Memória de leão: Anderson Polga

Chegou ao Sporting em 2003 como o primeiro campeão do mundo a jogar em Portugal. Ao longo de praticamente nove temporadas, Anderson Polga jogou de leão ao peito, destacando-se pela sua frieza e capacidade de liderança. Quatro anos depois, recordamos o trajecto do internacional brasileiro na equipa de Alvalade.

Memória de leão: Anderson Polga
Memória de leão: Anderson Polga

A época 2003/2004 foi de mudanças em Alvalade. A começar, o Sporting inaugurou o seu novo estádio; para além disso, trouxe novo treinador (Fernando Santos) para treinar um plantel que misturava a experiência de jogadores como João Vieira Pinto, com a irreverência de Cristiano Ronaldo. Pelo meio, estava um recém-chegado brasileiro, de seu nome Anderson Polga.

Anderson Corrêa Polga chegou ao Sporting proveniente do Grémio de Porto Alegre, clube onde fez toda a sua formação; a transferência para os leões transformou o central brasileiro no primeiro campeão do mundo a jogar num clube português, já que Polga fez parte da selecção brasileira que conquistou o Mundial de 2002 na Coreia do Sul/Japão.

Já sem figuras como as de Phill Babb ou André Cruz, o Sporting procurava o chamado 'patrão da defesa', tendo encontrado em Polga um digno sucessor. A verdade, é que o brasileiro cedo fez notar todas as suas qualidades, pegando de estaca no onze de Fernando Santos; apesar de não ser muito alto, nem possuir uma capacidade física notável, Polga compensava na sua excelente leitura de jogo, aliada a velocidade e posicionamento, características fundamentais em qualquer defesa.

Todavia, o central canarinho apresentava uma pecha relevante no seu currículo: a sua finalização. Apesar de a posição de defesa central não ser a mais correcta para quem quer marcar muitos golos, a verdade é que normalmente os defesas centrais conseguem marcar alguns golos ao longo da época, principalmente através de bolas paradas. Ora Polga mostrava uma clara aversão à baliza adversária; com efeito, e em 342 jogos pelo Sporting, o internacional brasileiro tem apenas quatro (!) golos, a sua maioria de grande penalidade. O central leonino marcou assim tantos golos como nas suas onze internacionalizações pelo Brasil.

Goleador ou não, a verdade é que Anderson Polga liderava a defesa, corrigindo posicionamentos ou motivando os colegas de equipa. Apesar disso, e pese embora o bom arranque, o brasileiro nunca foi um ídolo para os adeptos leoninos, que viam pouca evolução de Polga ao longo dos anos, isto apesar de ser um titular indiscutível na maioria das temporadas, e de ter conquistado duas Taças de Portugal e duas Supertaças.

Apesar disso, o brasileiro sempre se mostrou um tanto imune às críticas, procurando manter as características que o levaram para Alvalade. A verdade é que, independentemente de opiniões terceiras, a verdade é que Anderson Polga sempre demonstrou um enorme profissionalismo, dando sempre o máximo em todos os jogos e utilizando as suas armas contra os ataques adversários. Raramente teve sobre ele o foco das atenções, mas mostrou sempre uma consistência admirável. 

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