FC Porto: Silvestre Varela, o renascer de um velho dragão

Ao minuto 3 do jogo Porto x Nacional, Silvestre Varela disparou um míssil que empurrou o dragão para uma goleada de 4-0. O extremo luso está de volta aos velhos tempos, e é de louvar assistir ao renascer de um jogador que veste de azul e branco desde 2009.

FC Porto: Silvestre Varela, o renascer de um velho dragão
Silvestre Varela marcou na vitória de Sábado frente ao Nacional // Foto: Facebook do FC Porto

Formado no Sporting CP, Silvestre Varela é um extremo rápido que tem faro para marcar, e é um dos jogadores mais antigos do plantel do FC Porto. Nas 2 últimas temporadas, o ala ficou afastado das escolhas de Lopetegui, e só agora, com José Peseiro, tem vindo a ter chances para perfumar o jogo portista com o seu talento. A época do Porto tem sido medíocre, e nas 2 últimas jornadas José Peseiro apostou numa velha glória como Varela para devolver ao conjunto azul e branco a mística do que é jogar "à Porto". O ala aproveitou a oportunidade e deslumbrou as bancadas do Dragão com um pontapé fulminante, que deu início à goleada dos invictos frente ao Nacional, por 4-0. Recorde o percurso do Drogba da Caparica em VAVEL Portugal.

Silvestre Varela: o velocista voltou

O extremo internacional luso, Silvestre Varela, começou a dar nas vistas nas camadas jovens do Sporting no ano de 2001, e nas 4 linhas era reconhecido como o menino das tranças que tinha uma velocidade incrível com o esférico nos pés. No entanto, e sem saber bem porquê, o treinador dos leões, Paulo Bento afirmava que Varela não se encaixava no seu 4-4-2 losango, pelo que o destino do ala passou por cumprir vários empréstimos a equipas como o Vitória de Setúbal ou o Recreativo de Espanha. O ponto alto da carreira de Varela foi em 2009, quando assinou contrato com o FC Porto, onde desde então já cumpriu 224 partidas, tendo feito o gosto ao pé por 49 vezes.

Com a chegada de Lopetegui ao Dragão, Varela atravessou o seu pior período com a camisola azul e branca, acabando por ser cedido ao West Bromwich e ao Parma numa passagem desastrosa, que não tardou até terminar. De volta ao Porto, o jogador tem tido um percurso difícil para se reerguer, mas os grandes jogadores acabam sempre por dar a volta por cima. Aos 31 anos, Silvestre Varela convenceu Peseiro nesta espécie de pré-temporada, e tem sido aposta firme do treinador após a tragédia diante o Tondela. Na jornada 30 da Liga NOS, os invictos receberam o Nacional da Madeira, e Varela foi extraordinariamente fundamental para superar os alvinegros por 4 tiros a 0. O ''Drogba da Caparica'' pegou na redondinha ao minuto 3 e, com um lance genial, bombardeou as redes, apontando o 2º golo no campeonato.

Varela celebrou um golo precoce na vitória frente ao Nacional // Foto: Facebook do FC Porto
Varela celebrou um golo precoce na vitória frente ao Nacional // Foto: Facebook do FC Porto

A velocidade já não é a mesma, mas a experiência e o talento para fintar, cruzar e marcar mantêm-se bem patentes no futebol de Varela. Resta esperar que Peseiro ou outro treinador saibam observar que, mais do que ter qualidade ou talento, Varela representa uma mais valia no balneário porque, a par de Helton, o ala luso é um atleta que sabe o que é ser campeão, e sabe o quanto pesa vestir a camisola portista. A política de contratações de estrelas por parte dos dragões tem sido um flop, e talvez seja benéfico olhar para exemplos como Varela que, apesar de não brilhar tanto como Brahimi ou Corona, tem algo que supera o talento dos colegas: o facto de conhecer o futebol português e saber que a responsabilidade de jogar "à Porto" é algo fundamental para vencer.

Varela, a arma de Paulo Bento nas quinas

Ao serviço da selecção, Varela passou pela sensação mais curiosa da carreira. O seu auge na equipa lusa surgiu no legado de Paulo Bento, treinador que no passado não acreditou no seu talento. Até ao momento, Varela já representou a formação lusitana por 27 vezes, tendo festejado 5 tentos. Entre estes golos, a nação recorda ainda com emoção o tiro decisivo na fase de grupos do Euro 2012. A poucos minutos do fim, Portugal empatava 2-2 frente à Dinamarca, quando Paulo Bento resolveu lançar Varela como arma secreta. Na sequência de uma bola parada, Varela recebe o esférico, livra-se de um dinamarquês e atira para o fundo das redes, dando uma vitória determinante à equipa nacional. Este golo ajudou Portugal a passar a fase de grupos, mesmo tendo perdido o 1º jogo frente à Alemanha.

Em ano de Europeu, Fernando Santos tem muitas alternativas na posição de extremo, mas, no futuro, quem sabe se Varela não irá voltar a ter ''pica'' para mostrar quem é o ''Drogba da Caparica''.