor estratégico que se exige a um grande clube. O Moreirense chegou ao Dragão e impôs o seu jogo perante um Porto apático que demonstrou uma desorganização incompreensível para uma equipa treinada por José Peseiro. Neste jogo o Porto acabou por vencer mas frente ao Arouca por exemplo, os azuis e brancos perderam e tal como na partida frente aos cónegos foi no mínimo atípico assistir à troca de Aboubakar por Suk quando o que seria esperado era uma aposta firme na busca pela vitória. 

A incoerência técnico-táctica de Peseiro é estranha e parece existir uma falta de ambição que não se verificava no Sporting e no Braga orientados pelo actual treinador do Porto. O golo de Luis Alberto na Invicta foi a gota de água no mar de revolta do tribunal do Dragão e perder com o Tondela, que ocupa o último lugar da Liga, levou Peseiro a admitir que o titulo não passa de uma miragem. A diferença pontual aumentou claramente para os rivais e é Lopetegui que acaba por se ficar a rir. A Taça de Portugal pode simbolizar uma pequena tábua de salvamento na época dos portistas mas frente ao Braga antevê-se uma final muito equilibrada. Caso os dragões levantem o troféu mantém-se a questão: será que Peseiro é o homem certo para 2016/2017? Até ao momento Peseiro mostrou não ter o pulso firme para dar a volta a uma equipa  doente que tem vindo a perder a estabilidade que fez do dragão dono e senhor do futebol luso nas últimas 3 décadas. O problema e o azar de Peseiro residiu no facto de não ter sido primeira escolha tendo pegado num colectivo débil animicamente pelo trauma Lopetegui. A verdade é que Peseiro aceitou o desafio e não foi capaz de potenciar um plantel tão valioso como o do Porto. A conjuntura não foi a melhor mas as más escolhas e as apostas estratégicas são inteiramente da responsabilidade do treinador, que poderia ter desenvolvido um trabalho mais sólido com um conjunto de soluções tão valioso que por exemplo Paulo Fonseca não teve direito. Algo se passa no seio do Dragão e José Peseiro não está isento de culpas mas o problema é bem mais profundo. A instabilidade directiva nos invictos é gritante e perante a contestação dos exigentes adeptos, seria quase suicida para Pinto da Costa iniciar a temporada 2016/2017 com Peseiro no comando da equipa.

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